quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Billy Cobham: Parte 3

                 

Picture This – Billy Cobham





















NOTA: 3/10


Em 1987, mais um álbum foi lançado, intitulado Picture This, que já na capa mostrava que não era um bom sinal. Após o Powerplay, Cobham continuava a explorar arranjos mais sofisticados, com uma banda mais ampla e uma sonoridade que mistura Jazz Fusion com elementos mais melódicos do Jazz contemporâneo dos anos 80. A produção, feita junto com o pianista Michael Abene, foi mais polida e eletrônica do que a dos trabalhos anteriores de Billy Cobham, incorporando amplamente teclados e sintetizadores ao lado de instrumentos acústicos. Com a bateria raramente invadindo o espaço dos outros instrumentos, ela atua, ao contrário, guiando e organizando as ideias. Só que, no geral, o disco é muito repetitivo e acaba faltando muito mais groove e aquelas variações rítmicas características. O repertório é bem ruim: começa bem, mas depois decai com um monte de canções fracas. No fim, é um álbum ruim e foi, certamente, um grande tropeço. 

Melhores Faixas: Same Ole Love, Two For Juan 
Piores Faixas: This One's For Armando, Danse For Noh Masque, Sign 'O' The Times

Incoming – Billy Cobham





















NOTA: 8/10


Então, chegando ao final dos anos 80, foi lançado o disco Incoming, e aqui as coisas voltaram ao normal. Após o fraquíssimo Picture This, ele decidiu, de certa forma, fazer um refinamento final dessa abordagem que explorou ao longo da década. O foco aqui é a construção coletiva, a fluidez e a clareza. O álbum soa como o trabalho de um músico que conhece profundamente suas ferramentas e opta por usá-las com economia, atuando mais como organizador do discurso musical do que como protagonista absoluto. A produção, feita pelo próprio Billy Cobham, é extremamente alinhada com o padrão do final dos anos 80: som limpo, compressão controlada, definição extrema dos instrumentos e ausência quase total de aspereza. A bateria do Cobham é registrada com precisão cirúrgica, privilegiando ataque, articulação e equilíbrio entre as peças, sem grandes ambiências. O repertório é muito legal, e as canções são todas bem dinâmicas. Enfim, é um bom álbum e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Caribbean Curry, One From The Heart 
Vale a Pena Ouvir: Labyrinth Self's Center / Missed Direxion, Incoming

By Design – Billy Cobham





















NOTA: 8,4/10


Indo para 1992, foi lançado um novo trabalho de Billy Cobham, intitulado By Design. Após o Incoming, e percebendo que o Jazz Fusion perdia espaço comercial, que o Jazz acústico retomava prestígio crítico e que havia um certo desgaste da estética digital excessivamente limpa da década anterior, este novo disco soa como um trabalho de afirmação conceitual. Cobham não tenta revisitar diretamente a fúria do Jazz-Rock dos anos 70, mas também não se limita ao molde do Smooth Jazz. A produção é bem mais sóbria e equilibrada, mantendo a presença marcante de teclados elétricos e digitais, porém usados de forma mais contida, frequentemente como sustentação harmônica em vez de protagonistas sonoros. Já a bateria apresenta um caráter mais definido, focando mais na articulação rítmica e no desenho dos grooves do que na imponência sonora. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. No geral, é um ótimo disco e bastante ousado em seu formato. 

Melhores Faixas: Mirror's Image, Street Urchin, Layed Back Lifestyle 
Vale a Pena Ouvir: Do You Mean To Imply, Dream, Kinky Dee

The Traveler – Billy Cobham





















NOTA: 8,1/10


Três anos se passaram, e foi lançado o disco The Traveler, que é bem mais melódico. Após o By Design, para este novo trabalho, Billy Cobham quis que o álbum funcionasse quase como uma declaração poética. O título não sugere apenas deslocamento físico, mas também artístico e cultural. Cobham, que sempre foi profundamente interessado em ritmos africanos, caribenhos, latino-americanos e orientais, passa a integrá-los de maneira mais explícita e estrutural. A produção é mais orgânica e menos artificial do que nos discos anteriores. Ainda há teclados elétricos e texturas modernas, mas eles aparecem com uma função mais ambiental do que protagonista. Instrumentos acústicos e percussões ganham destaque, e a mixagem privilegia profundidade e sensação de espaço, em vez de impacto imediato. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas, com um lado mais envolvente. No fim, é um ótimo disco e bastante variado. 

Melhores Faixas: Mushu Creole Blues, Fragolino 
Vale a Pena Ouvir Just One Step Away, Dippin' The Bisquits In The Soup, All That Your Soul Provides

Drum 'n' Voice - All That Groove – Billy Cobham





















NOTA: 8,5/10


Indo agora para o ano de 2001, foi lançado o álbum Drum ’n’ Voice – All That Groove. Após o The Traveler, Cobham passa a se interessar cada vez mais pela dimensão primordial do ritmo, não apenas como estrutura musical, mas como linguagem humana básica. Esse álbum representa um deslocamento conceitual importante. Aqui, Cobham reduz drasticamente a ênfase em harmonia tradicional, solos instrumentais extensos ou narrativas jazzísticas convencionais, deixando o foco direto na bateria e na voz (principalmente de artistas convidados). A produção, feita por ele próprio, é deliberadamente crua, orgânica e física. A bateria e as percussões são captadas com proximidade, ressaltando textura, ataque e a ressonância natural dos instrumentos. As vozes aparecem de forma direta, quase sem efeitos, reforçando o caráter humano e corporal do projeto. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem aconchegantes. No geral, é um trabalho bacana e coeso. 

Melhores Faixas: I Want You Back, Hands Up!, Red Baron 
Vale a Pena Ouvir: Sensations, Africa's Sounds, Leaving Now

Drum 'N' Voice 2 (due) – Billy Cobham





















NOTA: 8/10


Cinco anos se passaram até o lançamento de Drum ’N’ Voice 2 (due), que segue uma abordagem diferente. Após o Drum ’n’ Voice – All That Groove, que tinha uma proposta mais vocal e percussiva, centrada no ritmo, este segundo volume retoma aspectos do Jazz-Funk e do Fusion clássico, combinando energia instrumental com arranjos que exploram tanto o groove quanto o virtuosismo. O álbum conta ainda com a presença de convidados ilustres, como Airto Moreira, Jan Hammer e Buddy Miles, entre outros. A produção, feita por Pino e Lino Nicolosi, estabelece um equilíbrio entre clareza sonora e energia instrumental, permitindo que cada convidado contribua com seu estilo sem que o disco perca coesão. Com isso, optaram por um som mais orgânico, com a bateria do Cobham captada de forma impactante, mas sem ansiedade excessiva. O repertório é muito legal, e as canções são mais técnicas. Em suma, é um trabalho bem interessante. 

Melhores Faixas: One More Day To Live, Take Seven 
Vale a Pena Ouvir: Ozone Part 2, Real Funk, Running


                   Bom é isso e flw!!!         

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