Sambanova – PNAU
NOTA: 8,7/10
Em 1999, o duo australiano PNAU lançava seu álbum de estreia, o obscuro Sambanova. Formado em 1996 pelos dois amigos de escola Nick Littlemore e Pedro Mayes, em Sydney, na Austrália, em um momento em que a música eletrônica vivia o auge do Big Beat e do House filtrado europeu, coexistindo com experimentações mais psicodélicas e híbridas. Esse trabalho foi feito de forma independente, e eles não tinham a menor experiência no ramo musical. Ainda assim, o talento deles fez com que criassem algo bem caprichado, mesmo sem autorização. A produção foi feita inteiramente por Nick Littlemore, que seguiu uma abordagem altamente fragmentada, baseada em loops e sobreposição de camadas que parecem desalinhadas. Com isso, o som é cru, com texturas que beiram o Lo-fi em alguns momentos, dialogando com House e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia, que hoje está fora dos streamings.
Melhores Faixas: Mellotron, Hard Biscuit, Direct Drive, Arthur’s Pizza, Need Your Lovin’ Baby
Vale a Pena Ouvir: Sambanova, Direct Drive, Keep On Truckin'
Again – PNAU
NOTA: 8/10
Passaram-se então quatro anos até que eles retornassem com seu 2º álbum, o Again. Após o Sambanova, que era mais cru e mostrava uma experimentação inicial, e que acabou sendo retirado das lojas pelo uso ilegal de samples, o duo despertou o interesse da Warner Records, que os contratou. Naquele período, a música eletrônica começava a dar atenção ao Electroclash, ao retorno do Synth-pop e à consolidação de uma vertente mais emocional da Dance music, que passava a ganhar espaço. A produção trouxe uma maior presença de loops, cortes abruptos e vocais fragmentados, mas agora esses elementos são organizados com mais clareza. Os timbres continuam variados: sintetizadores vibrantes, linhas de baixo elásticas, percussões eletrônicas pulsantes e uma presença mais consistente de elementos melódicos, seguindo a linha do Electro House. O repertório é bem legal, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um ótimo trabalho e bastante coeso.
Melhores Faixas: The Hunted, Fear & Love
Vale a Pena Ouvir: Super Giants, In The Valley, Donnie Donnie Darko
PNAU – PNAU
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: With You Forever, Come Together, Wild Strawberries, Embrace, Freedom, No More Violence
Vale a Pena Ouvir: Dancing On The Water, We Have Tomorrow, Lover
Soft Universe – PNAU
NOTA: 5/10
Cinco anos se passaram até o duo lançar mais um álbum, o fraquíssimo Soft Universe. Após o álbum de 2007, Nick Littlemore havia consolidado, ao lado de Luke Steele, o sucesso global do Empire of the Sun. Essa experiência com um Electropop mais grandioso, melódico e visualmente marcante impacta diretamente a direção artística do PNAU. Com esse trabalho sendo bem mais variado e com eles lançando de forma independente pelo selo Etcetc. A produção foi feita pelo duo junto com Scott Cutler e Anne Preven, ainda tendo sobreposição de elementos e manipulação de samples, mas tudo é conduzido com um senso muito mais claro de direção estética. Os sintetizadores têm camadas brilhantes e texturas que frequentemente evocam um sentimento cósmico, além de uma maior presença de vocais, deixando tudo muito comprimido e plastificado. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e muito sem graça.
Melhores Faixas: Unite Us, Better Way, Twist Of Fate
Piores Faixas: Glimpse, Everybody, Epic Fail
Changa – PNAU
NOTA: 6/10
Passaram-se então seis anos, e foi lançado o 5º álbum do PNAU, intitulado Changa. Após o Soft Universe, eles reaparecem com um trabalho que seria diferente dos anteriores, que muitas vezes partiam do caos em direção à forma; aqui, o processo parece invertido: as músicas já nascem estruturadas, e a experimentação atua mais como ornamentação e expansão. A produção é extremamente polida, vibrante e detalhista. Os sintetizadores são coloridos e dinâmicos, frequentemente assumindo linhas melódicas marcantes. Há uma forte presença de influências do Dance-Pop, Future House e Eurodance, traduzidas em arranjos modernos. As linhas de baixo são mais definidas e dançantes, sustentando grooves que funcionam tanto na pista quanto na escuta casual, mas muita coisa novamente soa repetitiva e sem momentos dinâmicos. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções genéricas. No geral, é um álbum mediano e bem subestimado.
Melhores Faixas: Changes (participação do Faul & Wad), Go Bang, Chameleon
Piores Faixas: La Grenouille, Into The Sky, In My Head
Hyperbolic – PNAU
NOTA: 5,2/10
Então chegamos ao mais recente álbum do PNAU, lançado em 2024, o Hyperbolic. Após o Changa, o duo atingiu um novo patamar de visibilidade global, especialmente após o sucesso massivo do remix Cold Heart, com Elton John e Dua Lipa. Esse contexto é fundamental, já que esse disco não nasce mais de um grupo tentando equilibrar o underground e a música Pop; ele surge de um projeto já plenamente inserido no mainstream global. A produção, feita por Donnie Sloan, é certamente a mais polida e orientada ao mainstream. Os sintetizadores são brilhantes e expansivos, frequentemente seguindo linhas melódicas simples, mas extremamente eficazes. Há uma clara influência do Dance-Pop, com estruturas enxutas e refrões pensados para fixação rápida, e do Funky House nos momentos de groove, mas tudo soa bastante pasteurizado e sem essência. O repertório é fraco, com canções legais e outras genéricas. Em suma, é um álbum mediano e que foi um fiasco.
Melhores Faixas: Solid Gold, Nostalgia, River (participação da Ladyhawke) Piores Faixas: You Know What I Need, The Hard Way, AEIOU (de novo, aquela música que tá no mais recente álbum do Empire Of The Sun)
Então um abraço e flw!!!





