quarta-feira, 13 de maio de 2026

Analisando Discografias - Miles Kane

                 

Colour Of The Trap – Miles Kane





















NOTA: 9/10


Em 2011, Miles Kane lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Colour of the Trap. O cantor, nascido em Birkenhead, em Merseyside, na Inglaterra, começou sua trajetória por volta de 2004, quando participou de algumas bandas locais, sendo a de maior destaque o The Rascals, que não durou muito tempo, mas foi importante para Alex Turner conhecê-lo e, assim, formar o The Last Shadow Puppets. Com isso, ele decidiu preparar um projeto que mergulhasse ainda mais fundo em referências vintage do que em seus trabalhos com Turner. A produção, feita por Dan Carey, Dan the Automator, Craig Silvey e Gruff Rhys, aposta em uma estética extremamente analógica, valorizando timbres quentes, guitarras vintage, reverbs clássicos e uma instrumentação que remete diretamente aos anos 60 e 70, juntando, assim, Mod, Rock de garagem e Chamber Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Come Closer, Rearrange, Colour Of The Trap, Inhaler 
Vale a Pena Ouvir: Counting Down The Days, Better Left Invisible, Kingcrawler

Don't Forget Who You Are – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum dele, o Don't Forget Who You Are. Após o Colour of the Trap, esse novo trabalho do Miles Kane transmite a sensação de alguém que já encontrou sua estética e agora quer ampliá-la. O álbum é mais confiante, mais barulhento e mais voltado para refrões gigantescos. Se o primeiro trabalho equilibrava Indie e romantismo sessentista, aqui Kane mergulha com mais intensidade no Britpop e no Rock clássico britânico dos anos 70. A produção, feita inteiramente por Ian Broudie, trouxe uma abordagem mais expansiva, ainda seguindo a temática do Mod Revival, com guitarras bem dominantes e riffs amplos, uma seção rítmica que consegue ser elegante e, claro, o vocal do Miles, que ainda faz lembrar Liam Gallagher, só que agora de forma mais emocional. O repertório é legalzinho, e as canções vão de um lado energético a um mais melódico. No fim, é um disco bacana e mais ousado. 

Melhores Faixas: Don't Forget Who You Are, Fire In My Heart 
Vale a Pena Ouvir: Give Up, Tonight, Taking Over

Coup De Grace – Miles Kane





















NOTA: 6/10


Cinco anos se passaram, e ele voltou com mais um álbum novo, o Coup de Grace. Após o Don't Forget Who You Are, Miles Kane parecia cansado de repetir exatamente a fórmula Britpop e Mod dos dois primeiros discos solo. Então, ele quis se renovar, decidindo preservar seu amor pelo Rock britânico clássico, mas agora misturando isso com Post-Punk, Rock garageiro contemporâneo e até elementos mais dançantes. Fora isso, ele saiu da Columbia Records e entrou na Virgin EMI Records. A produção, feita por John Congleton, trouxe uma abordagem mais expansiva, com as guitarras extremamente importantes, mas agora aparecendo de maneira mais nervosa, distorcida e fragmentada. A cozinha rítmica é mais explosiva, além da presença de sintetizadores que colocam certa tensão, mas tudo soa bastante arrastado e repetitivo. O repertório é irregular: tem canções boas e outras fraquíssimas. No geral, é um álbum mediano, e faltou maior direcionamento. 

Melhores Faixas: Killing The Joke, Loaded, Wrong Side Of Life 
Piores Faixas: Coup De Grace, Too Little Too Late, Cry On Me Guitar

Change The Show – Miles Kane





















NOTA: 8,3/10


Em 2022, foi lançado mais um trabalho de Miles Kane, o Change the Show, que seguiu uma proposta mais retrô. Após o Coup de Grace, o cantor acabou saindo da Virgin EMI Records e foi para a BMG, decidindo construir algo mais caloroso, dançante e positivo. Se os trabalhos anteriores frequentemente mergulhavam em guitarras agressivas e no glamour do Rock clássico, agora ele aposta muito mais em Pop Soul, grooves suaves, Indie dançante e arranjos vintage extremamente polidos. A produção, conduzida por Oscar Robertson e David Bardon, segue uma sonoridade extremamente calorosa. Os arranjos são fortemente influenciados pelo Northern Soul e pelo Pop britânico vintage. As guitarras agora aparecem de maneira mais elegante. Em vez de riffs explosivos, muitas músicas priorizam grooves, linhas de baixo dançantes e uma instrumentação sofisticada. O repertório é muito legal, e as canções são bastante aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Tell Me What You're Feeling, See Ya When I See Ya, Adios Ta-Ra Ta-Ra
Vale a Pena Ouvir: Don't Let It Get You Down, Change The Show

One Man Band – Miles Kane





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum novo dele, o One Man Band, que voltou para abordagem de antes. Após o Change the Show, Miles Kane passou a lançar seus trabalhos de forma independente, além de refletir sobre envelhecimento artístico e sobre a dificuldade de equilibrar vida pessoal e persona pública. Apesar disso, o álbum evita mergulhar em uma melancolia pesada. Em vez disso, transforma esses temas em músicas vibrantes, cheias de groove e melodias acessíveis. Produzido por James Skelly, o disco adiciona guitarras mais presentes, refrões mais expansivos e uma atmosfera emocional um pouco mais intensa. Os arranjos continuam extremamente influenciados pelo Pop britânico setentista, Mod Revival e, claro, Indie Rock e Britpop, mas o maior problema é que muitos dos grooves soam comprimidos e parecem faltar mais detalhes. O repertório começa até bem, mas depois dá uma caída forte, com canções mais chatinhas. Enfim, é um álbum irregular e soa genérico. 

Melhores Faixas: Troubled Son, The Wonder, Ransom 
Piores Faixas: Baggio, Heartbreaks The New Sensation, Never Taking Me Alive

Sunlight In The Shadows – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao ano de 2025, quando foi lançado seu 6º e último álbum até o momento, o Sunlight in the Shadows. Após o One Man Band, Miles Kane planejava voltar a trabalhar com seus primos James Skelly e Ian Skelly, mas acabou aceitando o convite de Dan Auerbach para gravar em Nashville, no estúdio Easy Eye Sound. Decidindo mergulhar profundamente em uma estética de Rock setentista cheio de poeira, psicodelia leve, guitarras saturadas e grooves analógicos. A produção, feita por Dan Auerbach, é bastante orgânica e sofisticada, com guitarras constantemente saturadas, cheias de tremolo, fuzz e reverbs naturais. A bateria tem uma textura bem seca, o baixo é profundo, e os teclados são mais discretos, deixando o vocal intimista do Miles no centro, transitando entre Mod, Blue-Eyed Soul e Rock de garagem. O repertório é muito legal, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco interessante e mais variado. 

Melhores Faixas: Coming Down The Road, I Pray 
Vale a Pena Ouvir: Blue Skies, Electric Flower, Sing A Song To Love

 

Analisando Discografias - The Last Shadow Puppets

                   The Age Of The Understatement – The Last Shadow Puppets NOTA: 9/10 Voltando para o ano de 2008, foi lançado o álbum de es...