terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Billy Cobham: Parte 2

                 

Magic – Billy Cobham





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho do baterista, intitulado Magic. Após Life & Times, Cobham percebeu que o final dos anos 70 foi marcado por uma crescente aproximação do Jazz Fusion com o Funk, a música dançante e produções mais acessíveis, algo que afetou praticamente todos os grandes nomes do gênero. Com isso, ele quis fazer algo mais amplo, refletindo tanto a maturidade técnica de Cobham quanto uma tentativa de dialogar com um público além do nicho estritamente jazzístico. A produção, conduzida por ele próprio, se reflete em uma sonoridade bastante calculada e organizada. A bateria, embora ainda extremamente presente, passa a funcionar mais como eixo de sustentação do groove coletivo. O som é polido e com bastante ênfase em sintetizadores, que carregam boa parte da identidade harmônica do álbum. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes e variadas. Enfim, é um ótimo disco, que trouxe algo promissor. 

Melhores Faixas: Antares The Star, Magic 
Vale a Pena Ouvir: On A Magic Carpet Ride, AC/DC, Reflections In The Clouds

Inner Conflicts – Billy Cobham





















NOTA: 8,2/10


Entrando em 1978, foi lançado mais um álbum do Billy Cobham, o interessante Inner Conflicts. Após o Magic, ele quis aprofundar essa temática, mas com uma diferença conceitual importante: o disco carrega uma intenção mais introspectiva, menos exuberante e menos centrada na virtuosidade ostensiva. O próprio título sugere uma reflexão interna, quase um comentário sobre as tensões entre liberdade criativa, exigências comerciais e maturidade artística. A produção foi praticamente a mesma, resultando em um som limpo, denso e cuidadosamente arquitetado. As composições são estruturadas de maneira mais direta, com temas facilmente identificáveis e seções bem definidas. A produção evita excessos de improvisações longas e trabalha mais com variações sutis de dinâmica, timbre e acentuação. O repertório contém 5 faixas bem vibrantes e com um toque mais preciso. No fim de tudo, é um ótimo disco, mas bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Nickels And Dimes, Inner Conflicts 
Vale a Pena Ouvir: Arroyo, The Muffin Talks Back, El Barrio

Simplicity Of Expression - Depth Of Thought – Billy Cobham





















NOTA: 8/10

Meses se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Billy Cobham, o Simplicity of Expression – Depth of Thought. Após o Inner Conflicts, ele decidiu fazer um retorno parcial a uma linguagem mais sofisticada, intelectualizada e próxima do Jazz moderno, ainda que filtrada pela estética elétrica e pela produção típica do final dos anos 70. Cobham estava interessado em explorar a ideia de que clareza formal e concisão não são opostas à profundidade musical. A produção, feita em conjunto com Jay Chattaway, é cuidadosa e deliberadamente elegante. O som é limpo, com grande atenção à definição de timbres e ao espaço entre os instrumentos. A bateria de Cobham é captada de forma precisa, porém integrada ao conjunto, sem aquele protagonismo esmagador, já que isso fica mais para as camadas de sintetizadores. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e dinâmicas. Enfim, é um trabalho bacana e que vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Pocket Change, La Guernica 
Vale a Pena Ouvir: Bolinas, Early Libra

B.C. – Billy Cobham





















NOTA: 7,3/10


Então, chegando ao fim dos anos 70, foi lançado mais um trabalho dele, o B.C., que trouxe algumas falhas. Após o Simplicity of Expression – Depth of Thought, o Jazz Fusion já havia perdido parte do impacto revolucionário que tivera no início da década. Muitos de seus protagonistas buscavam novas formas de relevância artística, seja pela sofisticação formal, seja por uma aproximação maior com linguagens mais acessíveis. Com isso, Billy Cobham tentava equilibrar cada influência que buscou. A produção foi a mesma, com a bateria sendo um elemento central, mas agora aparecendo completamente integrada ao conjunto, sem a agressividade frontal dos primeiros discos. Aqui, percebe-se uma grande integração de elementos de sintetizadores e ritmos que remetem à Disco music, porém sem uma forma muito definida. O repertório é bom: há canções bem imersivas e outras esquecíveis. No fim de tudo, é um disco legal, mas com pequenos erros. 

Melhores Faixas: Dana, Bring Up The House Lights, Oh Mendocino 
Piores Faixas: I Don't Want To Be Without You, What Is Your Fantasy

Stratus – Billy Cobham's Glassmenagerie





















NOTA: 6/10


Entrando nos anos 80, Billy Cobham lança o disco o Stratus, que traz regravações em uma nova roupagem. Após o B.C., Cobham decidiu criar o projeto Glassmenagerie, uma formação em que o baterista explora uma fusão de Jazz-Rock e Jazz Fusion com elementos contemporâneos, oferecendo arranjos mais curtos e focados do que os longos experimentos instrumentais que marcaram seus primeiros anos. A produção foi mais direta, privilegiando a coesão do grupo. A bateria de Cobham continua sendo referência de precisão e força rítmica, mas aqui está melhor integrada ao conjunto do que em discos anteriores, com foco em grooves intensos e arranjos que permitem maior espaço aos outros membros da banda. O problema é que há muita coisa que não funciona e que se afasta bastante da proposta original. O repertório é mediano: há regravações que deixam a desejar e canções novas até que interessantes. Enfim, é um álbum mediano e bastante inconsistente. 

Melhores Faixas: Drum-Solo, All Hallows Eve 
Piores Faixas: Wrapped In A Cloud, AC / DC

Warning – Billy Cobham





















NOTA: 8/10


Quatro anos depois, agora sem qualquer projeto por trás, o Billy Cobham lança o álbum Warning. Após o Stratus, este álbum surge numa fase em que Cobham experimentava com uma sonoridade mais acessível e contemporânea. Este foi seu primeiro lançamento pelo selo GRP Records, gravadora que, na época, era sinônimo de Jazz moderno com produção polida e uma estética sonora voltada para a conectividade entre Jazz, Funk e uma acessibilidade Pop. Produção feita por ele mesmo com auxílio do Dave Grusin e Larry Rosen, é caracteristicamente voltada para claridade de som, grooves bem definidos e foco nos teclados, Cobham está em plena forma técnica, mas opta por servir a música como um todo, distribuindo o espaço entre bateria, teclado, guitarra e baixo de forma organizada e funcional. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e com um caminho mais melódico. No fim, é um disco bacana e que recuperou sua temática padrão. 

Melhores Faixas: Unknown Jeromes, The Dancer 
Vale a Pena Ouvir: Go For It!, Mozaik

Powerplay – Billy Cobham





















NOTA: 8,3/10


No ano seguinte, foi lançado mais um novo disco do Billy Cobham, o ainda mais acessível Powerplay. Após o Warning, Cobham aprofunda sua parceria com a estética da GRP Records, selo que se tornou sinônimo de Jazz moderno altamente produzido, com forte presença de teclados digitais, grooves precisos e uma abordagem mais direta, voltada tanto para músicos quanto para um público mais amplo. A produção, feita em conjunto com o tecladista Onaje Allan Gumbs, é altamente polida, limpa e precisa. Tudo soa extremamente definido: a bateria é cristalina, os teclados são dominantes e o baixo ocupa um papel central no groove. A bateria do Cobham continua impressionante, mas agora atua quase como um motor rítmico perfeito, com menos liberdade improvisatória e mais foco na sustentação. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. Em suma, é um disco bacana e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Zanzibar Breeze, Desiccated Coconuts 
Vale a Pena Ouvir: A Light Shines In Your Eyes, Times Of My Life

        Então é isso, um abraço e flw!!!                 

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