Wretchrospective – Wretch 32
NOTA: 8/10
No ano de 2008, foi lançado o álbum de estreia do Wretch 32, o Wretchrospective. O rapper londrino começou sua trajetória dois anos antes. Vindo de uma família jamaicana, ele surgiu em um período em que o Rap inglês era muito mais cru, periférico e fortemente ligado a DVDs de freestyle. O álbum foi construído após o impacto das primeiras mixtapes do artista, especialmente depois de ele começar a ganhar notoriedade entre 2006 e 2007 com performances e participações em coletivos da cena Grime. A produção contou com J.F.L.O.W.S, JD, Scorcher, entre outros, que colocaram beats secos e minimalistas, com forte presença do Grime tradicional e da estética do Rap inglês daquele período. Além disso, o disco soa como uma compilação de sessões de estúdio com participantes da cena, mas, claro, com Wretch sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas. No fim, é um ótimo disco e já mostrava algo promissor.
Melhores Faixas: Take This From Me, All That I Need
Vale a Pena Ouvir: Ina Di Ghetto, Remember The Titan, Wretchrospective, On Fire
Black And White – Wretch 32
NOTA: 8,4/10
Indo para 2011, o Wretch 32 lançava seu 2º álbum, o Black and White, que seguiu por um lado mais acessível. Após o Wretchrospective, ele começou a ganhar enorme visibilidade com singles que circularam fortemente nas rádios britânicas, mostrando assim uma clara mudança de direção: menos foco no Grime cru e mais na construção de canções com estrutura Pop, refrões fortes e apelo radiofônico, algo que se confirmou quando ele assinou com a Ministry of Sound. A produção foi diversificada, contando com Future Cut, Rachel Moulden e Paul Heard, que trouxeram uma abordagem que combina beats eletrônicos refinados, instrumentação mais melódica e atmosférica, uso frequente de refrões cantados e forte presença de elementos do R&B, mas, claro, sem abandonar alguns aspectos do Grime. Além disso, os flows do Wretch atingiram um lado mais cadenciado. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais melódicas. No geral, é um ótimo disco e foi mais estruturado.
Melhores Faixas: Unorthdox, Don't Go, Long Way Home
Vale a Pena Ouvir: Let Yourself Go, Black And White
Growing + Over + Life – Wretch 32
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: 6 Words, Open Conversation / Mark Duggan, Cooked Food
Vale a Pena Ouvir: Pressure, Something, I.O.U
FR32 – Wretch 32
NOTA: 3/10
No ano seguinte, foi lançado o quarto álbum do Wretch 32, intitulado FR32, tentando se enquadrar nas tendências. Após o Growing Over Life, o rapper precisava continuar mantendo sua relevância, vendo que a cena começava a absorver influências do Afro-Swing, Trap e sonoridades mais globais, então ele decidiu seguir essa abordagem para permanecer no topo. A produção contou com Joshua McKenzie, KzDidIt, PW, entre outros, e eles diversificaram bastante, com momentos de Grime mais direto, faixas com forte influência de Afro-Swing e também espaços do Rap mais tradicional com beats secos. A mixagem acompanha essa diversidade, alternando entre sons mais polidos e outros mais crus, mas tudo acaba ficando bastante bagunçado, e os flows repetitivos do Wretch também não ajudam. O repertório é ruim, com canções fracas e poucas realmente interessantes. Enfim, é um disco péssimo e bastante esquecível.
Melhores Faixas: Good Morning, Happy, Colour Purple
Piores Faixas: Break-Fast, Time, Gracious, DPMO, Power
Upon Reflection – Wretch 32
NOTA: 2,5/10
Dois anos depois, Wretch 32 retorna com mais um álbum novo, o Upon Reflection. Após o FR32, a cena já era dominada por múltiplas vertentes coexistindo: o Grime continuava relevante, o Afro-Swing se consolidava comercialmente, e o Trap britânico crescia muito por conta do UK Drill. Nesse ambiente, o rapper já não ocupava mais o papel de figura central da inovação ou dos hits, mas sim o de um artista veterano que revisita sua trajetória com mais calma. A produção, conduzida por nomes como 169, FortyOneSix, J-Roc e afins, seguiu uma sonoridade mais uniforme, suave e contemplativa. As beats são geralmente lentas ou mid-tempo, com forte presença de piano, texturas atmosféricas, elementos do R&B moderno e, claro, do Trap, mas tudo soa bastante arrastado, e a falta de variação no flow é algo frequente. O repertório é péssimo, com canções genéricas e raras exceções. No geral, é um álbum terrível e bastante tedioso.
Melhores Faixas: Upon Reflection, 10/10
Piores Faixas: Spin Around, Last Night, Insurance, All In, Mummy's Boy
little BIG man – Wretch 32
NOTA: 7/10
Indo para 2021, foi lançado um EP do Wretch 32, o little BIG man, que mostrava uma volta às raízes. Após o péssimo Upon Reflection, com o passar do tempo, o rapper passou a assumir cada vez mais a posição de veterano que não está competindo pela hegemonia da cena, mas sim consolidando legado e identidade artística. O EP nasce a partir dessa lógica: menos preocupado com hits e mais focado em narrativa pessoal, herança cultural e no retorno às suas raízes no Grime. A produção contou com 169, PRGRSHN, Sons of Sonix, entre outros, e trabalha com espaços abertos, beats contidos e forte foco na voz e na mensagem. Há predominância de elementos de piano, texturas ambientais, batidas lentas e construção atmosférica que favorece a narrativa. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser profundas e mais tematizadas. Enfim, é um ótimo EP e um retorno que funcionou.
Melhores Faixas: Anxiety, Last Night / No One Can Relate
Vale a Pena Ouvir: On My Life, Take Care Of Me
Home? – Wretch 32
NOTA: 5/10
Então chegamos a 2025, quando Wretch 32 lançou seu 6º e mais recente álbum, o Home?. Após o EP little BIG man, o rapper assume uma posição quase de “cronista cultural”, alguém que atravessou diferentes eras do Rap britânico e agora olha para o conceito desse álbum não como um lugar fixo, mas como uma construção histórica, familiar e política. A produção foi mais uma vez diversificada, contando com 2 Fvded, Crumz, Greatness Jones, entre outros, que decidiram seguir uma abordagem orgânica e variada, misturando Afrobeats, R&B, Grime, UK Garage e um pouco da abordagem do Rap inglês moderno. As beats vão de um lado mais pesado a momentos mais cadenciados, com Wretch usando uma variação maior no flow, embora muitas vezes isso acabe ficando repetitivo. O repertório é irregular: há canções legais e outras bem fraquinhas e mais do mesmo. Em suma, é um álbum mediano e cansativo.
Melhores Faixas: Black and British, Windrush, Like Home, Me & Mine
Piores Faixas: Transitional Chapter, Seven Seater, God's Work, Bridge Is Burning
Então é isso, um abraço e flw!!!






