sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Bryan Ferry: Parte 1

                 

These Foolish Things – Bryan Ferry





















NOTA: 8/10


Voltando a 1973, Bryan Ferry, ainda integrando o Roxy Music, lançava seu 1º trabalho solo, o These Foolish Things. Após o lançamento do For Your Pleasure, Ferry sentiu a necessidade de se expressar fora do formato que a banda vinha adotando. Mais do que uma pausa criativa, esse disco solo nasce como uma afirmação de identidade: Bryan Ferry queria mostrar seu fascínio por canções clássicas, standards, Soul, Pop sessentista e Rock tradicional. A produção, conduzida pelo próprio cantor ao lado de John Porter e John Punter, deixou o som deliberadamente elegante, mas nunca excessivamente polido. Há uma crueza do Glam Rock, especialmente nas guitarras e nos arranjos mais diretos, que impede o disco de soar como um simples álbum de covers nostálgico. Além disso, há algumas influências do Blue-Eyed Soul. O repertório, como já mencionado, é inteiramente composto por covers, e todos eles são bem interpretados. Enfim, é um trabalho legal, apesar de ser um pouco tímido. 

Melhores Faixas: You Won't See Me (Beatles), Baby I Don't Care (Elvis Presley) 
Vale a Pena Ouvir: A Hard Rain's A-Gonna Fall (Bob Dylan), The Tracks Of My Tears (The Miracles), Don't Worry Baby (Beach Boys)

Another Time, Another Place – Bryan Ferry





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado seu 2º disco solo, o Another Time, Another Place, que seguiu o mesmo caminho. Após o These Foolish Things, ele decidiu que essa quase continuação assumisse uma perspectiva mais consciente, refinada e, sobretudo, confiante. Se o primeiro álbum funcionava como uma espécie de manifesto estético, este segundo trabalho surge como a confirmação definitiva de que a carreira paralela de Ferry não era um capricho momentâneo, mas uma extensão legítima e necessária de sua visão artística. A produção, feita por ele com a ajuda apenas de John Punter, apresenta um som cuidadosamente equilibrado: os arranjos são ricos, mas jamais excessivos, permitindo que cada instrumento respire e que a voz ocupe o centro emocional das canções. Há um claro predomínio de climas noturnos, suaves e melancólicos. O repertório ficou bem legal, com as faixas sendo bem interpretadas e intimistas. No fim, é um trabalho interessante e mais confiante. 

Melhores Faixas: (What A) Wonderful World (Sam Cooke), Smoke Gets In Your Eyes (Jerome Kern & Otto Harbach) 
Vale a Pena Ouvir: You Are My Sunshine (Jimmie Davis & Charles Mitchell), It Ain't Me Babe (Bob Dylan), Another Time, Another Place

Let's Stick Together – Bryan Ferry





















NOTA: 7,4/10


Dois anos se passaram, e Bryan Ferry lançava mais um trabalho, o Let’s Stick Together, que apresentou algumas mudanças. Após o Another Time, Another Place, que funcionou como um exercício de identidade, este álbum surge em um contexto mais fragmentado, já que ele vivia um período intenso com o Roxy Music e sua carreira solo começava a ganhar mais visibilidade. Com isso, ele decidiu compilar muitas das faixas já gravadas e direcioná-las para o mercado americano. A produção, feita por Chris Thomas junto com o cantor, é mais polida e vibrante, apostando em arranjos mais rítmicos, com forte presença de baixo, guitarras funkeadas e baterias mais incisivas. O resultado é um disco que flerta com Soul, R&B e Rock de forma mais explícita, sem perder o verniz sofisticado que caracteriza sua obra. O repertório é até interessante, com canções bem interpretadas e outras que não ficaram tão boas. Mas, no geral, é um trabalho legal, embora precisasse de mudanças. 

Melhores Faixas: Let's Stick Together (Wilbert Harrison), The Price Of Love (The Everly Brothers), It's Only Love (Beatles), Casanova (regravação), Heart On My Sleeve (Gallagher and Lyle) 
Piores Faixas: Chance Meeting, Re-Make / Re-Model (duas regravações fraquíssimas)

In Your Mind – Bryan Ferry





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passa, e Bryan Ferry lançava seu 4º álbum intitulado In Your Mind. Após o Let’s Stick Together, Ferry sente a necessidade de provar que sua identidade criativa não dependia apenas da curadoria refinada de canções alheias. Esse disco nasce, portanto, como um gesto de autonomia e afirmação, não buscando mais o diálogo direto com o passado da música popular, mas sim a consolidação de uma linguagem própria, situada entre o Art Rock, o Pop sofisticado e a sensualidade urbana do fim dos anos 70. A produção, feita pelo cantor junto com Steve Nye, deixou o som mais contemporâneo, mais agressivo e mais elétrico do que em seus trabalhos solo anteriores, com guitarras proeminentes, linhas de baixo marcantes e baterias secas e diretas. Só que não é excessivamente polido, preservando uma aspereza emocional que combina com o conteúdo lírico. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco e que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Tokyo Joe, This Is Tomorrow 
Vale a Pena Ouvir: Rock Of Ages, One Kiss, In Your Mind

The Bride Stripped Bare – Bryan Ferry





















NOTA: 8,2/10


Outro ano se passa, e mais um trabalho novo é lançado, o The Bride Stripped Bare. Após o In Your Mind, Bryan Ferry vivia um período de ruptura pessoal profunda, especialmente o fim traumático de seu relacionamento com Jerry Hall, que tempos depois viria a se casar com Mick Jagger (eita momento Malhação, hein!), o que coincidiu com um momento de instabilidade criativa e existencial. Com o Roxy Music em hiato, ele decidiu fazer esse projeto, que funciona como um diário emocional, no qual o glamour dá lugar à vulnerabilidade e à melancolia crua. A produção foi diversificada, contando com Waddy Wachtel, Rick Marotta, Simon Puxley e Steve Nye, que optaram por uma abordagem esparsa e frequentemente minimalista. Os arranjos são contidos, com grande destaque para piano, guitarras discretas, linhas de baixo suaves e intervenções ocasionais de cordas. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. No fim, é um disco legal e bastante honesto. 

Melhores Faixas: Can't Let Go, Take Me To The River 
Vale a Pena Ouvir: Sign Of The Times, That's How Strong My Love Is, Hold On (I'm Coming)


       Por hoje é só, então flw!!!      

Analisando Discografias - John Newman

                   Tribute – John Newman NOTA: 8/10 Voltando agora para 2013, foi lançado o álbum de estreia do John Newman, o Tribute. A tr...