domingo, 7 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Kerry Livgren: Parte 2

                 

One Of Several Possible Musiks – Kerry Livgren





















NOTA: 8/10


Cinco anos depois foi lançado mais um disco de Kerry Livgren, o One of Several Possible Musiks, que seguiu por um lado mais instrumental. Após o Time Line, Livgren entrou na segunda metade dos anos 80 buscando uma nova forma de expressão musical. Sua vida já estava profundamente moldada pela fé cristã desde o início da década, e isso afetava diretamente sua abordagem artística. Ele decidiu fazer um projeto praticamente solitário, instrumental, altamente conceitual e baseado em paisagens sonoras e eruditas. A produção foi feita, obviamente, por ele mesmo, utilizando sintetizadores analógicos e digitais, sequenciadores, samplers e gravação multipista tradicional. O resultado é uma sonoridade muito limpa, serena e meticulosa, que traz influências da New Age e do Rock progressivo, ficando muito autêntico. O repertório é bem legal, e as composições são bastante imersivas. No fim, é um ótimo disco e bastante dinâmico. 

Melhores Faixas: Alenna In The Sun, Ancient Wing 
Vale a Pena Ouvir: Tenth Of Nisan, Tannin Dance

When Things Get Electric – Kerry Livgren And The Corps De Pneuma





















NOTA: 4/10


Aí se passaram seis anos e foi lançado mais um trabalho de Kerry Livgren, o When Things Get Electric. Após o One of Several Possible Musiks, Livgren passou o início dos anos 90 em um período de introspecção criativa e mudança de foco. Durante esse tempo, ele investiu mais intensamente na sua fé e no desenvolvimento de seus projetos independentes, estruturando sua própria gravadora (Numavox) e, com o fim da sua banda AD, decidiu chamar um grupo de convidados e fazer um disco conceitual falando bastante sobre suas crenças. A produção foi aquela de sempre, só que mais detalhista. A estética do disco é híbrida: combina estruturas do rock progressivo clássico com texturas modernas dos anos 90 e um toque de música ambiental/eletrônica, só que tudo é muito sem graça e não consegue prender o ouvinte. O repertório é bem fraco, com poucas canções interessantes, e o resto é bastante monótono. Enfim, é um disco fraquíssimo e excessivo. 

Melhores Faixas: Like A Whisper, When Things Get Electric, Sweet Child, One Dark World
Piores Faixas: A Hero's Canticle, No Holds Barred, Xylon (The Tree), Smoke Is Rising

Odyssey Into The Mind’s Eye – Kerry Livgren





















NOTA: 2/10


Só que no ano seguinte ele retorna lançando mais um trabalho, dessa vez a trilha sonora de uma série com o título Odyssey Into The Mind’s Eye. Após o fraquíssimo When Things Get Electric, Livgren se viu envolvido em um novo desafio: compor uma trilha sonora completa para um filme de arte e ciência. O convite veio da série The Mind’s Eye, conhecida por ser um marco das animações digitais dos anos 90, usando CGI pioneiro, muitas vezes abstrato e contemplativo, e cada artista fazia uma trilha seguindo um estilo eletrônico e cinematográfico. Com isso, sua produção aqui foi bem ampla, cristalina, profunda e expansiva, com forte presença de pads, arpejos eletrônicos, percussões sutis e melodias de caráter épico, só que tudo é bem chato, completamente arrastado e tenta fazer um progressivo eletrônico totalmente raquítico. O repertório é terrível, e as composições são péssimas, com poucas que se salvam. No geral, é um trabalho fraco e feito só para ganhar uns trocos. 

Melhores Faixas: Liquidity, The Traveler 
Piores Faixas: One Dark World, Unstoppable, Out Of Step, Utopian Dream

Q.A.R. – Kerry Livgren





















NOTA: 8/10


Então se passou bastante tempo, e foi só em 2022 que Kerry Livgren decidiu fazer um novo disco, o Q.A.R.. Após o Odyssey Into The Mind’s Eye, Livgren passou por muitos problemas por causa do AVC que sofreu em 2009 e, quando se recuperou, realizou alguns projetos discretos. Quando decidiu retornar, resolveu fazer um álbum que fosse um retorno inesperado ao livre experimentalismo que caracterizava seus projetos mais introspectivos dos anos 80, sendo também algo mais pessoal. A produção foi feita, obviamente, por ele próprio, de forma caseira, com uma sonoridade íntima, quase artesanal, e com uma instrumentação que mistura sintetizadores atmosféricos, guitarras muito limpas e ritmos cadenciados. O repertório é muito legal, e as canções são muito boas, indo para um lado mais hipnótico. Em suma, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Fire In The Boiler, Above This Night 
Vale a Pena Ouvir: When You Walk, Song Du' Jour

           

Analisando Discografias - PNAU

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