These Foolish Things – Bryan Ferry
NOTA: 8/10
Voltando a 1973, Bryan Ferry, ainda integrando o Roxy Music, lançava seu 1º trabalho solo, o These Foolish Things. Após o lançamento do For Your Pleasure, Ferry sentiu a necessidade de se expressar fora do formato que a banda vinha adotando. Mais do que uma pausa criativa, esse disco solo nasce como uma afirmação de identidade: Bryan Ferry queria mostrar seu fascínio por canções clássicas, standards, Soul, Pop sessentista e Rock tradicional. A produção, conduzida pelo próprio cantor ao lado de John Porter e John Punter, deixou o som deliberadamente elegante, mas nunca excessivamente polido. Há uma crueza do Glam Rock, especialmente nas guitarras e nos arranjos mais diretos, que impede o disco de soar como um simples álbum de covers nostálgico. Além disso, há algumas influências do Blue-Eyed Soul. O repertório, como já mencionado, é inteiramente composto por covers, e todos eles são bem interpretados. Enfim, é um trabalho legal, apesar de ser um pouco tímido.
Melhores Faixas: You Won't See Me (Beatles), Baby I Don't Care (Elvis Presley)
Vale a Pena Ouvir: A Hard Rain's A-Gonna Fall (Bob Dylan), The Tracks Of My Tears (The Miracles), Don't Worry Baby (Beach Boys)
Another Time, Another Place – Bryan Ferry
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado seu 2º disco solo, o Another Time, Another Place, que seguiu o mesmo caminho. Após o These Foolish Things, ele decidiu que essa quase continuação assumisse uma perspectiva mais consciente, refinada e, sobretudo, confiante. Se o primeiro álbum funcionava como uma espécie de manifesto estético, este segundo trabalho surge como a confirmação definitiva de que a carreira paralela de Ferry não era um capricho momentâneo, mas uma extensão legítima e necessária de sua visão artística. A produção, feita por ele com a ajuda apenas de John Punter, apresenta um som cuidadosamente equilibrado: os arranjos são ricos, mas jamais excessivos, permitindo que cada instrumento respire e que a voz ocupe o centro emocional das canções. Há um claro predomínio de climas noturnos, suaves e melancólicos. O repertório ficou bem legal, com as faixas sendo bem interpretadas e intimistas. No fim, é um trabalho interessante e mais confiante.
Melhores Faixas: (What A) Wonderful World (Sam Cooke), Smoke Gets In Your Eyes (Jerome Kern & Otto Harbach)
Vale a Pena Ouvir: You Are My Sunshine (Jimmie Davis & Charles Mitchell), It Ain't Me Babe (Bob Dylan), Another Time, Another Place
Let's Stick Together – Bryan Ferry
NOTA: 7,4/10
Melhores Faixas: Let's Stick Together (Wilbert Harrison), The Price Of Love (The Everly Brothers), It's Only Love (Beatles), Casanova (regravação), Heart On My Sleeve (Gallagher and Lyle)
Piores Faixas: Chance Meeting, Re-Make / Re-Model (duas regravações fraquíssimas)
In Your Mind – Bryan Ferry
NOTA: 8/10
Mais um ano se passa, e Bryan Ferry lançava seu 4º álbum intitulado In Your Mind. Após o Let’s Stick Together, Ferry sente a necessidade de provar que sua identidade criativa não dependia apenas da curadoria refinada de canções alheias. Esse disco nasce, portanto, como um gesto de autonomia e afirmação, não buscando mais o diálogo direto com o passado da música popular, mas sim a consolidação de uma linguagem própria, situada entre o Art Rock, o Pop sofisticado e a sensualidade urbana do fim dos anos 70. A produção, feita pelo cantor junto com Steve Nye, deixou o som mais contemporâneo, mais agressivo e mais elétrico do que em seus trabalhos solo anteriores, com guitarras proeminentes, linhas de baixo marcantes e baterias secas e diretas. Só que não é excessivamente polido, preservando uma aspereza emocional que combina com o conteúdo lírico. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco e que mostrou algo promissor.
Melhores Faixas: Tokyo Joe, This Is Tomorrow
Vale a Pena Ouvir: Rock Of Ages, One Kiss, In Your Mind
The Bride Stripped Bare – Bryan Ferry
NOTA: 8,2/10
Outro ano se passa, e mais um trabalho novo é lançado, o The Bride Stripped Bare. Após o In Your Mind, Bryan Ferry vivia um período de ruptura pessoal profunda, especialmente o fim traumático de seu relacionamento com Jerry Hall, que tempos depois viria a se casar com Mick Jagger (eita momento Malhação, hein!), o que coincidiu com um momento de instabilidade criativa e existencial. Com o Roxy Music em hiato, ele decidiu fazer esse projeto, que funciona como um diário emocional, no qual o glamour dá lugar à vulnerabilidade e à melancolia crua. A produção foi diversificada, contando com Waddy Wachtel, Rick Marotta, Simon Puxley e Steve Nye, que optaram por uma abordagem esparsa e frequentemente minimalista. Os arranjos são contidos, com grande destaque para piano, guitarras discretas, linhas de baixo suaves e intervenções ocasionais de cordas. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. No fim, é um disco legal e bastante honesto.
Melhores Faixas: Can't Let Go, Take Me To The River
Vale a Pena Ouvir: Sign Of The Times, That's How Strong My Love Is, Hold On (I'm Coming)
Por hoje é só, então flw!!!




