Music For Films Volume 2 – Brian Eno
NOTA: 7,2/10
Meses se passaram, e foi lançado o volume 2 de Music for Films, que não trouxe tantas mudanças. Após o Apollo – Atmospheres & Soundtracks, Eno decidiu retornar com essa série de Music for Films, iniciada em 1978, na qual ele enxerga essas composições como “paisagens sonoras”: fragmentos evocativos que podem sugerir narrativas e atmosferas sem necessariamente contar histórias lineares. A produção seguiu por um caminho ainda mais atmosférico, sendo mais fluida, evitando marcações rítmicas convencionais e abraçando transições suaves. O som é espacial, com uso inteligente de reverberações, delays e texturas ambientais que favorecem a percepção tridimensional. Ainda assim, ele começa a se perder quando vai para um lado mais cinematográfico, em vez de seguir uma estética mais elaborada. O repertório é interessante, com boas canções, apesar de conter algumas faixas mais fracas. No fim, é um disco legal, mas que poderia ter sido mais dinâmico.
Melhores Faixas: Approaching Taidu, Roman Twilight, Climate Study, Always Returning II, The Secret Place Piores Faixas: Signals, An Ending, Under Stars
The Pearl – Harold Budd / Brian Eno
NOTA: 9,9/10
Indo para 1984, foi lançado mais um trabalho de Brian Eno junto com Harold Budd, o The Pearl. Após o Music for Films Volume 2, esse trabalho surge como uma sequência estética e conceitual da colaboração anterior entre os dois em The Plateaux of Mirror, parte da série Ambient 2. Enquanto Plateaux explorava superfícies reflexivas e texturas suspensas, The Pearl afunila essas ideias ainda mais: trata-se de um diálogo elegante entre piano, sintetizadores, timbres tratados, eco e silêncio, desenhando um universo sonoro no qual cada nota parece pairar no ar antes de desaparecer suavemente. A produção, feita por Eno em parceria com Daniel Lanois, gira inteiramente em torno de textura, espaço e ressonância. A principal estratégia de produção é criar um ambiente em que sons orgânicos e eletrônicos convergem para formar uma continuidade sonora quase sem costura. O repertório é incrível, e as canções seguem por um caminho suave e meditativo. No fim, é um belo disco, muito relaxante.
Melhores Faixas: Against The Sky, A Stream With Bright Fish, Foreshadowed, Late October, Still Return Vale a Pena Ouvir: The Pearl, An Echo Of Night, Lost In The Humming Air
Thursday Afternoon – Brian Eno
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Brian Eno, o elaboradíssimo Thursday Afternoon. Após o The Pearl, Eno já estava envolvido com novas tecnologias de gravação digital, som processado e música generativa. Ele vinha pensando a música não apenas como composição linear, mas como sistemas capazes de produzir eventos sonoros com autonomia própria, aproximando-se do território das instalações artísticas e da música para ambientes arquitetônicos. Assim, a produção se tornou um estudo profundo em textura, tempo suspenso e harmonia dilatada. O foco está na manipulação extremamente cuidadosa de timbres eletrônicos e gravações de piano tratadas, utilizando reverberações, delays, envelopes e filtros que fazem com que cada som pareça flutuar em um espaço acústico indefinido. A única faixa do disco, com 60 minutos de duração, varia entre momentos lentos e passagens mais graves. Enfim, é um trabalho interessante, ainda mais meditativo.
Melhor Faixa: Thursday Afternoon (melhor parte é 20 aos 40 minutos)
Pior Faixa: (...)
Nerve Net – Brian Eno
NOTA: 8/10
Entrando em 1992, foi lançado mais um trabalho de Brian Eno, o estranho Nerve Net. Após o Thursday Afternoon, Eno voltou a direcionar seu olhar para territórios mais rítmicos, eletrônicos e texturizados, sem deixar de lado sua obsessão por paisagens sonoras e experimentação. No início dos anos 1990, a música eletrônica estava em expansão, e as tecnologias digitais, tornaram-se acessíveis de novas maneiras. A produção funciona basicamente como um laboratório de sons. Eno cria texturas híbridas em que ritmos fragmentados, loops instáveis, ruídos, samples processados, sintetizadores e guitarras tratadas se combinam para formar paisagens sonoras que surgem, desaparecem, colidem e se metamorfoseiam, além de incorporar influências de Art Pop e de subgêneros que ganhavam espaço, como Downtempo e Breakbeat. O repertório é bem interessante, e as canções têm uma pegada futurista. No geral, é um ótimo disco e bastante subestimado.
Melhores Faixas: My Squelchy Life, The Roil, The Choke
Vale a Pena Ouvir: Ali Click, Wire Shock, Web (Lascaux Mix)
Neroli – Brian Eno
NOTA: 5/10
Aí, mais um ano se passou e outro projeto bastante ousado foi lançado, intitulado Neroli. Após o Nerve Net, Eno estava profundamente envolvido com ideias ligadas à música generativa, instalações sonoras, percepção do tempo e estados mentais induzidos pelo som. Com isso, ele decidiu conceber esse álbum como uma experiência sonora quase aromática, algo que age lentamente sobre o estado psicológico do ouvinte. A produção é totalmente minimalista. Eno constrói o álbum a partir de camadas eletrônicas muito suaves, quase imóveis, sustentadas por longas durações e microvariações quase imperceptíveis. Os timbres são construídos com sons macios, porém tudo soa muito arrastado, já que essas texturas quase não se variam, e a ausência de ritmos mais sólidos pesa bastante na imersão. A única faixa do disco acaba sendo bem mediana, pois permanece no mesmo andamento por cerca de 50 minutos. Enfim, é um trabalho fraco e bem esquecível.
Melhor Faixa: (...)
Pior Faixa: Neroli (só empolga nos primeiros minutos)
Por hoje é só, então flw!!!




