segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Brian Eno: Parte 6

                 

Foreverandevernomore – Brian Eno





















NOTA: 8,4/10


No ano de 2022, foi lançado mais um disco de Brian Eno, Foreverandevernomore. Após o Reflection, Eno passou a transitar constantemente entre experimentalismo, tecnologia sonora e reflexões socioculturais. Porém, este trabalho expressa um caráter mais direto e tematicamente urgente do que boa parte de sua discografia mais contemplativa, sugerindo uma resposta sensível aos tempos turbulentos do início desta década. A produção é distintamente “enoesca”: rica em camadas, textural e detalhista. O uso de sintetizadores orgânicos, ambientes eletrônicos e manipulações sutis de timbre cria uma tapeçaria sonora que flutua entre o silêncio contemplativo e pulsações rítmicas quase imperceptíveis, além de contar com a presença de vocais, tornando-se assim um trabalho de Ambient Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bastante imersivas. Enfim, é um ótimo disco e um acerto. 

Melhores Faixas: Icarus Or Blériot, Making Gardens Out Of Silence In The Uncanny Valley
Vale a Pena Ouvir: There Were Bells, Inclusion (única instrumental), I'm Hardly Me, We Let It In

Lateral – Brian Eno & Beatie Wolf





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao ano de 2025, quando foi iniciada a trilogia de álbuns com Beatie Wolfe, sendo Lateral o primeiro. Após o Foreverandevernomore, Eno participou de outros projetos, como seu álbum colaborativo com Fred again..., mas conheceu Beatie em 2022, depois que ambos se encontraram durante uma conversa no SXSW sobre “Arte e Clima”, encontro que evoluiu para um projeto musical conjunto voltado à exploração de sentimentos e sensações através do som. Com isso, decidiram desenvolver um trabalho que se aproxima de uma música espacial, focada em múltiplas camadas sensoriais. A produção reflete uma estética ambiente, minimalista e expansiva, contendo texturas densas e etéreas de sintetizadores, drones prolongados, uso de espaço e silêncio como componentes estruturais e transições lentas que evitam rupturas abruptas. A única faixa, dividida em várias partes, apresenta um lado calmo e altamente imersivo. No fim, é um ótimo disco, que aponta para algo promissor. 

Melhor Faixa: Big Empty Country (Day) 
Vale a Pena Ouvir: Big Empty Country (Night)

Luminal – Brian Eno & Beatie Wolf





















NOTA: 7,8/10


Ainda no mesmo dia, foi lançado o 2º álbum colaborativo da dupla, o Luminal, que se mostra mais estruturado. Após o Lateral, essa continuação apresenta um disco com vocais e canções mais bem definidas, frequentemente descrito como “dream music”, uma combinação de atmosferas etéreas, melodias suaves e letras cantadas por Wolfe. A produção é bastante semelhante à do álbum anterior, explorando texturas sonoras e ambientes espaciais, mas incorporando também elementos de Dream Pop e Ambient Pop. O resultado é um trabalho que equilibra melodias acessíveis com ambientes etéreos e introspectivos. Os arranjos combinam sintetizadores leves, guitarras reverberantes, vocais suaves e atmosferas amplas, criando uma sensação constante de flutuação. O repertório é interessante, com canções predominantemente melancólicas, apesar de haver uma faixa que não funciona tão bem. No geral, é um trabalho muito bom e mais contemplativo. 

Melhores Faixas: What We Are, Hopelessly At Ease, A Ceiling And A Lifeboat, And Live Again
Pior Faixa: Shhh

Liminal – Brian Eno & Beatie Wolf





















NOTA: 7,1/10


Aí, no mês de outubro, foi lançado o álbum que encerra essa trilogia intitulado Liminal. Após o Luminal, eles quiseram que esse último trabalho fosse bem mais sombrio, ocupando um território entre os dois, um espaço liminar, híbrido e evocativo de fronteiras e ambiguidade. O título Liminal já indica essa ideia de transição: algo que está na borda, no limiar entre estados ou mundos. A produção foi pensada como um espaço emocional e sensorial, onde texturas, vozes e ritmos dialogam de maneira fluida e ambígua. Misturando sintetizadores etéreos, pads orgânicos, ambiências eletrônicas e, em alguns momentos, vocais que funcionam tanto como narrativa quanto como textura, só que o problema é que tem muita coisa que ficou confusa, já que há momentos em que não havia necessidade de colocar vocais ou reverbs. O repertório é até legal, tem boas canções e outras fraquinhas. No fim, é um disco bom, mas que mostrou que essa trilogia acabou sendo uma decepção. 

Melhores Faixas: Ringing Ocean, Corona, Procession, Shallow Form 
Piores Faixas: Before Life, The Last To Know, Flower Women

 

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