segunda-feira, 25 de maio de 2026

Analisando Discografias - J Dilla: Parte 2

                 

The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 2: Vintage – Jay Dee





















NOTA: 9,5/10


Mais um ano se passou, e J Dilla lançou The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 2: Vintage. Após o volume 1, o Rap instrumental começava a ganhar autonomia artística. Antes, os beats eram vistos apenas como base para rappers, mas Dilla ajudou a mudar essa mentalidade. Projetos como essa série mostravam que os instrumentais podiam ser apreciados isoladamente, quase como peças de Jazz ou música eletrônica abstrata. A produção foi extremamente intuitiva e orgânica. Mesmo quando os beats parecem simples, existe uma complexidade absurda na forma como os elementos se movimentam, criando aquela sensação clássica de “drunk rhythm”. Os samples são tratados de maneira particular, com ele frequentemente escolhendo pequenos fragmentos e os deixando hipnóticos através da repetição. O repertório é incrível, e as canções são bem suaves e urbanas. No fim, é um ótimo álbum e mostrou ainda mais da genialidade do Dilla. 

Melhores Faixas: Dreamy, Get Down, On the 1, Earl, Circus, Doo Doo, Trashy 
Vale a Pena Ouvir: The Dee, Grannie, Kamaal

Donuts – J Dilla





















NOTA: 10/10


Em 2006, J Dilla lançava seu último álbum em vida, o atemporal e esplêndido Donuts. Após o Vintage, Dilla já era reverenciado como um dos maiores produtores vivos, mas também atravessava o período mais difícil da própria vida. Sofrendo com complicações graves causadas por lúpus e uma rara doença sanguínea, sendo hospitalizado enquanto sua saúde se deteriorava rapidamente. Basicamente, esse trabalho foi produzido diretamente da cama do hospital, usando uma pequena estação de trabalho portátil. A produção foi extremamente crua. Dilla corta vozes minúsculas e transforma frases em instrumentos rítmicos ou fantasmas emocionais. Além disso, raramente deixa um beat se desenvolver completamente, já que acabam justamente na hora do drop, enquanto os samples de Soul, Funk e Jazz entram numa lógica próxima ao Plunderphonics. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. Enfim, mesmo sendo melancólico, é uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Don't Cry, Time: The Donut Of The Heart, U-Love, Last Donut Of The Night, Workinonit, Lightworks, Welcome To The Show, Anti-American Graffiti, Mash, Gobstopper, Two Can Win, Dilla Says Go, The Diff'rence 
Vale a Pena Ouvir: Hi., One For Ghost, Stepson Of The Clapper, Airworks

The Shining – J Dilla





















NOTA: 9/10


E aí, naquele mesmo ano, foi lançado um trabalho póstumo intitulado The Shining. Após o clássico Donuts, três dias depois do lançamento, J Dilla infelizmente acabou falecendo após sofrer uma parada cardíaca devido às complicações do lúpus e de uma rara doença sanguínea. Então, esse projeto, foi finalizado por colaboradores próximos que ajudaram a concluir e organizar o trabalho. A produção, feita por Dilla com auxílio de Madlib, Karriem Riggins e J. Rocc, foi mais ampla e equilibrada. Os drums continuam sendo o elemento central. O famoso swing torto de Dilla aparece em praticamente todas as faixas: kicks atrasados, snares desalinhados e hi-hats que parecem escapar do grid digital. Os samples de Soul estão sempre presentes, e Dilla volta a rimar aqui em momentos do Neo-Soul, Jazz Rap e Chipmunk Soul. O repertório é muito bom, e as canções vão do atmosférico à reflexão. No fim, é um ótimo disco e um trabalho bastante respeitoso. 

Melhores Faixas: Won't Do, So Far To Go (aparição do D’Angelo), E=MC2, Geek Down, Love Movin' (Black Thought mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Love (ótima feat do Pharoahe Monch), Over The Breaks

Jay Stay Paid – J Dilla





















NOTA: 8/10


Então chegamos em 2009, ano em que foi lançado o verdadeiro último álbum póstumo do J Dilla, o Jay Stay Paid. Após o The Shining, esse trabalho funciona mais como uma compilação cuidadosamente montada a partir de beats, demos, vocais e instrumentais deixados em arquivos. Ele não é necessariamente um disco conceitual, mas sim uma espécie de mosaico da mente musical do Dilla. A produção foi mais crua. O famoso swing deslocado do Dilla aparece constantemente: baterias fora do grid, snares atrasados e grooves que parecem desequilibrados, mas funcionam de forma orgânica. Pequenos fragmentos vocais viram refrões fantasmas, linhas de teclado ganham nova vida e loops mínimos se transformam em atmosferas inteiras, mesmo que alguns deles não tenham saído da forma esperada. O repertório é bom, com canções divertidas e algumas fraquinhas. No fim, é um álbum interessante, mesmo com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Reality TV (Black Thought amassando de novo), CaDILLAc, Fire Wood Drumstix (MF DOOM mandando bem), Smoke, King, 24K Rap (Raekwon e Havoc mandaram bem), Coming Back, Digi Dirt (Danny Brown no comecinho), On Stilts 
Piores Faixas: Make It Fast (Unadulterated Mix), 9th Caller, Mythsysizer, Expensive Whip

 

Analisando Discografias - D'Angelo

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