Picture This – Billy Cobham
NOTA: 3/10
Em 1987, mais um álbum foi lançado, intitulado Picture This, que já na capa mostrava que não era um bom sinal. Após o Powerplay, Cobham continuava a explorar arranjos mais sofisticados, com uma banda mais ampla e uma sonoridade que mistura Jazz Fusion com elementos mais melódicos do Jazz contemporâneo dos anos 80. A produção, feita junto com o pianista Michael Abene, foi mais polida e eletrônica do que a dos trabalhos anteriores de Billy Cobham, incorporando amplamente teclados e sintetizadores ao lado de instrumentos acústicos. Com a bateria raramente invadindo o espaço dos outros instrumentos, ela atua, ao contrário, guiando e organizando as ideias. Só que, no geral, o disco é muito repetitivo e acaba faltando muito mais groove e aquelas variações rítmicas características. O repertório é bem ruim: começa bem, mas depois decai com um monte de canções fracas. No fim, é um álbum ruim e foi, certamente, um grande tropeço.
Melhores Faixas: Same Ole Love, Two For Juan
Piores Faixas: This One's For Armando, Danse For Noh Masque, Sign 'O' The Times
Incoming – Billy Cobham
NOTA: 8/10
Então, chegando ao final dos anos 80, foi lançado o disco Incoming, e aqui as coisas voltaram ao normal. Após o fraquíssimo Picture This, ele decidiu, de certa forma, fazer um refinamento final dessa abordagem que explorou ao longo da década. O foco aqui é a construção coletiva, a fluidez e a clareza. O álbum soa como o trabalho de um músico que conhece profundamente suas ferramentas e opta por usá-las com economia, atuando mais como organizador do discurso musical do que como protagonista absoluto. A produção, feita pelo próprio Billy Cobham, é extremamente alinhada com o padrão do final dos anos 80: som limpo, compressão controlada, definição extrema dos instrumentos e ausência quase total de aspereza. A bateria do Cobham é registrada com precisão cirúrgica, privilegiando ataque, articulação e equilíbrio entre as peças, sem grandes ambiências. O repertório é muito legal, e as canções são todas bem dinâmicas. Enfim, é um bom álbum e bastante coeso.
Melhores Faixas: Caribbean Curry, One From The Heart
Vale a Pena Ouvir: Labyrinth Self's Center / Missed Direxion, Incoming
By Design – Billy Cobham
NOTA: 8,4/10
Melhores Faixas: Mirror's Image, Street Urchin, Layed Back Lifestyle
Vale a Pena Ouvir: Do You Mean To Imply, Dream, Kinky Dee
The Traveler – Billy Cobham
NOTA: 8,1/10
Três anos se passaram, e foi lançado o disco The Traveler, que é bem mais melódico. Após o By Design, para este novo trabalho, Billy Cobham quis que o álbum funcionasse quase como uma declaração poética. O título não sugere apenas deslocamento físico, mas também artístico e cultural. Cobham, que sempre foi profundamente interessado em ritmos africanos, caribenhos, latino-americanos e orientais, passa a integrá-los de maneira mais explícita e estrutural. A produção é mais orgânica e menos artificial do que nos discos anteriores. Ainda há teclados elétricos e texturas modernas, mas eles aparecem com uma função mais ambiental do que protagonista. Instrumentos acústicos e percussões ganham destaque, e a mixagem privilegia profundidade e sensação de espaço, em vez de impacto imediato. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas, com um lado mais envolvente. No fim, é um ótimo disco e bastante variado.
Melhores Faixas: Mushu Creole Blues, Fragolino
Vale a Pena Ouvir Just One Step Away, Dippin' The Bisquits In The Soup, All That Your Soul Provides
Drum 'n' Voice - All That Groove – Billy Cobham
NOTA: 8,5/10
Indo agora para o ano de 2001, foi lançado o álbum Drum ’n’ Voice – All That Groove. Após o The Traveler, Cobham passa a se interessar cada vez mais pela dimensão primordial do ritmo, não apenas como estrutura musical, mas como linguagem humana básica. Esse álbum representa um deslocamento conceitual importante. Aqui, Cobham reduz drasticamente a ênfase em harmonia tradicional, solos instrumentais extensos ou narrativas jazzísticas convencionais, deixando o foco direto na bateria e na voz (principalmente de artistas convidados). A produção, feita por ele próprio, é deliberadamente crua, orgânica e física. A bateria e as percussões são captadas com proximidade, ressaltando textura, ataque e a ressonância natural dos instrumentos. As vozes aparecem de forma direta, quase sem efeitos, reforçando o caráter humano e corporal do projeto. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem aconchegantes. No geral, é um trabalho bacana e coeso.
Melhores Faixas: I Want You Back, Hands Up!, Red Baron
Vale a Pena Ouvir: Sensations, Africa's Sounds, Leaving Now
Drum 'N' Voice 2 (due) – Billy Cobham
NOTA: 8/10
Cinco anos se passaram até o lançamento de Drum ’N’ Voice 2 (due), que segue uma abordagem diferente. Após o Drum ’n’ Voice – All That Groove, que tinha uma proposta mais vocal e percussiva, centrada no ritmo, este segundo volume retoma aspectos do Jazz-Funk e do Fusion clássico, combinando energia instrumental com arranjos que exploram tanto o groove quanto o virtuosismo. O álbum conta ainda com a presença de convidados ilustres, como Airto Moreira, Jan Hammer e Buddy Miles, entre outros. A produção, feita por Pino e Lino Nicolosi, estabelece um equilíbrio entre clareza sonora e energia instrumental, permitindo que cada convidado contribua com seu estilo sem que o disco perca coesão. Com isso, optaram por um som mais orgânico, com a bateria do Cobham captada de forma impactante, mas sem ansiedade excessiva. O repertório é muito legal, e as canções são mais técnicas. Em suma, é um trabalho bem interessante.
Melhores Faixas: One More Day To Live, Take Seven Vale a Pena Ouvir: Ozone Part 2, Real Funk, Running
Bom é isso e flw!!!





