Portrait Of Cannonball – Julian Adderley Quintet
NOTA: 8,5/10
Indo para 1958, foi lançado mais um trabalho novo do Cannonball Adderley, o Portrait Of Cannonball. Após o Sophisticated Swing, ele já era reconhecido por um estilo muito particular no saxofone alto: um som forte, cheio de blues, mas ao mesmo tempo extremamente técnico e sofisticado. Esse disco marca também uma fase em que sua carreira começava a se estabilizar em termos de identidade musical. A produção foi conduzida por Orrin Keepnews, que deixou uma abordagem direta e uma clareza maior na forma como cada instrumento aparece. O saxofone do Cannonball ocupa o centro do palco sonoro, com um timbre caloroso e cheio de presença. Outro fator importante é a presença do pianista Bill Evans, que traz acordes sofisticados, voicings delicados e uma sensibilidade harmônica que adiciona profundidade às composições, além do resto dos músicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um disco bacana que preparou o caminho para algo maior.
Melhores Faixas: People Will Say We're In Love, Straight Life
Vale a Pena Ouvir: Blue Funk
Somethin' Else – Cannonball Adderly
NOTA: 10/10
E aí, naquele mesmo ano, foi lançado o sensacional e atemporal álbum Somethin' Else. Após o Portrait Of Cannonball, Cannonball Adderley já era um dos saxofonistas altos mais respeitados do Hard Bop. E ele montou uma formação que até parece apelação, já que tinha Miles Davis, que cria um contraste interessante com o estilo exuberante e cheio de Blues do Cannonball. De novo, a presença do pianista Hank Jones e do contrabaixista Sam Jones e, por fim, a lenda Art Blakey na bateria, com toda aquela sua energia. A produção foi feita por Alfred Lion e foi lançado pela Blue Note, e com isso a abordagem é relativamente direta, com os músicos tocando juntos no estúdio e com pouca interferência técnica no resultado final. Com o som sendo bem orgânico nesse caldeirão de Hard Bop e Cool Jazz, muito por conta do Miles Davis antes do Kind Of Blue. O repertório contém 5 faixas maravilhosas que parecem coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima.
Melhores Faixas: Autumn Leaves, Somethin’ Else, One For Daddy-O
Vale a Pena Ouvir: Dancing In The Dark, Love For Sale
Cannonball Takes Charge – Cannonball Adderly Quartet
NOTA: 8,8/10
Chegando em 1959, foi lançado mais um trabalho do Cannonball Adderley, o Cannonball Takes Charge. Após o clássico Somethin’ Else, ele começou a explorar formações diferentes, incluindo grupos menores que destacassem ainda mais a interação direta entre os músicos. Em vez de depender da presença de grandes estrelas convidadas, como havia acontecido em sessões anteriores de sua carreira, aqui a proposta é concentrar a atenção na identidade do grupo e no desenvolvimento das interpretações. A produção foi conduzida mais uma vez por Orrin Keepnews, que deixou um som natural, sem excesso de intervenções de estúdio. Essa abordagem valoriza principalmente a comunicação entre os músicos, que colocam toda aquela textura para que o saxofone do Cannonball apareça com grande presença no registro. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de emoção. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco interessante e consistente.
Melhores Faixas: I've Told Every Little Star, Barefoot Sunday Blues
Vale a Pena Ouvir: I Guess I'll Hang Out My Tears To Dry, Poor Butterfly
Them Dirty Blues – The Cannonball Adderly Quintet
NOTA: 9,5/10
Melhores Faixas: Work Song, Dat Dere, Them Dirty Blues
Vale a Pena Ouvir: Easy Living, Jeannine
Cannonball Adderley Quintet In Chicago – Cannonball Adderley Quintet
NOTA: 10/10
E aí, alguns meses depois, foi lançado outro disco espetacular, o Cannonball Adderley Quintet In Chicago. Após o Them Dirty Blues, esse projeto reúne praticamente a mesma formação que estava envolvida em sessões históricas do Jazz daquele ano, especialmente ligadas ao círculo musical do Miles Davis. Já que a formação continha John Coltrane no saxofone tenor, Wynton Kelly no piano, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria, basicamente a base que se tornaria uma das formações mais lendárias da história do Jazz. Outra coisa: isso foi gravado antes do Kind Of Blue do Miles Davis. Produção feita por Jack Tracy, deixou uma sonoridade bem equilibrada. Com o saxofone alto do Cannonball Adderley aparecendo com clareza e calor, mantendo seu estilo característico cheio de Blues e Swing, fora o John Coltrane com toda aquela sua complexidade harmônica. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem exuberantes. No geral, é um baita disco e é um clássico.
Melhores Faixas: Limehouse Blues, Stars Fell On Alabama
Vale a Pena Ouvir: Weaver Of Dreams, Grand Central
Cannonball Adderley And The Poll-Winners – Cannonball Adderley
NOTA: 8,4/10
Mais um ano se passa, e foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Cannonball Adderley And The Poll-Winners. Após o In Chicago, surge dentro de um conceito bastante comum no Jazz daquela época: reunir músicos que haviam sido votados em enquetes de revistas especializadas, os chamados “poll-winners”. Isso significava juntar alguns dos instrumentistas mais respeitados de cada área. A produção foi bem simplista e destaca bastante o saxofone alto do Cannonball Adderley, que ocupa naturalmente o centro do som. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de inflexões bluesy. O disco soa como uma sessão de músicos experientes que se encontram para tocar repertório que conhecem profundamente, explorando nuances e improvisações com confiança. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas e com um toque mais cadenciado. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: Lolita, Au Privave
Vale a Pena Ouvir: Yours Is My Heart Alone
Cannonball's Bossa Nova – Cannonball Adderley With The Bossa Rio Sextet Of Brazil
NOTA: 8/10
Dois anos se passam, e foi lançado outro trabalho dele, o Cannonball's Bossa Nova. Após o Cannonball Adderley And The Poll-Winners, ele queria fazer um trabalho, como o próprio título já diz, de Bossa Nova, já que o estilo estava chamando a atenção de músicos de Jazz nos Estados Unidos, pois dialogava naturalmente com certas tendências do Jazz moderno. Com isso, ele chamou o Sexteto Bossa Rio, que era comandado por Sérgio Mendes, e foram gravar. A produção foi feita por Orrin Keepnews, pensada para enfatizar a leveza e o balanço característicos da Bossa Nova, deixando um clima mais suave, com arranjos que privilegiam espaço e delicadeza. Com o saxofone do Cannonball adaptando seu fraseado para se encaixar no ritmo brasileiro, usando linhas melódicas mais suaves e explorando o lirismo das composições. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem interpretadas e com aquele toque suave. Enfim, é um bom disco e que tem sua coesão.
Melhores Faixas: Clouds, Corcovado
Vale a Pena Ouvir: O Amor Em Paz, Minha Saudade
É isso, um abraço e flw!!!






