domingo, 1 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Al Di Meola: Parte 2

                  

Elegant Gypsy – Al Di Meola





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o espetacular e sensacional 2º álbum solo do Al Di Meola, o Elegant Gypsy. Após o Land of the Midnight Sun, que ainda carregava muito da estética e da urgência do Jazz Fusion herdado do Return to Forever, este novo projeto representa um salto de identidade. Aqui, Di Meola deixa de ser apenas o jovem prodígio da guitarra veloz e passa a afirmar uma linguagem própria, baseada em uma fusão muito mais consciente entre Jazz, Rock, música latina e referências mediterrâneas. A produção, feita obviamente por ele próprio, é extremamente cuidadosa e revela um controle muito maior do espaço sonoro em relação ao álbum anterior. O som é limpo, preciso e bem definido, permitindo que cada instrumento tenha uma função clara dentro dos arranjos. Com isso, percebe-se a influência do Jazz latino e do Flamenco nesse caldeirão elétrico. O repertório é sensacional, fazendo o álbum parecer até uma coletânea. Enfim, é um trabalho incrível e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Mediterranean Sundance, Flight Over Rio 
Vale a Pena Ouvir: Elegant Gypsy Suite, Race With Devil On Spanish Highway

Casino – Al Di Meola





















NOTA: 9,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado outro trabalho fantástico dele, intitulado Casino. Após o excepcional Elegant Gypsy, ele decidiu avançar para um território mais urbano, funkado e acessível, refletindo também o contexto do final dos anos 70, quando o Jazz Fusion começava a flertar com formatos mais diretos e grooves mais pesados. Di Meola não abdica de sua palhetada agressiva e de sua obsessão rítmica, mas reorganiza esses elementos em estruturas mais compactas, com temas mais evidentes e arranjos menos labirínticos. A produção, feita mais uma vez pelo próprio guitarrista, é mais polida e controlada, com foco evidente na clareza dos grooves e no impacto rítmico. O som é mais seco, menos atmosférico e mais direto, privilegiando a seção rítmica e a articulação precisa da guitarra. O repertório é incrível, e as canções são bem mais cadenciadas e vibrantes. No fim, é um baita disco, que mostrou um lado ainda mais amplo. 

Melhores Faixas: Dark Eye Tango, Casino 
Vale a Pena Ouvir: Chasin' The Voodoo

Splendido Hotel – Al Di Meola





















NOTA: 8,6/10


Entrando nos anos 80, foi lançado mais um trabalho novo do Al Di Meola, o Splendido Hotel. Após o Casino, Di Meola passa a se enxergar menos como um guitarrista tradicional e mais como um compositor interessado em narrativa, atmosfera e imagem sonora. O disco surge em um contexto em que o Jazz Fusion dos anos 70 começava a perder força criativa. Muitos músicos migravam para formas mais acessíveis, enquanto outros buscavam novas estruturas conceituais, e com isso ele decidiu tentar fazer algo mais variado. A produção foi a mesma, só que ficou mais polida e atmosférica. O som é cuidadosamente equilibrado para evitar excessos: a guitarra elétrica surge com timbres mais suaves, frequentemente menos distorcidos, enquanto o violão acústico ganha destaque como elemento expressivo e não apenas técnico, além de arranjos limpos. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais variadas. Enfim, é um disco interessante e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Splendido Sundance, Roller Jubilee, Silent Story In Her Eyes 
Vale a Pena Ouvir: Spanish Eyes, Alien Chase On Arabian Desert

Electric Rendezvous – Al Di Meola





















NOTA: 8,7/10


Dois anos depois, foi lançado outro disco, intitulado Electric Rendezvous (ainda bem que isso não é Hair Metal). Após o Splendido Hotel, Al Di Meola decidiu fazer um projeto que fosse uma resposta clara à necessidade de reativar a energia do Jazz-Rock, agora filtrada por um músico mais maduro, consciente de forma, timbre e estrutura, focando na precisão rítmica, no groove e na clareza composicional, mais do que na demonstração contínua de velocidade. A produção foi feita junto com Dennis Mackay e seguiu para um som seco, direto e extremamente definido, com a guitarra elétrica em posição frontal, ataque agressivo e pouco espaço para ambiências excessivas. A seção rítmica é tratada como eixo do álbum: baixo e bateria sustentam grooves sólidos, muitas vezes repetitivos, criando uma base quase hipnótica sobre a qual a guitarra se movimenta. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e dinâmicas. No geral, é um disco legal e até pesado. 

Melhores Faixas: Ritmo De La Noche, Cruisin' 
Vale a Pena Ouvir: God Bird Change, Passion, Grace & Fire

Scenario – Al Di Meola





















NOTA: 6/10


Mais um ano se passa, e então foi lançado o fraquíssimo álbum Scenario, que tentou ser mais acessível. Após o Electric Rendezvous, depois de muito resistir à sua sonoridade característica, Al Di Meola seguiu por um caminho que flerta abertamente com a música programada, o ambiente urbano e a estética do Pop instrumental dos anos 80; além disso, ele já estava decidido a sair da gravadora Columbia após este disco. A produção foi mais modernizada, com timbres digitais, uso intenso de sintetizadores, ritmos programados e uma sonoridade mais fria e artificial. Os arranjos são densos, mas não no sentido tradicional do Jazz Fusion; eles se sobrepõem em camadas eletrônicas, criando paisagens sonoras mais do que grooves. Há pouca margem para variações orgânicas e, com isso, parece faltar algo mais concreto, fazendo o álbum soar bastante repetitivo. O repertório é irregular: há canções legais e outras bem enjoativas. No final de tudo, é um trabalho mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Scenario, African Night, Calliope 
Piores Faixas: Hypnotic Conviction, Island Dreamer, Scoundrel
 

Passion, Grace & Fire – John McLaughlin, Al Di Meola & Paco De Lucía





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano, foi lançado um álbum colaborativo intitulado Passion, Grace & Fire. Após o Scenario, Al Di Meola havia recém se tornado amigo de Paco de Lucía, um dos maiores guitarristas de flamenco, e eles fariam uma turnê junto com John McLaughlin, que resultou no álbum ao vivo Friday Night in San Francisco, um grande sucesso. Agora, decidiram fazer um álbum de estúdio que fosse mais equilibrado e refinado. A produção, feita pelo trio, é extremamente limpa e transparente, com foco absoluto na articulação, no timbre e na dinâmica entre os três instrumentos. Não há artifícios: nada de overdubs excessivos, efeitos ou camadas artificiais. Cada instrumento cumpre um papel preciso: McLaughlin tende ao papel harmônico-modal, Di Meola à precisão rítmica, e Paco de Lucía ao centro expressivo e rítmico, com seu fraseado flamenco. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem aconchegantes. Enfim, é um ótimo álbum e bem consistente. 

Melhores Faixas: Orient Blue, Passion, Grace And Fire 
Vale a Pena Ouvir: Chiquito

Cielo E Terra – Al Di Meola





















NOTA: 6/10


Dois anos se passaram, e foi lançado novamente mais um trabalho solo dele, o Cielo e Terra. Após o Passion, Grace & Fire, este álbum surge como uma tentativa clara de reunificar polos opostos de sua linguagem: o elétrico e o acústico, o racional e o emocional, o rigor técnico e o lirismo mediterrâneo. Agora, já vinculado à Manhattan Records, ele se submete a uma lógica mais orgânica, devolvendo centralidade à melodia, ao violão acústico e à sensação de espaço humano. A produção foi feita por ele junto com David Baker e é mais quente, com a presença de elementos eletrônicos, mas usados de forma muito mais discreta, quase sempre como pano de fundo. O foco volta a ser o timbre natural da guitarra e do violão, com atenção especial à dinâmica e ao ataque das notas, mostrando influências do Flamenco Jazz e do estilo de Jazz associado à gravadora ECM. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas. No fim, é um disco bacana e consistente. 

Melhores Faixas: Coral, Atavism Of Twilight 
Vale a Pena Ouvir: Cielo E Terra, Solace

Soaring Through A Dream – Al Di Meola Project





















NOTA: 8,2/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado o álbum Soaring Through a Dream, do chamado Al Di Meola Project. Após o Cielo e Terra, Di Meola decidiu fazer um projeto que fosse um espaço de experimentação mais leve, atmosférica e contemplativa, menos preocupado com afirmações de identidade e mais com fluxo e sensação. O uso do nome “Project” não é casual: ele indica uma obra menos autorreferente e menos centrada na figura do guitarrista virtuoso, já que ele reúne uma formação com Phil Markowitz (teclados), Chip Jackson (baixo), Danny Gottlieb (bateria) e Airto Moreira (percussão). A produção, feita junto com David Baker, resulta em uma sonoridade etérea e polida. Os timbres são suaves, com guitarras elétricas pouco distorcidas, violões delicados e teclados que funcionam como camadas de ar e luz, combinando Jazz Fusion, New Age e Smooth Jazz. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves. No fim, é um disco interessante e atmosférico. 

Melhores Faixas: Capoeira, Marina (Airto arriscou nos vocais aqui) 
Vale a Pena Ouvir: Soaring Through A Dream

Tirami Su – Al Di Meola Project





















NOTA: 8/10


Mais dois anos se passam, e foi lançado outro álbum dessa fase, o Tirami Su, que tem um contexto diferente. Após o Soaring Through a Dream, a formação que Al Di Meola havia montado acabou se desmanchando, e com isso ele teve que reunir alguns músicos desconhecidos para fazer parte do projeto. Com esse disco, ele buscou criar uma obra de atmosfera, feita para fluir, para acompanhar estados de espírito, para existir mais como ambiente do que como discurso. A produção, feita por ele mesmo, é bem mais elegante, com timbres quentes, especialmente no violão, enquanto a guitarra elétrica aparece com ataques suaves e sustain controlado. Os teclados continuam presentes, mas agora plenamente integrados ao conjunto, nunca dominando a cena. A seção rítmica trabalha de maneira discreta, muitas vezes sugerindo pulsos em vez de estabelecer grooves marcados. O repertório é até bacana, com as canções sendo mais técnicas. Mas, enfim, é um disco bom, apesar de faltar algo mais. 

Melhores Faixas: Song To The Pharaoh Kings, Rhapsody Of Fire 
Vale a Pena Ouvir: Song With A View, Arabella, Maraba

World Sinfonia – Al Di Meola





















NOTA: 8,3/10


Indo para 1991, foi lançado outro trabalho de Al Di Meola, o World Sinfonia (que não é tão mundial assim). Após o Tirami Su, Di Meola entra nos anos 90 com uma decisão clara: o centro de sua música volta a ser o violão acústico, e não mais a guitarra elétrica ou os arranjos eletrônicos. Com isso, ele decidiu fazer um trabalho voltado para a música latina e hispano-americana. A produção, conduzida por ele próprio, é sóbria, natural e centrada no timbre acústico. O violão aparece em primeiro plano, com captação limpa, dinâmica ampla e sensação de espaço real. Os arranjos privilegiam instrumentos acústicos (violões adicionais, percussões leves, entre outros), sempre usados com parcimônia. Nada soa excessivo ou ornamental, seguindo um cruzamento direto com a nova identidade que o Flamenco e o Tango conquistaram a partir dos anos 70. O repertório é muito bom, e as canções são mais puxadas para o sentimentalismo. No fim, é um ótimo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Tango Suite Part I & II (Allegro), La Cathedral, Last Tango For Astor 
Vale a Pena Ouvir: Orient Blue, No Mystery

Kiss My Axe – The Al Di Meola Project





















NOTA: 8/10


E aí, já perto do fim daquele ano, foi lançado mais um trabalho dele, o Kiss My Axe. Após o World Sinfonia, Al Di Meola sentia a necessidade de reafirmar sua identidade elétrica, mas sem simplesmente retornar ao Jazz Fusion agressivo dos anos 70. Assim, fez um disco que consegue dialogar diretamente com o início dos anos 90, absorvendo referências contemporâneas sem abdicar da assinatura pessoal. A produção, feita junto com Barry Miles, é encorpada e extremamente bem controlada. A guitarra elétrica volta ao centro, mas com timbres mais densos, sustain longo e menos ataque percussivo. Os teclados aparecem com força, criando camadas atmosféricas que aproximam o disco do Pop Rock da época. A bateria e o baixo sustentam grooves sólidos, frequentemente simples, mas eficazes. É um álbum que valoriza a clareza estrutural, e não a complexidade excessiva. O repertório é muito legal, e as canções são bem cadenciadas. Enfim, é um disco interessante e coeso. 

Melhores Faixas: Phantom, Kiss My Axe 
Vale a Pena Ouvir: Purple Orchids, Morocco, One Night Last June

Orange And Blue – Al Di Meola





















NOTA: 8,5/10


Três anos depois, Al Di Meola retorna com mais um álbum novo, o Orange and Blue. Após o Kiss My Axe, ele não quis fazer um projeto de afirmação, nem técnica, nem histórica. O álbum nasce como uma obra de síntese madura, onde convivem Jazz, música latina, Tango, referências mediterrâneas e um senso muito refinado de composição. Assim, faz um trabalho que soa menos conceitual e mais orgânico, quase como um diário musical, com muitas influências tiradas de sua passagem pela Grécia. A produção, feita junto com Hernán Romero, é transparente, equilibrada e profundamente musical. A guitarra elétrica e o violão coexistem com naturalidade, sem hierarquia rígida. A seção rítmica é elegante e sempre a serviço do groove, nunca da demonstração técnica, enquanto os teclados aparecem de forma discreta, criando texturas suaves. O repertório é muito legal, e as canções são mais melódicas. No geral, é um trabalho interessante e profundo. 

Melhores Faixas: This Way Before, Precious Little You, Cyprus 
Vale a Pena Ouvir: Theme Of The Mother Ship, Chilean Pipe Song, Orange And Blue

Então é isso, um abraço e flw!!!                 

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