terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Ken Hensley: Parte 2

                 

Free Spirit – Ken Hensley





















NOTA: 8/10


Em 1981, foi lançado o 3º álbum solo do Ken Hensley, intitulado Free Spirit, que apresentou uma sonoridade mais moderna. Após o lançamento de Eager to Please e depois de sair do Uriah Heep, Hensley tenta uma afirmação mais direta de sua identidade artística individual, em um momento em que transita entre as influências do rock setentista e melodias pop. A produção, conduzida por ele próprio junto com John Gallen, aposta em uma sonoridade orgânica e crua, com menos pomposidade do Rock progressivo ou arranjos densos, e maior ênfase em melodias diretas, guitarras limpas e estruturas que dialogam com o AOR do início dos anos 80. Conta ainda com uma ótima banda de apoio, que constrói uma base muito sólida para que cada faixa tenha uma instrumentação variada e coerente com esse clima mais intimista. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e divertidas. No fim, é um ótimo disco e que vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Brown Eyed Boy, No More 
Vale a Pena Ouvir: Telephone, New Routine, Do You Feel Alright

A Glimpse Of Glory – Ken Hensley





















NOTA: 6/10


Pulando para 1999, Ken Hensley retorna depois de muito tempo com um novo disco, A Glimpse of Glory. Após o Free Spirit e depois de focar em outros projetos após sua saída do Uriah Heep, ele decidiu retornar com um álbum que reflete uma fase de intensa reflexão pessoal, espiritualidade e relação com temas de fé, elementos presentes nas letras e no clima geral da obra. A produção, feita pelo próprio Hensley, mistura Rock tradicional com influências da música cristã e elementos que evocam espiritualidade, sem exagerar nos arranjos elaborados. Há um equilíbrio entre momentos mais introspectivos e outros com uma pegada mais direta, o que é um ponto alto, principalmente pela banda de apoio competente; o problema é que há muita coisa arrastada e momentos que soam bastante clichês. O repertório é irregular, com boas canções, mas também outras bem chatinhas. No fim, é um disco mediano e que acabou sendo uma tentativa errada. 

Melhores Faixas: It's Up To You, The Joy Of Knowing Jesus, Moving In, The Cost Of Loving
Piores Faixas: The Return, Think Twice, Guard Your Heart, One Tender Moment

Running Blind – Ken Hensley





















NOTA: 3/10


Três anos depois, foi lançado outro disco bem fraco de Ken Hensley, o Running Blind. Após A Glimpse of Glory, ele decidiu voltar a fazer um trabalho com uma sonoridade mais voltada ao Hard Rock clássico. A ideia foi criar um álbum que trouxesse uma nova camada ao seu repertório, com letras mais sombrias e introspectivas, além de um clima mais melancólico e reflexivo, marcando a transição de um artista em busca de uma nova forma de se expressar artisticamente. A produção é mais intimista e orgânica, flertando com o Hard Rock e até com algumas influências de AOR; há um toque melódico, mas também uma pegada mais densa, com ênfase nos arranjos de guitarra, só que com muita coisa excessiva, o que acaba tornando o disco completamente tedioso. O repertório é muito fraco, e as canções são chatíssimas, com poucas se salvando. No fim, é um disco ruim e bastante cansativo. 

Melhores Faixas: Free Spirit, Final Solution, Little Piece Of Me - Julia's Song 
Piores Faixas: Tell Me, Out Of My Control, It's Up To You, I Close My Eyes

Blood On The Highway – Ken Hensley





















NOTA: 8,1/10


Em 2007, Ken Hensley decidiu retornar com mais um trabalho solo, o Blood on the Highway. Após o Running Blind, ele optou por fazer um álbum no formato de uma Ópera-Rock, que basicamente aborda toda a sua trajetória, ou seja, um disco autobiográfico, no qual são narradas partes de sua história musical e pessoal: os sonhos e as lutas de um músico que busca o sucesso, enfrenta tentações e provações e, por fim, olha para trás com reflexão e honestidade. A produção segue a linha de sempre, trazendo uma sonoridade orgânica, com poucos elementos eletrônicos, uso de cordas reais em alguns momentos e foco nas performances instrumentais e vocais; além disso, há guitarras melódicas e órgão Hammond, tudo isso transitando pelo Hard Rock característico do Hensley e até com influências da música Americana. O repertório é muito bom, e as canções são profundas, além das ótimas participações de outros cantores. Em suma, é um trabalho muito bom e bastante emocional. 

Melhores Faixas: I Did It All, Okay (This House Is Down), You've Got It (Jørn Lande aparece maior parte das vezes) 
Vale a Pena Ouvir: We're On Our Way, There Comes A Time, What You Gonna Do (Glenn Hughes marcando presença)

My Book Of Answers – Ken Hensley





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2021, quando foi lançado seu último trabalho de forma póstuma, o My Book of Answers. Após o Blood on the Highway, Hensley passou seus últimos anos focado em outros projetos e apresentações esporádicas e, infelizmente, em 2020 ele viria a falecer na cidade de Agost, na Comunidade Valenciana, onde morava havia algum tempo. Esse projeto só foi possível porque resgataram um material feito em parceria com um fã russo, Vladimir Emelin, que lhe enviou poemas após um encontro casual em um aeroporto, em 2018. A produção foi feita pelo próprio Hensley e gravada de forma remota: instrumentos, vocais e overdubs foram registrados em estúdios e casas diferentes, com troca de arquivos digitais entre músicos e técnicos, e tudo foi bem mixado, resultando em um som quente e com aquele Hard Rock dinâmico característico. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e profundas. No fim, é um disco de despedida decente e honroso. 

Melhores Faixas: Light The Fire (In My Heart), The Cold Sacrifice 
Vale a Pena Ouvir: Stand (Chase The Beast Away), Suddenly, Lost (My Guardian)

                                                                     Então é isso, um abraço e flw!!!               

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