Bizarre Ride II The Pharcyde – The Pharcyde
NOTA: 10/10
No ano de 1992, o The Pharcyde lançava seu álbum de estreia, o sensacional Bizarre Ride II the Pharcyde. Formado no ano anterior em Los Angeles por Imani, Slimkid3, Bootie Brown e Fatlip, alguns dos integrantes tinham experiência na dança, e a proposta deles era bem diferente, juntando humor absurdo, rimas caóticas, referências ao Jazz e uma abordagem extremamente humana. Após a demo deles circular, despertaram o interesse de Mike Ross, da Delicious Vinyl, que assinou com o grupo. A produção, feita por J-Swift, L.A. Jay e Ter, foi explosiva, juntando elementos do Boom Bap e do Jazz Rap, utilizando samples orgânicos e baterias com swing, criando uma atmosfera relaxada para o flow diferenciado de cada integrante: Fatlip com um tom explosivo, Slimkid3 com um tom melódico, Bootie Brown sendo mais agressivo e Imani o mais técnico. O repertório é incrível, chegando a parecer uma coletânea. No fim, é um baita álbum de estreia e um clássico absoluto.
Melhores Faixas: Passin’ Me By, Oh Shit, I'm That Type Of Nigga, 4 Better Or 4 Worse, On The DL, Return Of The B-Boy
Vale a Pena Ouvir: Otha Fish, Soul Flower (Remix), Ya Mama, Pack The Pipe
Labcabincalifornia – The Pharcyde
NOTA: 10/10
Três anos se passaram, e The Pharcyde retornava com seu atemporal 2º disco, o Labcabincalifornia. Após o Bizarre Ride II the Pharcyde, o grupo era visto como irreverente, engraçado, caótico e extremamente criativo. Só que, claro, tanto a cena da Costa Oeste quanto a da Costa Leste acabaram evoluindo, e o The Pharcyde voltou com um humor mais controlado e melancólico. Existe uma sensação constante de desgaste emocional, paranoia urbana e reflexão sobre fama, relacionamentos e identidade artística. A produção, feita por eles junto com Diamond D, M-Walk e Jay Dee (ou melhor: J Dilla), mergulha de cabeça no Jazz Rap e em um Boom Bap mais suave. Os beats possuem graves macios, baterias discretas que soam até desalinhadas e samples extremamente sofisticados. Fora que os integrantes evoluíram muito, apresentando ainda mais sensibilidade melódica. O repertório é espetacular, também chegando a parecer uma coletânea. No final de tudo, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Runnin', Drop, Bullshit, Hey You, She Said, Y?, Moment In Time
Vale a Pena Ouvir: The Hustle, Groupie Therapy, Devil Music, Splattitorium
Plain Rap – The Pharcyde
NOTA: 2,5/10
Melhores Faixas: Guestlist, L.A.
Piores Faixas: Frontline, Rush, Somethin', Blaze, World
Humboldt Beginnings – The Pharcyde
NOTA: 3/10
Então chegamos em 2004, ano em que foi lançado, o que é praticamente o último álbum deles, o Humboldt Beginnings. Após o Plain Rap, foi a vez de Slimkid3 também sair do The Pharcyde. Com isso, a perda gradual de relevância comercial durante os anos 2000 deixou marcas profundas na identidade do grupo. Então, esse projeto acabou sendo conduzido apenas por Bootie Brown e Imani. A produção contou com a presença de 88-Keys e Spaceboyboogie X, que apostaram em uma abordagem suave, juntando Boom Bap, Jazz Rap, Electro e até elementos do Rap experimental, tentando dialogar um pouco com a sonoridade do The Roots. Porém, o que salva o disco são os beats, porque quando Brown e Imani vão rimar, eles soam totalmente deslocados, e seus flows não conseguem funcionar. O repertório é fraco, com canções bem ruins e apenas algumas interessantes. No fim, é um disco péssimo e, após isso, eles até voltaram, só que dedicados apenas às turnês.
Melhores Faixas: Knew U, Choices, Mixedgreens
Piores Faixas: Dedication, Rules & Regulations, Right B4, Storm, Bongloads II



