Babylon By Gus - Volume 1 - O Ano Do Macaco – Black Alien
NOTA: 10/10
Voltando ao ano de 2004, o Black Alien lançava seu 1º trabalho solo, o Babylon By Gus - Volume 1 - O Ano Do Macaco. Após o fim do Planet Hemp, o rapper de São Gonçalo já era reconhecido como um dos MCs tecnicamente mais impressionantes do país, dono de um vocabulário incomum, flows elásticos e uma escrita que misturava filosofia de rua, humor ácido, referências espirituais, crônicas urbanas e observações sociais extremamente sofisticadas. Esse trabalho também é carregado de crítica social, além de trazer uma referência a Bob Marley no título. A produção, conduzida por Alexandre Basa, cria um som que mistura o peso do Boom Bap com a fluidez do Reggae jamaicano. Há linhas de baixo extremamente profundas, guitarras dubadas, percussões orgânicas, scratches discretos e baterias que alternam entre agressividade e swing. O repertório é sensacional e parece uma coletânea, já que só tem canções excepcionais. No fim, é um baita disco e um clássico do Rap nacional.
Melhores Faixas: Babylon By Gus, Como Eu Te Quero, Estilo Do Gueto, Mister Niteroi, From Hell Do Céu, Caminhos Do Destino, Na Segunda Vinda
Vale a Pena Ouvir: América 21, U-Informe
Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo – Black Alien
NOTA: 7/10
Foi apenas em 2015 que foi lançado o tão aguardado Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo. Após o Babylon By Gus - Volume 1, o Black Alien atravessou um período extremamente turbulento, marcado por dependência química, internações, isolamento e uma longa reconstrução pessoal. O próprio artista já declarou que o disco representa uma nova fase de vida, quase como um recomeço espiritual. A produção, feita pelo rapper junto com Alexandre Basa, segue por um caminho mais emocional e amplo. As influências do Rap e do Ragga continuam presentes, mas agora aparecem com enorme destaque elementos de Soul, R&B e Rock. As beats são mais orgânicas e permitem que baixos, guitarras, metais, scratches e percussões convivam sem excesso de informação, mesmo que esses elementos não se encaixem. O repertório é até legal, com canções divertidas, só que com algumas fraquinhas. Enfim, é um disco bom, mas que possui muitas falhas.
Melhores Faixas: Skate No Pé (ótima feat do Parteum e Kamau), Somos O Mundo, Rock 'N' Roll (Edi Rock mandou bem), Identidade, O Estranho Vizinho Da Frente
Piores Faixas: 1972 (Intro), Rolo Compressor, Quem É Você?
Abaixo De Zero: Hello Hell – Black Alien
NOTA: 10/10
Então chegamos a 2019, ano em que foi lançado seu excepcional 3º e último álbum até então, o Abaixo De Zero: Hello Hell. Após o Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo, esse novo trabalho se tornou praticamente um retrato da sobrevivência psicológica do Black Alien. Se o segundo Babylon By Gus já era um álbum introspectivo e espiritual, aqui tudo fica ainda mais direto, vulnerável e autobiográfico. A produção, feita inteiramente por Papatinho, é extremamente detalhada, cheia de texturas, graves profundos, baterias pesadas e atmosferas espaciais, sem abandonar a musicalidade orgânica que sempre acompanhou o rapper. O álbum mistura Boom Bap, Trap, Dub, Jazz Rap, Chipmunk Soul e psicodelia de maneira extremamente natural, com os flows técnicos e suaves do Black se encaixando perfeitamente. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo uma coletânea. Em suma, é um disco sensacional e uma obra-prima contemporânea da música brasileira.
Melhores Faixas: Aniversário De Sobriedade, Vai Baby, Que Nem Meu Cachorro, Carta Pra Amy, Take Ten
Vale a Pena Ouvir: Área 51, Jamais Serão
Então é isso, um abraço e flw!!!