Music For Films – Brian Eno
NOTA: 8,1/10
Ainda naquele mesmo ano, foi lançado mais um trabalho solo de Brian Eno, o Music For Films. Após o After The Heat, com Moebius e Roedelius, Eno estava explorando modos de composição que fugiam ao formato tradicional de canção, focando em texturas, atmosferas e sugestões narrativas mais do que em melodias ou estruturas formais. Esse título é propositalmente ambíguo: não se tratava de trilhas sonoras compostas para filmes específicos, mas de peças que evocam cenas, cenários e emoções cinematográficas. A produção, feita por ele próprio, é bem típica de sua abordagem, privilegiando o som como ambiente e textura. As peças foram construídas majoritariamente em estúdio, com equipamentos eletrônicos da época, além do uso de pianos e guitarras tratadas. O repertório, no geral, é bastante extenso, e as composições variam entre um lado melancólico, denso e meditativo. No fim, é um trabalho interessante, que funciona como um conceito de ideias.
Melhores Faixas: Slow Water, M386, Quartz
Vale a Pena Ouvir: From The Same Hill, Sparrowfall (2), Strange Light, Alternative 3
Ambient 1 (Music For Airports) – Brian Eno
NOTA: 10/10
Entrando em 1979, foi lançado o 1º álbum da saga Ambient, o Music For Airports. Após o Music For Films, Eno decidiu fazer um trabalho que não só inaugura oficialmente o termo “Ambient” como conceito estético e funcional, mas também redefine o papel da música como elemento arquitetônico, psicológico e social. A gênese do álbum nasce de uma experiência cotidiana: Eno relata ter estado em um aeroporto e percebido como a música ambiente normalmente usada nesses espaços era invasiva, irritante ou emocionalmente manipuladora. A produção é radical em sua simplicidade aparente e complexa em sua execução, sendo construída a partir de loops de fita com durações diferentes, contendo fragmentos de piano, vozes femininas processadas e sintetizadores suaves, gerando uma sensação de suspensão contínua, como se o tempo estivesse em estado de espera. O repertório contém 4 faixas, todas de caráter relaxante. No fim, é outro álbum fantástico e mais um clássico.
Melhores Faixas: 1/1, 2/2
Vale a Pena Ouvir: 2/1, 1/2
Ambient 2 (The Plateaux Of Mirror) – Harold Budd / Brian Eno
NOTA: 9,8/10
Melhores Faixas: First Light, The Plateaux Of Mirror, Wind In Lonely Fences, Not Yet Remembered
Vale a Pena Ouvir: Among Fields Of Crystal, Steal Away
Ambient 4 (On Land) – Brian Eno
NOTA: 9,9/10
Então chegamos à finalização dessa série com Ambient 4 (On Land), e antes que você me pergunte sobre o 3, eu explico: após o lançamento do Ambient 2, a continuação foi lançada, só que sendo composta por Laraaji, com Brian Eno produzindo tudo (e quando eu tiver vontade, eu falo). Para essa finalização, Eno decide levar o conceito de música ambiente para um território muito mais terroso, sombrio e psicológico, voltando esse projeto para paisagens mentais ligadas à memória, à geografia e ao inconsciente. A produção foi bem mais radical, sendo construída a partir de camadas densas de sons processados, gravações tratadas, ruídos ambientais e fragmentos instrumentais quase irreconhecíveis. Os sons se sobrepõem como camadas de vegetação, lama, vento e ecos distantes, fazendo do disco quase um álbum de Dark Ambient. O repertório é incrível, e as composições são sombrias e ligadas à natureza. Enfim, é um baita disco e um ótimo fechamento de ciclo.
Melhores Faixas: Lizard Point, The Lost Day, Dunwich Beach, Autumn, 1960, A Clearing
Vale a Pena Ouvir: Unfamiliar Wind, Tal Coat
Apollo - Atmospheres & Soundtracks – Brian Eno
NOTA: 9,9/10
Chega em 1983, e foi lançado outro disco excepcional do Brian Eno, intitulado Apollo – Atmospheres & Soundtracks. Após o Ambient 4 (On Land), esse trabalho nasceu de um contexto muito específico dentro da trajetória de Brian Eno: a encomenda de uma trilha sonora para o documentário For All Mankind, que utilizava imagens oficiais das missões Apollo da NASA. Só que Eno não ficou só na dimensão heroica, e sim no aspecto contemplativo, silencioso e quase metafísico da exploração espacial, além de contar com a ajuda de Daniel Lanois e de seu irmão, Roger Eno. A produção é mais técnica, já que Apollo não é apenas atmosférico, mas cinematográfico no sentido mais profundo: cada faixa parece pensada para dialogar com imagens específicas, com guitarras tratadas e sintetizadores densos, sendo basicamente um exemplo de Space Ambient. O repertório é sensacional, e as composições são bastante imersivas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico.
Melhores Faixas: An Ending (Ascent), Deep Blue Day, Signals, Always Returning, Under Stars Vale a Pena Ouvir: Stars, Silver Morning, Weightless
Então é isso, um abraço e flw!!!




