sábado, 7 de março de 2026

Analisando Discografias - Chico Buarque: Parte 3

                   

Francisco – Chico Buarque





















NOTA: 8/10


Em 1987, Chico Buarque lança mais um trabalho novo intitulado Francisco, que trouxe algumas mudanças. Após o álbum de 1984, Chico passa a desenvolver um trabalho mais introspectivo e narrativo, menos diretamente ligado a acontecimentos políticos imediatos e mais voltado a personagens, histórias e sentimentos. Em um momento em que os anos 80 trouxeram uma convivência entre a MPB tradicional e novas tendências musicais que ganhavam força, como o Rock nacional. A produção foi feita por Homero Ferreira, que seguiu a linha sofisticada da MPB daquele período, com forte presença de piano, violões, seção rítmica suave e arranjos elegantes que valorizam as letras. Musicalmente, o disco mistura elementos de Samba e Pop barroco. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado bem mais intimista. No fim, é um disco bacana e que é muito injustiçado. 

Melhores Faixas: O Velho Francisco, As Minhas Meninas, Cadê Você (Leila XIV) 
Vale a Pena Ouvir: Todo o Sentimento, Estação Derradeira

Chico Buarque (1989) – Chico Buarque





















NOTA: 8/10


E aí, no fim dos anos 80, foi lançado mais um álbum que levava seu nome, que foi mais raiz. Após o Francisco, Chico Buarque estava num momento explorando narrativas sociais, personagens urbanos e temas políticos ligados à redemocratização do Brasil. Chico entra no final da década com um disco que mistura reflexão urbana, lirismo e certa leveza temática, sem abandonar a densidade poética característica de sua obra. Produção conduzida por Homero Ferreira e Luiz Cláudio Ramos, apresenta uma sonoridade bastante elegante e refinada, com arranjos que combinam violões, piano, percussão brasileira e elementos orquestrais discretos. Em comparação com alguns trabalhos anteriores do Chico, a produção aqui tende a valorizar ainda mais a clareza melódica e a interpretação vocal. O repertório novamente é muito bom, e as canções têm um caráter bem mais melancólico. No fim, é um ótimo disco e que fechou uma fase bem consistente. 

Melhores Faixas: A Permuta Dos Santos, A Mais Bonita 
Vale a Pena Ouvir: Valsa Brasileira, Morro Dois Irmãos

Paratodos – Chico Buarque





















NOTA: 8,2/10


Indo para 1993, Chico Buarque retorna lançando mais um trabalho novo, o Paratodos. Após o álbum de 1989, ele quis fazer um trabalho que fosse uma espécie de homenagem à tradição da música brasileira e aos artistas que ajudaram a formar o universo musical de Chico, incluindo nomes históricos e contemporâneos da MPB. Sua capa foi feita com base em uma mugshot tirada de Chico durante sua adolescência, quando ele roubou um dos carros de luxo em seu período de escola. Produção conduzida por Luiz Cláudio Ramos e Vinicius França, que apresenta um equilíbrio muito característico da MPB sofisticada do período: arranjos elaborados, mas sem exagero, com destaque para violões, piano, percussões brasileiras e instrumentos de sopro, o que valoriza a voz do cantor com toda essa ambiência dinâmica. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e sentimentais. Enfim, é um projeto bacana e que foi bem consistente. 

Melhores Faixas: Futuros Amantes, Romance, Paratodos 
Vale a Pena Ouvir: Piano Na Mangueira (participação do Tom Jobim), A Foto Da Capa, De Volta Ao Samba

Uma Palavra – Chico Buarque





















NOTA: 7,8/10


Dois anos se passam, e Chico Buarque decide lançar um álbum de regravações que comemorava seus 30 anos de carreira. Após o Paratodos, depois de alternar momentos de intensa atividade musical com projetos literários e teatrais, esse álbum acaba refletindo essa amplitude: não é apenas um conjunto de canções, mas uma espécie de panorama estético que passa por sambas, valsas, canções líricas e peças mais narrativas. Produção feita por Luiz Cláudio Ramos, que colocou arranjos que tendem a equilibrar tradição e modernidade: violões, piano e cordas convivem com programação de teclados e texturas mais contemporâneas para a época, criando um ambiente sonoro refinado, mas sem perder a proximidade característica das gravações do Chico. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bem reinterpretadas e têm um lado mais pacífico. Enfim, é um projeto muito bom e que funcionou em sua proposta. 

Melhores Faixas: Samba E Amor, Pelas Tambelas 
Vale a Pena Ouvir: Ela É Dançarina, Valsa Brasileira, A Rosa, Quem Te Viu, Quem Te Vê

As Cidades – Chico Buarque





















NOTA: 8,4/10


Chegando em 1998, foi lançado mais um trabalho do Chico Buarque intitulado As Cidades. Após o Uma Palavra, o cantor vinha alternando música com literatura e projetos especiais. Ele também participou de projetos ligados à Mangueira e compôs músicas para cinema e outras iniciativas artísticas. Parte dessas composições acabou sendo incorporada ao álbum, como algumas faixas que já haviam aparecido em contextos paralelos ou projetos anteriores. Produção feita, como sempre, por Luiz Cláudio Ramos e Vinicius França, que traz arranjos elaborados com cuidado especial para destacar a narrativa das letras e a interpretação vocal do Chico. A instrumentação inclui piano, quarteto de cordas, violões e percussões sutis, criando um ambiente musical elegante e intimista. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem profundas e imersivas. No geral, é um ótimo disco e que foi bem expressivo. 

Melhores Faixas: Xote De Navegação, Chão De Esmeraldas, Cecília 
Vale a Pena Ouvir: Aquela Mulher, Carioca

Carioca – Chico Buarque





















NOTA: 7,8/10


Entrando em 2006, foi lançado o 18º álbum de estúdio do Chico Buarque, intitulado Carioca. Após As Cidades, Chico dedicou grande parte de sua produção à literatura, consolidando-se também como romancista, o que acabou influenciando o caráter mais narrativo e literário das canções desta fase. Além disso, ele havia sido contratado pela gravadora Biscoito Fino. O título é a representação do apelido que Chico recebeu quando passou a viver em São Paulo ainda jovem, por ser nascido no Rio de Janeiro. Produção feita novamente por Luiz Cláudio Ramos, que privilegia uma sonoridade elegante, com forte presença de violões, piano, sopros discretos e uma base rítmica que alterna entre Samba, Bossa Nova e MPB. Um dos aspectos mais interessantes da produção é o equilíbrio entre simplicidade e sofisticação. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e coesas. Enfim, é um álbum legal e que mostrou que ele já estava bem repetitivo. 

Melhores Faixas: Porque Era Ela, Porque Era Eu, Subúrbio 
Piores Faixas: Outros Sonhos, As Atrizes, Sempre

Chico – Chico Buarque





















NOTA: 4/10


E aí, em 2011, ele retorna lançando mais um projeto novo intitulado apenas Chico. Após o Carioca, o cantor se dedicou bastante, especialmente ao romance Leite Derramado e a um afastamento temporário do processo de composição musical. O próprio Chico Buarque comentou que levou um tempo até sentir novamente vontade de compor e que o processo de retomada aconteceu gradualmente, começando ao tocar piano e violão e desenvolver novas ideias musicais. A produção foi mais enxuta, com arranjos refinados e uma instrumentação que mistura tradição da MPB com pequenas experimentações rítmicas e estilísticas. Aqui eles juntaram influências de marchinha, passando por Blues, Baião e Bossa Nova, só que tudo é bem bagunçado e os vocais cansados do Chico não ajudam. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquíssimas. No fim, é um projeto ruim e que mostrou que estava bem repetitivo. 

Melhores Faixas: Sem Você 2, Querido Diário, Rubato 
Piores Faixas: Barafunda, Essa Pequena, Tipo Baião, Nina

Caravanas – Chico Buarque





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2017, quando foi lançado o que é praticamente o último álbum do Chico Buarque, o Caravanas. Após o álbum de 2011, o cantor continuava dividido entre a música e a literatura, além de apresentações ao vivo e projetos diversos. Quando voltou ao estúdio, apresentou um conjunto relativamente mais curto de faixas, mas com forte identidade autoral e seguindo um caminho mais moderno. A produção foi mais orgânica, em que os arranjos seguem a linha sofisticada e discreta da MPB contemporânea. Há presença marcante de violões, piano, sopros e cordas em sua maioria, além de variações rítmicas que passam por Samba, Choro e até influências de Blues e do Funk brasileiro, só que tudo é bem repetitivo e ainda fica aquele sentimento de que faltou algo a mais. O repertório é mediano; há canções legais e outras que não funcionam. No final, é um disco irregular e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Dueto, Tua Cantiga, A Moça Do Sonho 
Piores Faixas: Blues Pra Bia, Jogo de Bola, Casualmente

   

                                                                                        Bom é isso e flw!!!        

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