sábado, 20 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Bryan Ferry: Parte 2

                 

Boys And Girls – Bryan Ferry





















NOTA: 10/10


Indo para 1985, Bryan Ferry retorna à sua carreira solo lançando o excepcional Boys and Girls. Após o The Bride Stripped Bare, o cantor acabou focando seu tempo no Roxy Music, que encerrou suas atividades em 1983. Com isso, ele volta aos projetos solo meio que aperfeiçoando um estilo próprio de glamour sonoro, no qual ritmo, texturas e desejo se combinam de forma quase cinematográfica. A produção, conduzida por ele junto com Rhett Davies, apresenta um acabamento extremamente cuidadoso: camadas de sintetizadores, batidas eletrônicas e uma atenção meticulosa à atmosfera sonora. O som do álbum é tipicamente “anos 80”, mas com um senso de atemporalidade elegante que evita muitas das armadilhas sonoras datadas da década, sendo uma junção de New Wave e Pop sofisticado. O repertório é sensacional, praticamente uma coletânea. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Sensation, Slave To Love, Windswept, Don't Stop The Dance, Stone Woman 
Vale a Pena Ouvir: Valentine, The Chosen One

Bête Noire – Bryan Ferry





















NOTA: 9,2/10


Dois anos depois, foi lançado seu 7º álbum de estúdio, o Bête Noire, que seguiu um caminho diferente. Após o clássico Boys and Girls, Bryan Ferry se encontrava numa posição confortável: havia alcançado seu auge como artista solo, com forte presença nas paradas, nos videoclipes da MTV e no imaginário do Pop sofisticado dos anos 80. Só que ele quis fazer um disco mais nervoso, fragmentado e urbano, refletindo uma Europa em transformação, marcada por tensões políticas, terrorismo, paranoia midiática e uma crescente sensação de alienação moderna. A produção foi feita por ele junto com Chester Kamen e Patrick Leonard, que apostaram em uma sonoridade mais seca, com sintetizadores frios, texturas digitais, drum machines rígidas e arranjos menos expansivos, além de influências de Art Pop e até flertando com o Adult Contemporary. O repertório é incrível, e as canções são bem sentimentais e atmosféricas. No fim, é um belo disco e foi mais direto. 

Melhores Faixas: Kiss And Tell, Limbo, The Right Stuff, Bête Noire 
Vale a Pena Ouvir: The Name Of The Game, New Town

Taxi – Bryan Ferry





















NOTA: 8,8/10


Pulando para 1993, Bryan Ferry retornava com mais um trabalho novo intitulado Taxi. Após o Bête Noire, Ferry decide revisitar o passado, só que de forma até recente, fazendo um álbum de regravações seletivas, no qual ele revisita composições de sua trajetória sob uma nova luz estética. Há também um elemento estratégico: no início dos anos 90, Ferry já não era uma figura central no Pop contemporâneo, mas mantinha prestígio artístico. A produção, feita junto com o guitarrista Robin Trower, aposta em um som luxuoso, atmosférico e profundamente polido, com mais estrutura Pop e menos dissolução ambiental. Os arranjos são amplos, com uso intenso de cordas cinematográficas, guitarras processadas, teclados envolventes e batidas discretas, sempre evitando qualquer agressividade. O repertório é muito bom, e as canções são bem interpretadas com sua voz delicada. No final, é um trabalho bacana que mostrou um lado maduro. 

Melhores Faixas: Will You Love Me Tomorrow (The Shirelles), Amazing Grace (John Newton), Just One Look (Doris Troy) 
Vale a Pena Ouvir: I Put A Spell On You (Screamin' Jay Hawkins), Recuse Me (Fontella Bass), All Tomorrow's Parties (Lou Reed)

Mamouna – Bryan Ferry





















NOTA: 8,3/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo de Bryan Ferry, o Mamouna (com essa capa que parece um quadro da sala do seu tio). Após o Taxi, ele decidiu fazer um disco deliberadamente deslocado de seu tempo. Ferry não tenta dialogar com as tendências dos anos 90; ao contrário, aprofunda ainda mais sua busca por uma música atemporal, introspectiva e emocionalmente ambígua. A produção foi relativamente a mesma, trazendo uma sonoridade etérea, espaçosa e profundamente atmosférica. Há uma clara valorização do silêncio, das pausas e das texturas sutis, criando uma sensação de suspensão temporal. Os arranjos misturam elementos orgânicos e eletrônicos de forma delicada, com guitarras processadas, teclados ambientais, percussões discretas, linhas de baixo submersas na mixagem e vocais tratados. O repertório é muito legal, e as canções são bem sentimentalistas. Enfim, é um trabalho interessante e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Your Painted Smile, Which Way To Turn 
Vale a Pena Ouvir: The 39 Steps, Don't Want To Know, Gemini Moon

As Time Goes By – Bryan Ferry





















NOTA: 9/10


Chegando ao fim dos anos 90, foi lançado o 10º álbum de Bryan Ferry, o elegante As Time Goes By. Após o Mamouna, ele decidiu fazer um trabalho não autoral, mas sim um projeto integralmente dedicado ao cancioneiro clássico do Jazz, do musical e do chamado “Great American Songbook”, reunindo composições das décadas de 20, 30 e 40. Com isso, posiciona-se como um intérprete clássico, quase um crooner moderno, reafirmando sua identidade como alguém fora do tempo presente. A produção foi feita novamente por ele junto com Rhett Davies e aposta em uma abordagem luxuosa e deliberadamente tradicional, ainda que filtrada por uma sensibilidade contemporânea. Os arranjos são dominados por orquestrações elegantes, com cordas exuberantes, metais suaves, piano acústico e percussões discretas. O repertório é maravilhoso, e as canções são interpretadas de forma suave e intimista. Em suma, é um baita disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: As Time Goes By, You Do Something To Me, Falling In Love Again, Miss Otis Regrets, Where Or When, Just One Of Those Things 
Vale a Pena Ouvir: Lover Come Back To Me, I'm In The Mood For Love, Easy Living, September Song


                Bom é isso e flw!!!     

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