domingo, 15 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - black midi

                  

Schlagenheim – black midi





















NOTA: 9,8/10


Em 2019, foi lançado o álbum de estreia da banda black midi, o caótico Schlagenheim. Formada em 2017, na nossa querida Londres, por Geordie Greep (guitarra e voz), Matt Kwasniewski-Kelvin (guitarra e voz), Cameron Picton (baixo e voz) e Morgan Simpson (bateria), a banda rapidamente ganhou reputação por shows imprevisíveis, altamente técnicos e caóticos, em que as músicas pareciam sempre à beira do colapso estrutural, ganhando destaque na chamada cena de Windmill, um pub localizado em Brixton. A produção, feita por Dan Carey, preservou a intensidade quase ao vivo que caracterizava os shows da banda, trazendo uma sonoridade de Noise Rock, Math Rock e alguns elementos experimentais que se encaixam nas guitarras cortantes de Greep e Kwasniewski-Kelvin e na cozinha rítmica impressionante do Picton e Simpson. O repertório é incrível, e as canções são bastante abstratas. No fim, é um baita disco e já pode ser considerado um clássico. 

Melhores Faixas: Western, 953, Near DT,MI, Of Schlagenheim 
Vale a Pena Ouvir: Ducter, Speedway

Cavalcede – black midi





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e o black midi retorna com mais um disco, o Cavalcade. Após o Schlagenheim, a banda já havia se consolidado como uma das formações mais imprevisíveis do Rock britânico contemporâneo. Nesse meio-tempo, o guitarrista Matt Kwasniewski-Kelvin se afastou temporariamente da banda por questões de saúde mental, o que impactou diretamente o processo criativo. Assim, eles viraram um trio e assumiram maior centralidade composicional. A produção, feita pela própria banda com auxílio de John “Spud” Murphy e Marta Salogni, mostrou arranjos meticulosos, com camadas adicionais de metais, violinos e texturas que ampliam a paleta sonora, evidenciando que deixaram de lado o Noise Rock e seguiram por um caminho mais voltado ao Jazz-Rock e ao Rock progressivo, mais precisamente ao Avant-Prog. O repertório, novamente, é incrível, e as canções ficaram mais densas e complexas. No fim, é outro disco fantástico e expressivo. 

Melhores Faixas: John L, Slow, Marlene Dietrich, Chondromalacia Patella 
Vale a Pena Ouvir: Ascending Forth, Dethroned

Hellfire – black midi





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o 3º e último disco deles, o sensacional Hellfire. Após o Cavalcade, a black midi consolidou uma identidade marcada por virtuosismo técnico, tornando-se queridinha da Rough Trade Records, e o grupo aqui parece completamente confortável em sua própria excentricidade. Decidindo fazer um álbum conceitual que gira em torno de personagens grotescos, ambientes decadentes, jogos de poder, tragédias e ironias sombrias. A produção, feita por Marta Salogni, é bem cristalina, permitindo que cada instrumento seja distinguido com nitidez. Com a bateria complexa do Morgan Simpson, o baixo expressivo do Cameron Picton e as guitarras quase flamencas do Geordie Greep, além de seus vocais teatrais que dão vida às composições, o disco abriga uma sonoridade que equilibra Avant-Prog e Brutal Prog. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. Enfim, é um álbum magnífico e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Sugar / Tzu, Welcome To Hell, 27 Questions, Still, Eat Men Eat 
Vale a Pena Ouvir: The Race Is About To Begin, Dangerous Liaisons

 

Dedicado à memória de Matt Kwasniewski-Kelvin (1999-2026).

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