I_Con – De Staat
NOTA: 9/10
Se passaram três anos e foi lançado mais um álbum do De Staat intitulado I_Con. Após o Machinery, que ainda carregava um certo caráter de “banda em formação estética”, explorando ideias sem necessariamente consolidar uma linguagem totalmente definida, esse trabalho surge como o momento em que eles começaram a cristalizar sua identidade visual e sonora de forma mais agressiva e conceitualmente coesa. A produção é mais polida e minimalista, apostando fortemente em contrastes: batidas secas e repetitivas convivem com explosões de energia controlada, criando uma sensação de tensão constante. As guitarras seguem padrões rítmicos, muitas vezes funcionando como loops, e os vocais do Torre Florim são mais performáticos, promovendo uma junção do Rock alternativo, Stoner Rock, Blues Rock e industrial. O repertório é sensacional, e as canções são bem divertidas e variadas. Enfim, é um disco bacana e pode ser considerado um clássico deles.
Melhores Faixas: Witch Doctor, My Bad, Down Town, All Is Dull, Get It Together
Vale a Pena Ouvir: I'll Take You, Input Source Select, Refugee
O – De Staat
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: Get On Screen, Round, Blue Is Dead
Vale a Pena Ouvir: Murder Death, Systematic Lover, Help Yourself, Time Will Get Us Too
Bubble Gum – De Staat
NOTA: 5,6/10
Chegando ao fim da década de 2010, eles voltaram com outro disco, o Bubble Gum. Após O, que já havia expandido a sonoridade do grupo para uma estética mais Pop e direta, o De Staat entra em uma fase em que a identidade visual e musical se torna ainda mais central no processo criativo. O conceito desse trabalho é ambivalente desde o início: algo aparentemente leve, colorido e descartável, mas que esconde uma camada de artificialidade, saturação e crítica ao consumo imediato de cultura. A produção é mais limpa e agressiva, com uma abordagem que abandona parte da complexidade estrutural dos discos anteriores para apostar em blocos sonoros mais diretos e repetitivos, dialogando com Dance-Punk e Art Pop. Só que o maior problema é que muitas das estruturas soam quebradas de forma incompleta, ficando sem algo concreto. O repertório é irregular, com canções divertidas e outras arrastadas. No fim, é um álbum mediano ao qual faltou mais consistência.
Melhores Faixas: Mona Lisa, Pikachu, Tie Me Down
Piores Faixas: I Wrote That Code, Level Up, Kitty Kitty
Red, Yellow, Blue – De Staat
NOTA: 8,4/10
Então chegamos ao álbum mais recente deles, lançado em 2023, o Red, Yellow, Blue. Após o Bubble Gum, esse projeto surge de um processo incomum: ele reúne três EPs temáticos lançados ao longo do tempo, Red, Yellow e Blue, que posteriormente foram compilados em um único disco. Essa estrutura fragmentada reflete tanto o período da pandemia quanto uma mudança no modo de produção do De Staat, que passou a trabalhar mais com lançamentos episódicos do que com álbuns tradicionais. A produção segue uma abordagem polida, com isso o som é mais direto e “compacto” do que nos trabalhos anteriores, com forte presença de sintetizadores modernos, batidas secas e guitarras tratadas como elementos rítmicos. Os vocais do Torre continuam extremamente performáticos, mostrando que essa era a abordagem que deveriam ter seguido anteriormente. O repertório é bem legal, e as canções são todas bastante divertidas. No fim, é um disco bacana e coeso.
Melhores Faixas: Look At Me, Running Backwards Into The Future, Who's Gonna Be The GOAT?, Take Root, One Day
Vale a Pena Ouvir: Peace, Love & Profit, Some Body, What Goes, Let Go



