segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Al Di Meola: Parte 3

                 

The Guitar Trio – Paco De Lucía, Al Di Meola, John McLaughlin





















NOTA: 9,7/10


Indo para 1996, foi lançado o último álbum do trio McLaughlin, Di Meola e De Lucía, o The Guitar Trio. Após o lançamento do Orange And Blue, os três decidem retornar, e já haviam expandido profundamente seus universos individuais: Paco como o grande modernizador do Flamenco, McLaughlin como um arquiteto do Jazz Fusion, e Di Meola como um compositor cada vez mais interessado em lirismo, música do mundo e forma. Decidem fazer um álbum que é bem mais camerístico e composicional. A produção, conduzida por ambos, é deliberadamente limpa, íntima e transparente, focada em capturar o timbre natural de cada instrumento e, sobretudo, a interação entre eles. Não há tentativa de criar ilusão de grandeza nem de preencher espaços: o silêncio, o respiro entre frases e o ataque das cordas fazem parte da arquitetura sonora do álbum. O repertório é incrível, e as canções, apesar de complexas, passam aquele clima de leveza. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Beyond The Mirage, Manhã De Carnaval, La Estiba, Espiritu 
Vale a Pena Ouvir: Le Monastère Dans Les Montagnes, Midsummer Night

The Infinite Desire – Al Di Meola





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um material novo do Al Di Meola, o The Infinite Desire. Após o The Guitar Trio, com a chegada do fim dos anos 90, Di Meola estava cada vez mais interessado em formas acessíveis sem abrir mão da complexidade, aproximando-se de estruturas mais melódicas, grooves definidos e arranjos com peso rítmico. Fazendo um álbum que dialoga tanto com ouvintes de Jazz Fusion quanto com públicos mais amplos interessados em música instrumental moderna. A produção, conduzida por ele junto com Hernan Romero, é polida e contemporânea, com grande atenção à textura sonora. Di Meola assume controle criativo absoluto, equilibrando guitarras elétricas altamente definidas com camadas de teclados, percussões eletrônicas e acústicas, além de algumas participações vocais pontuais. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco interessante e com bastante imersão. 

Melhores Faixas: The Infinite Desire, Istanbul 
Vale a Pena Ouvir: Invention Of The Monsters, Big Sky Azzura, Shaking The Spirits

Winter Nights – Al Di Meola





















NOTA: 8,2/10


Chegando a 1999, foi lançado outro trabalho de Al Di Meola, intitulado Winter Nights. Após o The Infinite Desire, Di Meola se afasta da exuberância rítmica e da ambição “cinematográfica” do disco anterior para construir um trabalho intimista, acústico e contemplativo, fortemente ligado à ideia de recolhimento. É um disco menos “global” e mais emocionalmente localizado, onde o guitarrista parece interessado em traduzir estados de espírito. A produção, feita mais uma vez junto com Hernan Romero, é minimalista e calorosa, privilegiando o violão acústico e a sensação de proximidade física com o instrumento. O som é captado de forma muito direta, com pouca intervenção artificial, deixando evidentes o ataque das cordas, o corpo do violão e até pequenas imperfeições naturais da execução, que aqui funcionam como elementos expressivos. O repertório ficou muito bom, e as canções passam muito bem esse lado atmosférico. Enfim, é um disco bacana e intimista. 

Melhores Faixas: Greensleeves, Inverno, Ave Maria 
Vale a Pena Ouvir: Have Yourself A Merry Little Christmas, Zima, First Snow

Consequence Of Chaos – Al Di Meola





















NOTA: 8/10


Pulando para 2006, Al Di Meola lança mais um trabalho novo, o Consequence Of Chaos. Após o Winter Nights, Di Meola decide aqui reassumir a guitarra elétrica como centro expressivo, mas sem qualquer nostalgia direta do Jazz Fusion setentista. O álbum também reflete um artista atento ao clima político e social do início dos anos 2000. O próprio título sugere uma leitura crítica do mundo contemporâneo, marcado por conflitos, instabilidade e tensões globais. A produção, feita inteiramente por ele próprio, é densa, musculosa e altamente controlada, com clara influência da estética moderna do Fusion contemporâneo. A guitarra elétrica surge com timbre encorpado, cortante e muitas vezes distorcido, ocupando o primeiro plano, enquanto baixo e bateria constroem bases rítmicas rígidas, quase industriais em alguns momentos. O repertório é muito bom, e as canções passam aquele lado mais imersivo. No geral, é um disco bacana e consistente em sua proposta. 

Melhores Faixas: Cry For You, Tempest 
Vale a Pena Ouvir: Azucar, Red Moon, Black Pearls, Turquoise

Elysium – Al Di Meola





















NOTA: 5/10


Em 2015, Al Di Meola retorna com um disco novo intitulado Elysium, que é bem fraquinho. Após o Consequence Of Chaos, o guitarrista focou mais em suas turnês e, quando decidiu lançar um material novo, quis integrar diferentes fases de seu som, como Jazz Fusion, Flamenco Jazz e música de influência mediterrânea, em uma obra que visava equilíbrio entre expressão emocional e virtuosidade técnica. A produção, conduzida inteiramente por ele próprio, combina elementos elétricos e acústicos de maneira bastante integrada, destacando a guitarra em várias cores e timbres diferentes, desde o violão de cordas de nylon suave até guitarras elétricas de ataque mais incisivo. Além disso, não há presença de baixo elétrico tradicional, o que dá ao conjunto uma textura menos cheia; só que, no geral, muita coisa parece repetitiva e carece de mais acabamento. O repertório é mediano: tem canções boas e outras fraquíssimas. No final, é um disco irregular e bem cansativo. 

Melhores Faixas: Sierra, Cascade, Adour 
Piores Faixas: Esmeralda, Etcetera In E-Minor, La Lluvia

Twentyfour – Al Di Meola





















NOTA: 7,2/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o último álbum até então do Al Di Meola, o Twentyfour. Após o Elysium, ele começou a preparar esse projeto na época da pandemia da COVID-19, quando passou a compor em isolamento, inicialmente com a ideia de um álbum mais acústico e introspectivo. Com o tempo, entretanto, a obra cresceu e evoluiu para algo mais expansivo, mesclando guitarras acústicas e elétricas, influências latinas e elementos sinfônicos ou camerísticos. A produção, feita como sempre por ele próprio, resulta em um som que alterna entre arranjos amplamente instrumentados e momentos mais intimistas ou acústicos. É quase uma aula de escrita sinfônica para guitarra, com momentos de grande amplitude emocional e outros de contato íntimo com o instrumento, apesar de haver algumas repetições. O repertório é bom: tem canções legais e outras sem graça. Mas, enfim, é um trabalho bom, apesar de poucas inovações. 

Melhores Faixas: Esmeralda, Ava's Dance In The Moonlight, Immeasurable Part 3, Precocious, Fandango, For Only You 
Piores Faixas: Paradox Of Puppets, Close Your Eyes, Testament 24, Eden, Genetik


Analisando Discografias - Earl Sweatshirt: Parte 2

                  I Don't Like Shit, I Don't Go Outside – Earl Sweatshirt NOTA: 9,8/10 Se passaram dois anos, e foi lançado mais um ...