The Guitar Trio – Paco De Lucía, Al Di Meola, John McLaughlin
NOTA: 9,7/10
Indo para 1996, foi lançado o último álbum do trio McLaughlin, Di Meola e De Lucía, o The Guitar Trio. Após o lançamento do Orange And Blue, os três decidem retornar, e já haviam expandido profundamente seus universos individuais: Paco como o grande modernizador do Flamenco, McLaughlin como um arquiteto do Jazz Fusion, e Di Meola como um compositor cada vez mais interessado em lirismo, música do mundo e forma. Decidem fazer um álbum que é bem mais camerístico e composicional. A produção, conduzida por ambos, é deliberadamente limpa, íntima e transparente, focada em capturar o timbre natural de cada instrumento e, sobretudo, a interação entre eles. Não há tentativa de criar ilusão de grandeza nem de preencher espaços: o silêncio, o respiro entre frases e o ataque das cordas fazem parte da arquitetura sonora do álbum. O repertório é incrível, e as canções, apesar de complexas, passam aquele clima de leveza. No fim, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Beyond The Mirage, Manhã De Carnaval, La Estiba, Espiritu
Vale a Pena Ouvir: Le Monastère Dans Les Montagnes, Midsummer Night
The Infinite Desire – Al Di Meola
NOTA: 8/10
Dois anos se passaram, e foi lançado mais um material novo do Al Di Meola, o The Infinite Desire. Após o The Guitar Trio, com a chegada do fim dos anos 90, Di Meola estava cada vez mais interessado em formas acessíveis sem abrir mão da complexidade, aproximando-se de estruturas mais melódicas, grooves definidos e arranjos com peso rítmico. Fazendo um álbum que dialoga tanto com ouvintes de Jazz Fusion quanto com públicos mais amplos interessados em música instrumental moderna. A produção, conduzida por ele junto com Hernan Romero, é polida e contemporânea, com grande atenção à textura sonora. Di Meola assume controle criativo absoluto, equilibrando guitarras elétricas altamente definidas com camadas de teclados, percussões eletrônicas e acústicas, além de algumas participações vocais pontuais. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco interessante e com bastante imersão.
Melhores Faixas: The Infinite Desire, Istanbul
Vale a Pena Ouvir: Invention Of The Monsters, Big Sky Azzura, Shaking The Spirits
Winter Nights – Al Di Meola
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: Greensleeves, Inverno, Ave Maria
Vale a Pena Ouvir: Have Yourself A Merry Little Christmas, Zima, First Snow
Consequence Of Chaos – Al Di Meola
NOTA: 8/10
Pulando para 2006, Al Di Meola lança mais um trabalho novo, o Consequence Of Chaos. Após o Winter Nights, Di Meola decide aqui reassumir a guitarra elétrica como centro expressivo, mas sem qualquer nostalgia direta do Jazz Fusion setentista. O álbum também reflete um artista atento ao clima político e social do início dos anos 2000. O próprio título sugere uma leitura crítica do mundo contemporâneo, marcado por conflitos, instabilidade e tensões globais. A produção, feita inteiramente por ele próprio, é densa, musculosa e altamente controlada, com clara influência da estética moderna do Fusion contemporâneo. A guitarra elétrica surge com timbre encorpado, cortante e muitas vezes distorcido, ocupando o primeiro plano, enquanto baixo e bateria constroem bases rítmicas rígidas, quase industriais em alguns momentos. O repertório é muito bom, e as canções passam aquele lado mais imersivo. No geral, é um disco bacana e consistente em sua proposta.
Melhores Faixas: Cry For You, Tempest
Vale a Pena Ouvir: Azucar, Red Moon, Black Pearls, Turquoise
Elysium – Al Di Meola
NOTA: 5/10
Em 2015, Al Di Meola retorna com um disco novo intitulado Elysium, que é bem fraquinho. Após o Consequence Of Chaos, o guitarrista focou mais em suas turnês e, quando decidiu lançar um material novo, quis integrar diferentes fases de seu som, como Jazz Fusion, Flamenco Jazz e música de influência mediterrânea, em uma obra que visava equilíbrio entre expressão emocional e virtuosidade técnica. A produção, conduzida inteiramente por ele próprio, combina elementos elétricos e acústicos de maneira bastante integrada, destacando a guitarra em várias cores e timbres diferentes, desde o violão de cordas de nylon suave até guitarras elétricas de ataque mais incisivo. Além disso, não há presença de baixo elétrico tradicional, o que dá ao conjunto uma textura menos cheia; só que, no geral, muita coisa parece repetitiva e carece de mais acabamento. O repertório é mediano: tem canções boas e outras fraquíssimas. No final, é um disco irregular e bem cansativo.
Melhores Faixas: Sierra, Cascade, Adour
Piores Faixas: Esmeralda, Etcetera In E-Minor, La Lluvia





