sexta-feira, 8 de maio de 2026

Analisando Discografias - Illya Kuryaki & The Valderramas

                 

Fabrico Cuero – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 5/10


Em 1991, o duo Illya Kuryaki & The Valderramas lançava seu álbum de estreia, Fabrico Cuero. Formado por volta de 1987 por Dante Spinetta (filho da lenda Luis Alberto Spinetta) e Emmanuel Horvilleur (filho de Eduardo Martí), eles já estavam meio inseridos no meio artístico. Inicialmente, chegaram a formar uma banda com seus irmãos mais novos, mas a ideia não deu certo. Com isso, a dupla decidiu focar em um projeto apenas entre eles, assinando com a gravadora EMI. A produção foi feita pelo próprio Luis Alberto Spinetta, que acabou deixando tudo com um aspecto bem artesanal. Beats simples, programações de bateria básicas e o uso de samples ainda primitivos que dialoga com o Mid-School hip hop. Há elementos de Rap Rock e Funk Rock, mas o maior problema certamente é o flow irregular e a falta de variação. O repertório é mediano: há canções legais e outras bem fraquinhas. No fim, é um álbum irregular, mas que já mostrava algo interessante. 

Melhores Faixas: Jubilados Violentos, Nacidos Para Ser Argentos 
Piores Faixas: Fabrico Cuero, No Caigas

Horno Para Calentar Los Mares – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e eles voltaram lançando seu 2º disco, o Horno Para Calentar Los Mares. Após o Fabrico Cuero, que era um experimento adolescente dentro do Hip-Hop/Rap, aqui a dupla já aparece consciente de si mesma como projeto artístico. A mudança de gravadora para a PolyGram e o maior investimento estrutural indicavam que havia expectativa de crescimento comercial. A produção, feita por Tweety González junto com a dupla, mostrou os dois tocando instrumentos diretamente, guitarra e baixo, respectivamente, abandonando parcialmente a dependência de bases programadas. O resultado é um disco mais orgânico e agressivo. As guitarras ganham protagonismo, os grooves ficam mais densos e a dinâmica entre as faixas se amplia, fazendo aquela junção do Rap Rock e Rap latino que os consolidaria. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e divertidas. Enfim, é um disco bacana, mas que acabou sendo um fracasso comercial. 

Melhores Faixas: No Way José, Virgen De Riña, Algo Huele Mal, Abbey Road, Vela El Sol, Como Crece La Lengua En Los Salones 
Vale a Pena Ouvir: Oscura, Van A Ver, Tal Vez

Chaco – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 10/10


Em 1995, foi lançado o sensacional e clássico 3º álbum do Illya Kuryaki & The Valderramas, o Chaco. Após o Horno Para Calentar Los Mares, Dante Spinetta e Emmanuel Horvilleur, depois de serem chutados da PolyGram pelo fracasso comercial do álbum anterior, tomam uma decisão crucial: romper com a dependência das grandes gravadoras e financiar o disco com recursos próprios, criando o selo independente Gigoló Productions. A produção, conduzida por Mariano López e Carlos 'Machi' Rufino, manteve a energia crua da dupla, mas com um nível de acabamento profissional. Grooves densos, guitarras afiadas, linhas de baixo marcantes e arranjos que alternam entre agressividade e sensualidade ajudam a construir o disco. Com isso, temos uma junção do Rap latino, Rock alternativo, Funk e até elementos psicodélicos. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea, já que só tem música incrível. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Abarajame, Jaguar House, No Es Tu Sombra, Abismo, Remisero, Hombre Blanco 
Vale a Pena Ouvir: Hermoza From Heaven, Hermana Sista, Chaco, En El Reino (La Hija De La Esgrima)

Versus – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 9,9/10


Se passaram mais dois anos, e foi lançado outro álbum espetacular da dupla, intitulado Versus. Após o Chaco, Dante Spinetta e Emmanuel Horvilleur optam por uma ruptura estética profunda. Essa ruptura começa ainda no período do MTV Unplugged: Ninja Mental, em que a dupla já demonstrava interesse em rearranjos mais sofisticados e em uma abordagem menos centrada no Rap. O contexto também inclui a decisão de gravar nos Estados Unidos, aproximando-se diretamente da indústria musical internacional. A produção, conduzida por eles mesmos, aposta em um som extremamente polido, com graves encorpados, texturas sofisticadas e uma espacialidade sonora muito mais ampla do que em Chaco. A principal transformação está na linguagem musical: o disco abandona parcialmente o Rap, priorizando Soul, Funk e grooves mais lentos e densos. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas e intimistas. No geral, é um belo disco e mais um clássico deles. 

Melhores Faixas: Galaxia, Jugo, Ruégame, Discovery Buda, El Fin Del Precipicio Rojo, Ruégame, Expedición Al Klama Hama, Mariposas Y Cebras, Xanadú 
Vale a Pena Ouvir: Das 2, Da Cosmos, Prométeme Paraíso

Leche – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 9/10


Entrando no fim dos anos 90, foi lançado mais um trabalho do Illya Kuryaki & The Valderramas, o Leche. Após o Versus, marcado por lentidão, sensualidade sombria e um foco mais restrito no Soul, esse novo projeto nasce com uma proposta quase oposta: recuperar energia, dança e impacto físico. A própria dupla declarou que precisava “voltar a tocar e quebrar tudo”, construindo o disco a partir de ensaios com banda e com letras muitas vezes escritas no estúdio. Nem preciso dizer que essa capa acabou sendo censurada em seu lançamento. A produção deixa mais clara aquela fusão do Acid Jazz, Funk, Rap, Rock e psicodelia, integrada de maneira fluida e dançante, com muito uso de grooves constantes e linhas de baixo extremamente presentes. O repertório é belíssimo, e as canções são bem envolventes e até sarcásticas. No geral, é um disco incrível, e a ousadia realmente valeu a pena. 

Melhores Faixas: Cello, Jennifer Del Estero, Lo Que Nos Mata, De Qué Me Hablás?, Latín Geisha, Hecho Mierda, Nadie Más 
Vale a Pena Ouvir: Joya+Guinda+Fuego, Apocalipsis Wow!, Wacho

Kuryakistan – IKV





















NOTA: 4/10


No ano de 2001, eles lançaram mais um álbum, o Kuryakistan, em um momento delicado. Após o Leche, esse novo trabalho foi concebido como uma espécie de despedida temporária, tanto por razões contratuais quanto emocionais, após a morte do empresário e amigo próximo José Luis Miceli. Então, eles decidiram reunir nesse material covers, remixes e algumas faixas inéditas. A produção foi bem básica, com aquela presença de graves fortes, grooves bem definidos e uma mistura equilibrada entre instrumentos orgânicos e elementos eletrônicos, juntando elementos do Rap, Funk, Soul e Acid Jazz. Mas é aquilo: tudo soa bastante deslocado e com falta de transição em algumas faixas. O repertório ficou bem fraco, com as músicas novas sendo interessantes e as releituras soando desnecessárias. Enfim, é um álbum fraco, que decretou um fim temporário da dupla. 

Melhores Faixas: A-Dios, Remisero (New Mix), Jennifer Del Estero, Hermano 
Piores Faixas: Masaje (Vainilla), Jugo, Another One Bites The Dust (Otro Muerde El Polvo), Cool-O (Remix Kuryakistan), Jaguar House 2001

Chances – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 8,4/10


Aí, depois de onze anos, eles retornaram com seu 7º álbum de estúdio, o Chances. Após o Kuryakistan, Dante Spinetta e Emmanuel Horvilleur decidiram seguir caminhos solo e, depois de se apresentarem na festa de 15 anos da filha de outra lenda do Rock argentino, Gustavo Cerati, voltaram às suas atividades com a missão dupla de retomar a identidade da banda e, ao mesmo tempo, atualizá-la para um cenário musical completamente diferente, já dominado por novas vertentes. A produção, conduzida por Rafael Arcaute, junta todo aquele cruzamento de Funk, Rap latino, Acid Jazz, Pop e elementos eletrônicos, que coexistem de maneira extremamente fluida. Contando com camadas de sintetizadores e uma produção limpa, o disco privilegia o impacto imediato. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas, indo de um lado envolvente ao mais cadenciado. No fim, é um disco bacana e que marcou um retorno bastante confiante. 

Melhores Faixas: Funky Futurista, Adelante, Águila Amarilla, Soy Música 
Vale a Pena Ouvir: Celebración, Safari Espiritual, El Encuentro, Yacaré

L.H.O.N. (La Humanidad O Nosotros) – Illya Kuryaki & The Valderramas





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2016, quando foi lançado o que é possivelmente o último álbum do IKV, o L.H.O.N. (La Humanidad O Nosotros). Após Chances, esse novo trabalho nasce com uma proposta conceitual mais densa, girando em torno de temas como fé, superação, amor, morte e a tensão entre indivíduo e coletividade. Muito possivelmente, isso se deve a Dante Spinetta ter refletido sobre tudo o que passou desde o falecimento de seu pai e o fim de seus relacionamentos. A produção, feita pela própria dupla, segue uma abordagem mais orgânica, com uso de fita analógica, instrumentos “nobres” e menos edição digital, além de arranjos de cordas e até a presença da Orquestra Filarmônica de Praga. Mas, mesmo com esse som sofisticado, muita coisa soa reciclada. Fora isso, fica a sensação de que eles não estavam com tanta energia quanto antes. O repertório é irregular: há canções boas e outras bem mais do mesmo. Em suma, é um disco mediano ao qual faltou mais coesão. 

Melhores Faixas: Sigue, Ey Dios, Ritmo Mezcal 
Piores Faixas: Mi Futuro, Hombre Libre, Espantapájaros


                                                                             Por hoje é só, então flw!!!  

Analisando Discografias - Illya Kuryaki & The Valderramas

                  Fabrico Cuero – Illya Kuryaki & The Valderramas NOTA: 5/10 Em 1991, o duo Illya Kuryaki & The Valderramas lançava ...