Neil Young – Neil Young
NOTA: 8/10
Em 1969, Neil Young entrava em sua carreira solo lançando seu disco de estreia autointitulado. A trajetória do cantor canadense começou por volta de 1963, quando começou a tocar em algumas bandas e, nesse meio tempo, conheceu artistas como Joni Mitchell e Rick James. Mas sua grande exposição veio na metade dos 60, quando foi integrante do Buffalo Springfield, banda que acabou durando apenas dois anos devido a imensos conflitos, e com isso ele decidiu fazer trabalhos solo e assinou com a Reprise Records. A produção foi feita por ele junto com David Briggs, Jack Nitzsche e Ry Cooder e apresentou um equilíbrio entre uma abordagem direta de cantor-compositor típica do Folk Rock. Por outro lado, há arranjos orquestrais relativamente elaborados que aparecem em várias faixas, algo que não agradou a Young nem um pouco. O repertório em si é bom, trazendo canções bem melódicas. No fim, é um ótimo disco que mostrou um caminho interessante.
Melhores Faixas: The Old Laughing Lady, Here We Are In The Years
Vale a Pena Ouvir: The Last Trip To Tulsa, The Loner, If I Could Have Her Tonight
Everybody Knows This Is Nowhere – Neil Young & Crazy Horse
NOTA: 9,9/10
Em 1970, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o clássico Everybody Knows This Is Nowhere. Após seu disco de estreia, Young sentia que precisava de uma abordagem mais espontânea, baseada na energia do Rock tocado por uma banda. Nesse período, ele passou a trabalhar com um novo grupo de músicos que viria a se tornar fundamental em sua carreira: Crazy Horse. A formação original incluía Danny Whitten na guitarra e vocais, Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria. A produção foi feita junto com David Briggs, e as gravações trouxeram uma abordagem relativamente simples e direta. Em vez de arranjos orquestrais elaborados, a prioridade foi registrar o som cru da banda. Guitarras elétricas distorcidas, baixo pulsante e bateria direta formam a base da maioria das faixas, fazendo assim uma junção de Country Rock, Folk e Hard Rock. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima.
Melhores Faixas: Cowgirl In The Sand, Down By The River, Everybody Knows This Is Nowhere
Vale a Pena Ouvir: Cinnamon Girl, The Losing End (When You're On)
After The Gold Rush – Neil Young
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: Southern Man, Tell Me Why, After The Goldrush, Don't Let It Bring You Down, Only Love Can Break Your Heart
Vale a Pena Ouvir: Birds, Till The Morning Comes, Oh Lonesome Me
Harvest – Neil Young
NOTA: 9,9/10
Dois anos depois, Neil Young retorna com outro disco sensacional intitulado Harvest. Após o clássico After the Gold Rush e também o sucesso do Crosby, Stills, Nash & Young, o cantor passou a enfrentar problemas físicos significativos. Uma lesão nas costas dificultava apresentações mais intensas com guitarra elétrica, o que o levou a compor várias músicas ao piano ou ao violão, instrumentos que exigiam menos esforço físico. Esse fator acabou influenciando diretamente o tom mais calmo e acústico que dominaria o próximo disco. A produção foi feita junto com Elliot Mazer, Henry Lewy e Jack Nitzsche, e contou com músicos experientes da cena Country de Nashville, conhecidos como The Stray Gators. Esses músicos ajudaram a criar o som característico do disco, marcado por arranjos suaves, pedal steel expressivo e uma atmosfera relaxada. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e suaves. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico.
Melhores Faixas: Heart Of Gold, Old Man, The Needle And The Damage Done, Harvest, Out On The Weekend
Vale a Pena Ouvir: A Man Needs A Maid, Alabama, Words (Between The Lines Of Age)
On The Beach – Neil Young
NOTA: 10/10
Mais dois anos se passaram, e foi lançado mais um disco do Neil Young, o espetacular On the Beach. Após o enorme sucesso do Harvest, essa popularidade trouxe um tipo de exposição que Young nunca pareceu confortável em assumir. Fora que ele sofreu com perdas importantes, como a morte do guitarrista Danny Whitten, membro fundamental do Crazy Horse, após uma overdose de drogas. Pouco tempo depois, o roadie e amigo próximo Bruce Berry também faleceu devido a problemas relacionados a drogas, e tudo isso influenciou essa era chamada do Ditch Trilogy. A produção, conduzida em sua maioria por ele próprio, apresenta uma abordagem deliberadamente crua e atmosférica, com um som mais denso e introspectivo. Os arranjos são frequentemente minimalistas, permitindo que sua voz fique no centro. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. Enfim, é outro disco sensacional e uma verdadeira obra-prima.
Melhores Faixas: Revolution Blues, On The Beach, Walk On, See The Sky About To Rain
Vale a Pena Ouvir: Ambulance Blues, Motion Pictures
Tonight's The Night – Neil Young
NOTA: 9,5/10
Depois de mais um intervalo de dois anos, essa fase se encerra com o álbum Tonight’s the Night. Após o On the Beach, Neil Young tinha se afastado deliberadamente da sonoridade acessível que havia conquistado o grande público. Em vez disso, mergulhou em uma fase muito mais sombria e introspectiva de sua carreira. Esse trabalho seria ainda mais cru e emocionalmente devastador de toda a sua trajetória. A produção foi feita junto com David Briggs e Tim Mulligan e teve uma abordagem extremamente espontânea e crua. As sessões ocorreram principalmente em 1973 em um ambiente que muitos participantes descreveram como emocionalmente carregado. Onde gravavam durante longas sessões noturnas marcadas por improvisação, consumo de álcool e um clima de luto coletivo pela morte do Danny Whitten e Bruce Berry. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um disco incrível e bem maduro.
Melhores Faixas: Tired Eyes, Albuquerque, Mellow My Mind, Tonight's The Night, Borrowed Tune, Roll Another Number (For The Road)
Vale a Pena Ouvir: Lookout Joe, Come On Baby Let's Go Downtown, Speakin' Out
Zuma – Neil Young
NOTA: 9,7/10
Já mais para o final de 1975, foi lançado outro álbum do cantor canadense intitulado Zuma. Após o Tonight’s the Night, depois de mais uma turnê cansativa com CSNY e da tentativa de um 2º álbum que não foi adiante, Neil Young voltou a trabalhar intensamente com o Crazy Horse. Com a entrada do guitarrista Frank Sampedro, ao lado do Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria, a banda criou uma energia diferente. A produção foi aquela de sempre, apostando em arranjos simples e na interação entre os músicos. Um elemento essencial da sonoridade do álbum é o diálogo entre as guitarras de Young e Sampedro. Os dois criam camadas de riffs e solos que frequentemente se estendem por vários minutos, especialmente nas faixas mais longas, fazendo com que elementos de Folk Rock, Hard Rock e Country funcionem bem. O repertório é ótimo, e as canções são bem imersivas e melódicas. Enfim, é um trabalho incrível e bem tematizado.
Melhores Faixas: Cortez The Killer, Danger Bird, Don't Cry No Tears, Stupid Girl
Vale a Pena Ouvir: Drive Back, Lookin' For A Love
American Stars 'N Bars – Neil Young
NOTA: 8,5/10
Pulando para 1977, Neil Young retorna com mais trabalho novo, o American Stars ’N Bars. Após o Zuma, Young começou a entrar em uma fase mais dispersa em termos de produção artística. Em vez de trabalhar em projetos com uma direção conceitual muito definida, ele passou a reunir músicas gravadas em diferentes momentos e contextos. Esse método de montagem passou a refletir a forma de trabalhar do cantor naquele período. A produção foi bastante variada, com a participação de músicos associados ao Crazy Horse, enquanto outras faixas foram registradas com músicos da cena Country de Nashville. Essa diversidade de sessões resulta em um disco sonoramente variado. Algumas músicas apresentam arranjos suaves e acústicos, enquanto outras são dominadas por guitarras elétricas mais pesadas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado.
Melhores Faixas: Like A Hurricane, The Old Country Waltz, Star Of Bethlehem, Hold Back The Tears
Vale a Pena Ouvir: Will To Love, Bite The Bullet
Comes A Time – Neil Young
NOTA: 8,4/10
Mais um ano se passou, e foi lançado mais um álbum do Neil Young, intitulado Comes a Time. Após o American Stars ’N Bars, o cantor começou a demonstrar interesse em retornar a uma sonoridade mais acústica e tradicional. Ele já havia experimentado esse caminho anteriormente, mas desta vez a abordagem seria um pouco diferente: em vez de um álbum dominado por produção relativamente polida e arranjos orquestrais ocasionais, Young buscava um som ainda mais simples e intimista. A produção foi feita junto com David Briggs, Ben Keith e Tim Mulligan, apresentando arranjos relativamente simples, dominados por violão, piano, pedal steel e harmonias vocais suaves. A atmosfera do disco é extremamente calorosa e contemplativa. A instrumentação raramente busca intensidade, e com isso a sonoridade fica puxada para o Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem caloroso.
Melhores Faixas: Comes A Time, Four Strong Winds, Already One, Human Highway
Vale a Pena Ouvir: Piece Of Mind, Goin' Back
Rust Never Sleeps – Neil Young & Crazy Horse
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: My My, Hey Hey (Out Of The Blue), Hey Hey, My My (Into The Black), Powderfinger, Pocahontas
Vale a Pena Ouvir: Thrasher, Sedan Delivery, Sail Away
Hawks & Doves – Neil Young
NOTA: 8/10
Entrando nos anos 80, Neil Young lançava mais um disco, intitulado Hawks & Doves. Após o Rust Never Sleeps, Young começava a lidar com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu filho Ben, que tinha paralisia cerebral, exigia atenção constante da família, e isso influenciou a maneira como o músico organizava sua rotina e seus projetos. Esse álbum acabou sendo relativamente curto, já que parte do material havia sido gravado anos antes, enquanto outras faixas foram registradas pouco antes do lançamento. A produção foi mais orgânica, apresentando duas abordagens distintas. A primeira metade contém arranjos acústicos simples, com violão e instrumentação minimalista. Já a segunda metade mergulha mais profundamente na estética do Country tradicional, com presença de pedal steel, violino e ritmos típicos do gênero. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e envolventes. No geral, é um disco bacana e meio subestimado.
Melhores Faixas: Stayin' Power, Hawks & Doves
Vale a Pena Ouvir: Little Wing, Union Man, Lost In Space
Re·ac·tor – Neil Young & Crazy Horse
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado o 12º álbum do Neil Young, intitulado Re·ac·tor, que foi mais ousado. Após o Hawks & Doves, o cantor parecia cada vez menos interessado em repetir fórmulas que haviam funcionado anteriormente. Com isso, decidiu retornar à parceria com o Crazy Horse, mas sem a grandiosidade conceitual de Rust Never Sleeps. Em vez disso, o álbum apresenta um Hard Rock mais direto, por vezes até rudimentar, que muitos interpretam como uma tentativa de capturar a energia espontânea das sessões de estúdio. A produção, conduzida por David Briggs, Tim Mulligan e Jerry Napier, resultou em uma sonoridade crua, valorizando a imperfeição, a espontaneidade e o volume alto das guitarras, privilegiando gravações com pouca ornamentação e arranjos simples, com foco absoluto na interação entre guitarra, baixo e bateria. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem pesadas e dinâmicas. Em suma, é um ótimo álbum, também bastante subestimado.
Melhores Faixas: Southern Pacific, Shots
Vale a Pena Ouvir: T-Bone, Opera Star











