sábado, 14 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 2

                 

Bitter Tears - Ballads Of The American Indian – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e Johnny Cash lançava mais um disco intitulado Bitter Tears - Ballads of the American Indian. Após o I Walk the Line, seu interesse se volta especificamente para os povos indígenas dos Estados Unidos. Grande parte do repertório do álbum foi escrita pelo cantor e compositor indígena Peter La Farge, cuja obra explorava temas históricos e culturais ligados às experiências dos povos nativos americanos. A produção, feita como sempre por Don Law e Frank Jones, é bem simplista, e aquele estilo rítmico minimalista continua sendo uma base importante para o som do álbum. No entanto, o disco também incorpora alguns elementos adicionais que ajudam a reforçar o caráter narrativo das músicas, indo do Country e Folk até um pouco de Blues, que se encaixam com os vocais graves e, às vezes, falados de Cash. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e suaves. No fim, é um disco bacana e bem subestimado. 

Melhores Faixas: The Ballad Of Ira Hayes, White Girl 
Vale a Pena Ouvir: As Long As The Grass Shall Grow, Custer

Orange Blossom Special – Johnny Cash





















NOTA: 9,3/10


Entrando no ano seguinte, foi lançado mais um álbum do cantor, o Orange Blossom Special. Após o Bitter Tears, o cenário musical estava sendo profundamente impactado pela ascensão do Folk e pelo crescimento da música de protesto, enquanto o Rock também passava por uma rápida evolução. Cash sempre manteve uma postura aberta em relação a diferentes estilos musicais, e com isso decidiu fazer um trabalho que juntasse tudo pelo que ele já tinha passado antes com elementos novos. A produção foi bem mais variada, apresentando um leque instrumental um pouco mais amplo. Algumas faixas incluem elementos típicos do Folk e do Country, além de arranjos mais elaborados que ajudam a diferenciar as músicas entre si. Com isso, os vocais graves de Cash ficam no centro e deixam tudo bastante eficiente. O repertório é incrível, e as canções são bem intimistas e divertidas. No fim, é um belo trabalho e bastante preciso. 

Melhores Faixas: The Long Black Veil, Orange Blossom Special, Don't Think Twice, It's All Right, Danny Boy, It Ain't Me, Babe 
Vale a Pena Ouvir: The Wall, Wildwood Flower, When It's Springtime In Alaska (It's Forty Below)

Johnny Cash Sings The Ballads Of The True West – Johnny Cash





















NOTA: 8,3/10


E aí, alguns meses se passaram e foi lançado um álbum ainda mais ambicioso, Johnny Cash Sings the Ballads of the True West. Após o Orange Blossom Special, ficava claro que ele estava interessado em usar o formato do LP para contar histórias mais amplas. Esse álbum leva essa ideia ainda mais longe, estruturando-se quase como um documentário musical sobre a expansão para o Oeste, reunindo tanto composições originais quanto adaptações de canções tradicionais associadas ao imaginário do Velho Oeste. A produção foi aquela de sempre, trazendo uma sonoridade suave e utilizando arranjos que combinam elementos do Country tradicional com influências do Folk e do Western. Instrumentalmente, o álbum utiliza guitarras acústicas, violões e ocasionalmente instrumentos adicionais que ajudam a construir a ambientação do Velho Oeste. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um ótimo álbum e bem consistente. 

Melhores Faixas: Bury Me Not On The Lone Prairie, The Streets Of Laredo, The Ballad Of Boot Hill, 25 Minutes To Go, The Road To Kaintuck, Green Grow The Lilacs 
Vale a Pena Ouvir: Johnny Reb, Sweet Betsy From Pike, The Blizzard, Hardin Wouldn't Run

From Sea To Shining Sea – Johnny Cash





















NOTA: 5/10


Em 1968, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, o fraquíssimo From Sea to Shining Sea. Após o Sings the Ballads of the True West, o cantor quis fazer um trabalho que funcionasse como uma jornada musical que percorre o país inteiro. Isso acontece em um momento de grande revitalização artística, marcado por gravações históricas, enquanto ao mesmo tempo sua vida pessoal passava por grandes mudanças. A produção foi aquela de sempre, com o foco permanecendo na voz do cantor e nas histórias contadas pelas músicas. Cash continua trabalhando com músicos associados à sua banda tradicional, e aquele estilo rítmico característico permanece presente ao longo do álbum. No entanto, tudo acaba ficando tão repetitivo que quase não dá para aproveitar nada, além de que, na maioria das vezes, há spoken word de Johnny Cash. O repertório é irregular, com algumas canções boas e outras bem chatinhas. Enfim, é um álbum mediano e tedioso. 

Melhores Faixas: Call Daddy From The Mine, You And Tennessee, Shrimpin' Sailin' 
Piores Faixas: The Masterpiece, The Flint Arrowhead, From Sea To Shining Sea (Finale)

At Folsom Prison – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


E aí, alguns meses se passaram e foi lançado o atemporal álbum ao vivo At Folsom Prison (sim, álbum ao vivo eu sei que nem falo, mas esse é essencial). Após o fraquíssimo From Sea to Shining Sea, Johnny Cash demonstrava grande empatia por pessoas encarceradas, em parte por causa da recepção que músicas como “Folsom Prison Blues” tiveram entre detentos. Ele estava em um período em que a Columbia Records estava insegura com seus novos projetos, e ele insistiu muito em gravar esse trabalho ao vivo dentro da penitenciária Folsom State Prison, na Califórnia. A produção foi conduzida por Bob Johnston, que capturou a atmosfera crua e intensa de uma apresentação ao vivo em um ambiente extremamente incomum. O famoso ritmo “boom-chicka-boom” da guitarra continua presente, mas a performance possui uma intensidade especial por conta da plateia. O repertório, nem preciso dizer, é praticamente uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Folsom Prison Blues, Orange Blossom Special, I Still Miss Someone, Jackson, Greystone Chapel 
Vale a Pena Ouvir: Green, Green Grass Of Home, The Wall, 25 Minutes To Go

The Holy Land – Johnny Cash





















NOTA: 2,5/10


E aí no inicio do ano de 1969, foi lançado outro álbum peculiar dele intitulado The Holy Land. Após o clássico At Folsom Prison, Cash manteve uma relação profunda com a espiritualidade cristã. A ideia para esse álbum nasceu quando Cash visitou a região da Terra Santa, particularmente em Israel, durante o final da década de 1960. A viagem teve grande impacto espiritual sobre ele. Caminhar por lugares associados diretamente às histórias bíblicas inspirou Cash a criar um álbum que misturasse música, narração e reflexão religiosa. Produção foi feita por Don Thompson, teve que ser mais variada além de conter a instrumentação Country habitual, o álbum incorpora arranjos mais atmosféricos e harmônicos, e com maior presença de vocais falados de Cash, só que tudo é muito chato e excessivamente arrastado. O repertório é muito ruim, tendo poucas faixas que conseguem se salvar. Enfim, é um álbum horrível e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Daddy Sang Bass, Land Of Israel, He Turned The Water Into Wine (juntar os Startler Brothers e Carter Family) 
Piores Faixas: (Narrative) Church Of The Holy Sepulchre, (Narrative) Beautiful Words, This Is Nazareth, Nazarene, (Narrative) In Bethlehem, Our Guide Jacob At Mount Tabor

Hello, I'm Johnny Cash – Johnny Cash





















NOTA: 8,9/10


Entrando nos anos 70, Johnny Cash lança mais um disco intitulado Hello, I'm Johnny Cash. Após o The Holy Land, nesse meio tempo acontecia o enorme sucesso de seu programa de televisão, The Johnny Cash Show, exibido entre 1969 e 1971. O programa ajudou a expandir ainda mais seu público, aproximando-o não apenas de fãs de Country music, mas também de ouvintes de Folk, Gospel e até Rock. Com isso, ele quis fazer um disco que fosse mais contemporâneo e mostrasse ele renovado em sua nova fase de sucesso. A produção foi feita mais uma vez por Bob Johnston, adotando uma abordagem mais ampla e dialogando com o country daquele período, mais precisamente o Outlaw Country. O estilo instrumental da banda continua baseado no famoso ritmo “boom-chicka-boom”, que soa preciso e constante. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais melódicas e cheias de reflexão. No fim, é um ótimo disco e bastante divertido. 

Melhores Faixas: If I Were A Carpenter (dueto com June Carter, sua esposa), Sing A Traveling Song, I've Got A Thing About Trains, Southwind, Wrinkled, Crinkled, Wadded Dollar Bill, 'Cause I Love You 
Vale a Pena Ouvir: Blistered, The Devil To Pay, To Beat The Devil


                                                                            Então um abraço e flw!!!                

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 3

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