quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Anthony Phillips: Parte 2

                 

Private Parts And Pieces – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Perto do fim daquele ano de 1978, foi lançado um trabalho que marcaria uma série de álbuns intitulados Private Parts And Pieces. Após o Wise After the Event, ele havia recém-firmado um contrato com a Arista Records e passa a explorar com mais intimidade sua formação em música clássica, seu fascínio por paisagens sonoras e, sobretudo, seu gosto por composições introspectivas. Este álbum nasce como uma coleção de peças pessoais, muitas delas originalmente concebidas como estudos, esboços ou trilhas imaginárias. A produção, conduzida por ele junto com Harry Williamson, é deliberadamente minimalista e artesanal. Os arranjos giram principalmente em torno de violões, pianos, teclados analógicos e camadas sutis de sintetizadores, com uso econômico de percussão e bateria, explorando mais a alma que a música Folk proporciona. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado pastoral. No fim, é um ótimo disco e mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Tregenna Afternoont, Flamingo 
Vale a Pena Ouvir: Reaper, Lullaby - Old Father Time, Beauty And The Beast

Sides – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Chegando ao final dos anos 70, Anthony Phillips lança Sides, que segue por um caminho mais acessível. Após o Private Parts And Pieces, ele queria ir para uma direção bem mais ampla, mas sofreu pressão da gravadora que distribuía seus discos nos Estados Unidos para que fizesse um som que pudesse tocar nas rádios, já que começava aquela pressão que pairava sobre os artistas antes da virada para a década de 80. A produção feita por Rupert Hine, manteve o caráter artesanal e econômico do álbum anterior, mas demonstra um pouco mais de confiança no uso da tecnologia. Phillips utiliza uma combinação equilibrada de violões, piano, sintetizadores e teclados, explorando timbres com maior clareza e definição, tudo isso para criar um som puxado para o Pop Rock daquele período, deixando de lado as influências do Folk. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e até atmosféricas. No fim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Second Half, Magdalen 
Vale a Pena Ouvir: Sisters Of Remindum, Lucy Will, Nightmare

Private Parts & Pieces II: Back To The Pavilion – Anthony Phillips





















NOTA: 8,2/10


Entrando nos anos 80, foi lançado Private Parts & Pieces II: Back To The Pavilion, que trouxe algumas mudanças. Após o lançamento do Sides, Anthony Phillips decidiu resgatar o material que faria parte dessa continuação, que explora ideias mais contemplativas, muitas delas com raízes no violão e em temas que evocam paisagens bucólicas, memórias e introspecção. A produção, feita junto com Anton Matthews e Rupert Hine, trouxe mais clareza aos arranjos e à integração entre instrumentos acústicos e eletrônicos. Phillips utiliza violões de doze cordas, piano, sintetizadores e teclados com maior controle tímbrico, criando camadas mais equilibradas e menos cruas; com isso, não temos influências apenas do Folk progressivo, mas também do progressivo eletrônico, além do Crossover clássico. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas, com aquele toque pastoral. No final de tudo, é um ótimo disco e mostrou uma evolução. 

Melhores Faixas: Nocturne, Magic Garden, Spring Meeting 
Vale a Pena Ouvir: Scottish Suite, Heavens, Will O’ The Wisp

1984 – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passa, e é lançado o curiosíssimo álbum 1984, que é bem mais eletrônico. Após o Private Parts & Pieces II: Back To The Pavilion, Anthony Phillips decidiu optar por uma direção bastante diferente: uma obra instrumental dominada por teclados e sintetizadores, inspirada conceitualmente no romance distópico Nineteen Eighty-Four, de George Orwell. Embora a música não represente literalmente a narrativa do livro, sua atmosfera evoca um mundo futurista, tecnológico e introspectivo. A produção, feita inteiramente por ele mesmo, é integralmente instrumental, destacando sintetizadores, sequenciadores e caixas de ritmo, com aparições de percussão orgânica e vocoder em algumas partes. Aqui, ele se afasta do Folk e se aproxima de uma ambientação eletrônica progressiva sofisticada. O repertório contém apenas quatro faixas, bem interessantes, que conseguem transmitir aquele lado atmosférico. No final, é um disco interessante e muito menosprezado. 

Melhores Faixas: 1984 (Part 1), Prelude '84 
Vale a Pena Ouvir: 1984 (Part 2), Anthem 1984

Private Parts And Pieces III: Antiques – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Outro ano se passa, e é lançado Private Parts And Pieces III: Antiques, que é ainda mais direto. Após o 1984, como sua nova gravadora, a RCA, não conseguiu obter um grande retorno financeiro, ele decidiu continuar fazendo seus projetos sem interferências; com isso, resolveu revisitar ideias antigas, temas compostos ainda na juventude, peças associadas ao período pré-Genesis ou ao início da banda, além de incursões diretas na música clássica. A produção, feita inteiramente por ele próprio, é mais clara, contida e elegante, na qual ele privilegiou timbres orgânicos, guitarras limpas, violões, teclados clássicos e sintetizadores usados com extrema discrição. Com isso, temos uma base de Folk contemporâneo, somada a influências barrocas. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas. Em suma, é um disco muito legal e bastante coeso em sua proposta. 

Melhores Faixas: Otto’s Face, Hurlingham Suite 
Vale a Pena Ouvir: Sand Dunes, Elegy, Motherforest
  

                  Então é isso e flw!!!            

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