One Of Several Possible Musiks – Kerry Livgren
NOTA: 8/10
Cinco anos depois foi lançado mais um disco de Kerry Livgren, o One of Several Possible Musiks, que seguiu por um lado mais instrumental. Após o Time Line, Livgren entrou na segunda metade dos anos 80 buscando uma nova forma de expressão musical. Sua vida já estava profundamente moldada pela fé cristã desde o início da década, e isso afetava diretamente sua abordagem artística. Ele decidiu fazer um projeto praticamente solitário, instrumental, altamente conceitual e baseado em paisagens sonoras e eruditas. A produção foi feita, obviamente, por ele mesmo, utilizando sintetizadores analógicos e digitais, sequenciadores, samplers e gravação multipista tradicional. O resultado é uma sonoridade muito limpa, serena e meticulosa, que traz influências da New Age e do Rock progressivo, ficando muito autêntico. O repertório é bem legal, e as composições são bastante imersivas. No fim, é um ótimo disco e bastante dinâmico.
Melhores Faixas: Alenna In The Sun, Ancient Wing
Vale a Pena Ouvir: Tenth Of Nisan, Tannin Dance
When Things Get Electric – Kerry Livgren And The Corps De Pneuma
NOTA: 4/10
Aí se passaram seis anos e foi lançado mais um trabalho de Kerry Livgren, o When Things Get Electric. Após o One of Several Possible Musiks, Livgren passou o início dos anos 90 em um período de introspecção criativa e mudança de foco. Durante esse tempo, ele investiu mais intensamente na sua fé e no desenvolvimento de seus projetos independentes, estruturando sua própria gravadora (Numavox) e, com o fim da sua banda AD, decidiu chamar um grupo de convidados e fazer um disco conceitual falando bastante sobre suas crenças. A produção foi aquela de sempre, só que mais detalhista. A estética do disco é híbrida: combina estruturas do rock progressivo clássico com texturas modernas dos anos 90 e um toque de música ambiental/eletrônica, só que tudo é muito sem graça e não consegue prender o ouvinte. O repertório é bem fraco, com poucas canções interessantes, e o resto é bastante monótono. Enfim, é um disco fraquíssimo e excessivo.
Melhores Faixas: Like A Whisper, When Things Get Electric, Sweet Child, One Dark World
Piores Faixas: A Hero's Canticle, No Holds Barred, Xylon (The Tree), Smoke Is Rising
Odyssey Into The Mind’s Eye – Kerry Livgren
NOTA: 2/10
Melhores Faixas: Liquidity, The Traveler
Piores Faixas: One Dark World, Unstoppable, Out Of Step, Utopian Dream
Q.A.R. – Kerry Livgren
NOTA: 8/10
Então se passou bastante tempo, e foi só em 2022 que Kerry Livgren decidiu fazer um novo disco, o Q.A.R.. Após o Odyssey Into The Mind’s Eye, Livgren passou por muitos problemas por causa do AVC que sofreu em 2009 e, quando se recuperou, realizou alguns projetos discretos. Quando decidiu retornar, resolveu fazer um álbum que fosse um retorno inesperado ao livre experimentalismo que caracterizava seus projetos mais introspectivos dos anos 80, sendo também algo mais pessoal. A produção foi feita, obviamente, por ele próprio, de forma caseira, com uma sonoridade íntima, quase artesanal, e com uma instrumentação que mistura sintetizadores atmosféricos, guitarras muito limpas e ritmos cadenciados. O repertório é muito legal, e as canções são muito boas, indo para um lado mais hipnótico. Em suma, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: Fire In The Boiler, Above This Night
Vale a Pena Ouvir: When You Walk, Song Du' Jour



