sábado, 17 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Mahavishnu Orchestra: Parte 2

                 

Apocalypse – Mahavishnu Orchestra With The London Symphony Orchestra, Michael Tilson Thomas





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, foi lançado o ambicioso 3º álbum do Mahavishnu, intitulado Apocalypse. Após Birds of Fire, o grupo já não era apenas uma banda de Jazz-Rock virtuosa, mas um projeto que carregava expectativas de expansão estética e espiritual. Só que todo mundo decidiu sair, e o que parecia o fim acabou se tornando uma renovação, com as entradas de Gayle Moran (teclados), Jean-Luc Ponty (violino), Ralphe Armstrong (baixo) e Narada Michael Walden (bateria). Com isso, decidiram fazer uma colaboração com a Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência do maestro Michael Tilson Thomas. A produção, feita pelo lendário George Martin, foi muito mais complexa, equilibrando o lado elétrico do Jazz com a temática orquestral, com Tilson Thomas desempenhando um papel central ao atuar como mediador entre dois universos musicais distintos. O repertório é muito bom, com 5 faixas longas e consistentes. No fim, é um belo disco e bem estruturado. 

Melhores Faixas: Vision Is A Naked Sword, Hymn To Him 
Vale a Pena Ouvir: Wings Of Karma, Power Of Love, Smile Of The Beyond

Visions Of The Emerald Beyond – Mahavishnu Orchestra





















NOTA: 9,7/10


Outro ano se passou, e foi lançado o também maravilhoso álbum Visions of the Emerald Beyond. Após O Apocalypse, vendo que a formação conseguiu engrenar, John McLaughlin decidiu incorporar elementos mais evidentes do Jazz contemporâneo, Soul, Funk e até Pop espiritualizado, sem abandonar completamente a complexidade rítmica e harmônica que sempre caracterizou o Mahavishnu. A produção, feita por Ken Scott junto com a banda, é mais limpa, aberta e detalhista em comparação aos trabalhos anteriores, onde cada instrumento encontra espaço para respirar. Os teclados ganham um papel central na construção das atmosferas, enquanto o baixo e a bateria trabalham com grooves mais definidos, frequentemente próximos do Jazz-Funk. Além disso, temos vocais pontuais de Gayle Moran, que são, de certo modo, etéreos. O repertório é incrível, e as canções são belíssimas e bem técnicas. No fim, é outro disco sensacional, que também é um clássico. 

Melhores Faixas: Eternity's Breath - Part 2, Lila's Dance, Be Happy, Earth Ship, Cosmic Strut
Vale a Pena Ouvir: On The Way Home To Earth, Can't Stand Your Funk, Faith

Inner Worlds – Mahavishnu Orchestra / John McLaughlin





















NOTA: 8,5/10


Entrando em 1976, foi lançado o quinto álbum deles, o menosprezadíssimo Inner Worlds. Após o Visions of the Emerald Beyond, a banda já mostrava sinais de desgaste, tanto em termos criativos quanto de identidade. McLaughlin, profundamente envolvido com sua busca espiritual e interessado em expandir ainda mais seu vocabulário musical, passa a olhar para além do formato tradicional de grupo. Isso acarretou a saída do Jean-Luc Ponty e do Gayle Moran, sendo este o único a ser substituído pelo tecladista Stu Goldberg. A produção, feita em sua maioria por John McLaughlin junto com Dennis MacKay, seguiu por um caminho mais refinado, com cuidado especial na clareza dos arranjos e na integração entre instrumentos elétricos, acústicos e elementos não ocidentais. O som privilegia texturas, atmosferas e espaços, em vez de densidade e impacto imediato. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais intimistas. Enfim, é um disco legal e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Inner Worlds Part 1 & 2, The Way Of The Pilgrim, All In The Family 
Vale a Pena Ouvir: Miles Out, River Of My Heart

Mahavishnu – Mahavishnu





















NOTA: 5,4/10


Indo para 1984, foi lançado um novo trabalho da banda, que é praticamente autointitulado. Após o Inner Worlds, com o Mahavishnu Orchestra tendo chegado ao fim em meados dos anos 70, McLaughlin havia seguido caminhos diversos: aprofundou-se na música indiana com o Shakti, explorou o Jazz acústico, projetos de guitarra solo e colaborações mais tradicionais. Só que, após observar várias expansões dessa vertente, ele reuniu o baixista Jonas Hellborg, o saxofonista Bill Evans, o tecladista Mitchel Forman e contou com o retorno de Billy Cobham na bateria. A produção, feita pelo próprio McLaughlin, apostou em arranjos mais organizados, texturas bem delineadas e uma abordagem mais controlada da dinâmica. Além disso, há grande presença de sintetizadores e efeitos típicos dos anos 80, mas muita coisa soa deslocada e sem forma. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras fraquíssimas. No geral, é um trabalho irregular e com muitos erros. 

Melhores Faixas: East Side West Side, Pacific Express, Radio Activity 
Piores Faixas: The Unbeliever, Clarendon Hills, Nostalgia

The Lost Trident Sessions – Mahavishnu Orchestra





















NOTA: 9,5/10


Lá por 1999, foi lançado o que é praticamente o último trabalho do Mahavishnu Orchestra, o The Lost Trident Sessions. Após o álbum de 1984, com o fim definitivo da banda, a gravadora Columbia conseguiu resgatar um material engavetado da fase de ouro do grupo, antes que as tensões internas, o desgaste das turnês e as divergências artísticas começassem a minar a coesão da banda. No entanto, os problemas que já se anunciavam na convivência do grupo acabaram inviabilizando a finalização do projeto. A produção, feita pela banda, com remasterização de Bob Belden, revela um lado cru que carrega a urgência e a intensidade típicas do Mahavishnu, com guitarras e teclados agressivos, bateria explosiva e linhas de baixo firmes, ainda que a mixagem exponha limitações técnicas da época e do estado inacabado das sessões. O repertório é incrível, e as canções trazem um lado energético e improvisado. Em suma, é um baita álbum, quase uma joia rara. 

Melhores Faixas: Dream, Trilogy 
Vale a Pena Ouvir: John's Song #2, I Wonder


         Por hoje é só, então flw!!!       

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