quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Anthony Phillips: Parte 3

                 

Private Parts And Pieces IV: A Catch At The Tables – Anthony Phillips





















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco de Anthony Phillips, o Private Parts & Pieces IV: A Catch at the Tables. Após o Antiques, Phillips se encontrava novamente dividido entre dois impulsos: a necessidade de sobreviver dentro do mercado fonográfico dos anos 80 e o desejo de preservar sua identidade artística mais introspectiva, instrumental e experimental. Com isso, decidiu continuar essa série reunindo material que havia gravado nos últimos cinco anos. A produção, feita por ele junto com Ricardo Scott e Trevor Vallis, valoriza as diferenças de textura, ambiência e densidade. Instrumentalmente, há a presença de guitarras acústicas de 12 e 8 cordas, guitarras elétricas discretas, teclados analógicos, Mellotron, sintetizadores primitivos e o uso ocasional de drum machine, formando um caldeirão de folk progressivo. O repertório é ótimo, e as canções têm uma pegada mais épica. No final, é um disco bacana e o melhor dessa série. 

Melhores Faixas: Dawn Over The Lake, The Sea And The Armadillo, Eduardo 
Vale a Pena Ouvir: Heart Of Darkness, Sistine

Private Parts And Pieces V – Twelve – Anthony Phillips




















NOTA: 8,3/10


No ano seguinte, foi lançada a 5ª parte dessa série, o Private Parts and Pieces V: Twelve. Após A Catch at the Tables, esse projeto nasce com uma proposta conceitual mais clara e, ao mesmo tempo, profundamente ligada a uma obsessão antiga do músico: a guitarra de 12 cordas. A concepção temática desse disco é extremamente simples na superfície, com doze peças nomeadas pelos meses do ano, mas que, na prática, explora uma linguagem musical muito rica e narrativa, evocando um ciclo anual interno e exterior. A produção é inteiramente feita pelo próprio Anthony Phillips, utilizando apenas guitarras de 12 cordas em diferentes afinações e abordagens técnicas, explorando tanto dedilhados delicados quanto padrões rítmicos mais encorpados, com foco na clareza do timbre, na ressonância natural das cordas e na dinâmica da execução. O repertório é muito bom, bem estruturado e com canções relaxantes. No geral, é um ótimo disco e bastante funcional. 

Melhores Faixas: May, August 
Vale a Pena Ouvir: June, September, March, December

Private Parts & Pieces VI: "Ivory Moon" Piano Pieces 1971-1985 – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho de Anthony Phillips, obviamente Private Parts & Pieces VI: Ivory Moon. Após o conceitual Twelve, ele decidiu fazer a troca da madeira das cordas pelo marfim das teclas, com o piano assumindo o papel central do álbum. Ainda assim, o espírito é o mesmo, introspectivo e profundamente pessoal, no qual ele não tenta mais conciliar ambições comerciais com sua linguagem autoral; ao contrário, esse projeto soa como um trabalho feito por pura necessidade expressiva. A produção, feita como sempre por ele próprio, partiu da decisão de reunir composições escritas para piano ao longo dos últimos 14 anos e apresentá-las sem reverberações artificiais exageradas ou camadas que tentem mascarar sua natureza acústica. Phillips opta por um som íntimo, que valoriza o ataque das teclas e uma ressonância natural. O repertório é muito bom, e as canções são bem aconchegantes. No geral, é um ótimo disco e bastante profundo. 

Melhores Faixas: Moonfall (From Masquerade), Rapids 
Vale a Pena Ouvir: The Old House, Suite: Sea-Dogs Motoring

Private Parts And Pieces VII: Slow Waves, Soft Stars – Anthony Phillips





















NOTA: 8,2/10


Outro ano se passou, e foi lançada a 7ª parte dessa série, o Private Parts and Pieces VII: Slow Waves, Soft Stars. Após o Ivory Moon, depois de explorar guitarras e piano, Anthony Phillips decidiu que o sétimo volume deveria seguir em outra direção sonora, buscando uma paleta mais ampla e atmosférica. O foco passou para sintetizadores e texturas ambientais, um desvio marcante em relação aos volumes anteriores, que eram mais centrados nas qualidades melódicas tradicionais do violão ou do piano. A produção, feita como sempre por ele próprio, partiu da decisão de trabalhar os sons com cuidado para que fossem envolventes, flutuantes e introspectivos, evidenciando tanto a técnica nos teclados quanto a sensibilidade no violão, com um uso amplo de sintetizadores que reforçam essa atmosfera mais puxada para a música ambiente e até com alguns traços de New Age. O repertório é muito bom, e as canções são bem relaxantes. No fim, é um ótimo disco e bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Pluto Garden, Vanishing Streets, Carnival 
Vale a Pena Ouvir: Goodbye Serenade, Ice Flight, End Of The Affair

Slow Dance – Anthony Phillips





















NOTA: 1,6/10


Entrando nos anos 90, Anthony Phillips meio que enlouquece e lança o chatíssimo Slow Dance. Após o Private Parts and Pieces VII: Slow Waves, Soft Stars, Phillips ficou muito maravilhado com a abordagem de seu projeto anterior e decidiu explorá-la ainda mais, não apenas isso, mas também investir na escrita orquestral simulada e em estruturas narrativas mais longas e contínuas. A produção, feita junto com Simon Heyworth, teve um amplo uso de sintetizadores, sequenciadores e teclados, utilizados para simular texturas orquestrais, cordas, madeiras e camadas harmônicas amplas. O disco é praticamente sem percussão no sentido tradicional; quando o ritmo existe, ele é apenas sugerido por pulsos internos, mudanças harmônicas e movimentos de vozes, o que deixa tudo pouco imersivo e preso a clichês da New Age, ficando bastante arrastado. O repertório contém 2 faixas que são bastante esquecíveis. Enfim, é um disco péssimo e que marcaria uma decadência. 

Melhores Faixas: (........) 
Piores Faixas: Slow Dance (Part 1), Slow Dance (Part 2)

Private Parts & Pieces VIII: New England – Anthony Phillips





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado Private Parts & Pieces VIII: New England, e aqui as coisas degringolaram. Após o chatíssimo Slow Dance, Anthony Phillips decidiu retornar às origens mais pastorais e acústicas de sua obra, agora filtradas por uma maturidade composicional mais serena e depurada. A produção, feita inteiramente por ele mesmo, é simples e direta, na qual opta por um som essencialmente acústico, centrado em guitarras de 12 e 6 cordas, com pouquíssimas interferências eletrônicas, apesar de haver algumas influências da New Age. Quando aparecem, teclados ou texturas adicionais são extremamente discretos, funcionando apenas como sustentação harmônica ou leve coloração atmosférica. Só que tudo fica bastante previsível, dando a impressão de que ele está reciclando muitas ideias já exploradas anteriormente. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções interessantes, sendo a maioria bastante chata. No final, é um trabalho sem graça e repetitivo. 

Melhores Faixas: La Dolorosa, Cathedral Woods, Unheard Cry, Pieces Of Eight 
Piores Faixas: Infra Dig, Aubade, Sunrise And The Seamonsters, Jaunty Roads, Spirals


            Por hoje é só, então flw!!!     

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