terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Das EFX

                 

Dead Serious – Das EFX





















NOTA: 9,5/10


Em 1992, foi lançado o álbum de estreia do grupo Das EFX intitulado Dead Serious. Formado em 1988 na cidade de Petersburg, na Virgínia, pelo duo Dray e Skoob, que desenvolveram um estilo extremamente particular de rima. Em vez de priorizar apenas a narrativa, eles começaram a explorar o som das palavras, criando uma espécie de ritmo verbal próprio. Esse estilo incluía repetições, palavras inventadas e o famoso uso de expressões terminadas em “-iggity”, algo que virou marca registrada do grupo, impressionando o EPMD, entrando no coletivo deles e fechando com a East West Records. A produção, feita pelo duo Solid Scheme, trouxe uma sonoridade crua, com beats secos e diretos, com kicks fortes e snares bem marcados, típicos do Boom Bap. Em vez de ter samples densos, eles optaram por loops relativamente simples, deixando o flow hiperativo da dupla brilhar. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um belo disco de estreia e que é um clássico. 

Melhores Faixas: They Want EFX, Mic Checka, East Coast, If Only, Straight Out The Sewer
Vale a Pena Ouvir: Klap Ya Handz, Jussummen, Brooklyn To T-Neck

Straight Up Sewaside – Das EFX





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum de estúdio deles intitulado Straight Up Sewaside. Após o Dead Serious, vendo que o Hip-Hop/Rap estava mudando rapidamente. O som da Costa Leste começava a ficar mais pesado e mais ligado à estética hardcore, enquanto o Boom Bap se tornava mais técnico e agressivo. O Das EFX percebeu esse movimento e decidiu ajustar parcialmente sua abordagem para o segundo álbum. Produção feita em sua maioria pelo EPDM, colocou uma abordagem que segue uma linha mais pesada e sombria em comparação com o álbum anterior. Ainda tendo uso tradicional de samples de Funk e Soul, mas o clima geral das batidas é mais denso e agressivo. As baterias são mais marcadas e muitas vezes mais lentas, o que cria um contraste interessante com o estilo de rima do Das EFX. O repertório é ótimo, e as canções ficaram mais profundas e agressivas. No geral, é um disco bacana e mostrou um lado mais maduro. 

Melhores Faixas: Check It Out, Baknaffek, Freakit, Kaught In Da Ak, It'z Lik Dat, Wontu 
Vale a Pena Ouvir: Host Wit Da Most (Rappaz Remix), Undaground Rappa, Krazy Wit Da Books

Hold It Down – Das EFX





















NOTA: 8,9/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco do Das EFX intitulado Hold It Down. Após o Straight Up Sewaside, o Rap estava ficando mais sombrio, mais técnico e mais ligado à estética das ruas. A influência de coletivos e artistas associados a Nova York, especialmente aqueles com produção mais pesada e atmosferas urbanas densas, estava redefinindo o som dominante da época. A dupla então percebeu essa mudança e decidiu aprofundar ainda mais a transformação que havia começado no disco anterior. A produção foi mais diversificada, contando com EPMD, DJ Premier, DJ Scratch, Easy Mo Bee e afins, que colocaram batidas mais lentas, graves marcantes e samples que criam atmosferas mais sombrias. As baterias têm mais impacto e presença, muitas vezes com snares secos e kicks profundos que reforçam o peso das faixas. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são bem mais reflexivas. Enfim, é um ótimo disco e que aprofundou o que deu certo. 

Melhores Faixas: Real Hip Hop (remix do Pete Rock também é muito bom), Knockin' Niggaz Off, Represent The Real (KRS-One mandou bem demais), Hardcore Rap Act, Hold It Down
Vale a Pena Ouvir: Here It Is, Can't Have Nuttin', 40 & A Blunt, Comin' Thru

Generation EFX – Das EFX





















NOTA: 4/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Das EFX, o Generation EFX, e aqui tivemos uma queda. Após o Hold It Down, a cena tinha mudado bastante: o mainstream estava dominado por artistas com produções mais eletrônicas, enquanto o underground continuava explorando o Boom Bap clássico. Nesse contexto, a dupla precisava encontrar uma forma de permanecer relevante, especialmente porque seu estilo inicial já havia influenciado muitos outros MCs anos antes. A produção contou meio que com os mesmos nomes, que decidiram colocar um equilíbrio entre o Boom Bap clássico e elementos que estavam se tornando comuns no rap do final dos anos 90. Além de trazer samples de Soul e Funk e linhas de baixo fortes, o problema é que os flows do Krazy Drayz e Skoob já estão ultrapassados, ficando bem previsíveis. O repertório é fraquíssimo, com canções chatas e poucas se salvando. No fim, é um disco ruim e mostrou a decadência deles. 

Melhores Faixas: Rap Scholar (o verso do Redman consegue ser melhor que a parte inteira dos cara), Make Noize, Rite Now, New Stuff 
Piores Faixas: Somebody Told Me, Set It Off, Generation EFX

How We Do – Das EFX





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 2003, quando foi lançado o 5º álbum e possivelmente o último deles, o How We Do. Após o Generation EFX, o Rap passou a ser dominado por produções mais polidas e pela ascensão de novos estilos regionais. Quando o Das EFX voltou, mesmo estando consolidado, eles precisavam se posicionar em um cenário onde a nova geração de artistas tinha outro tipo de estética sonora e outro público. A produção contou com Dame Grease, Koolade, Rondevu, entre outros, e não teve a participação do EPMD; com isso, colocaram batidas típicas do Rap da Costa Leste, elementos dos anos 2000 e grooves mais polidos, com a dupla mantendo sua identidade lírica baseada em flows rápidos e técnica rítmica, só que, de novo, tendo muitos momentos repetitivos que mostram que a estética deles já estava completamente ultrapassada. O repertório novamente é fraquíssimo, com canções péssimas e poucas que se salvam. Enfim, é um disco muito ruim e, depois disso, só focaram em seus shows. 

Melhores Faixas: Jungle, Let's Get Money, Full Tyme Hussle 
Piores Faixas: How We Do, Greezy, Get It Poppin', B.S.A.P.


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