The Epic – Kamasi Washington
NOTA: 10/10
Em 2015, foi lançado o que é praticamente o verdadeiro 1º álbum do Kamasi Washington, o The Epic. A sua trajetória começou por volta dos anos 2000, quando, após se formar na faculdade de música, entrou no grupo Young Jazz Giants, que não durou muito tempo. Com isso, ele lançou dois projetos solo que não foram muito bem planejados, mas, com o tempo, ganhou certo prestígio por suas apresentações e decidiu preparar um álbum que lembrasse a temática do Jazz espiritual dos anos 60 e 70, mas com toques modernos. A produção foi feita pelo próprio Kamasi, que reuniu uma grande banda, incluindo uma seção rítmica robusta, vários instrumentos de sopro adicionais, cordas orquestrais e um coral. Com isso, a seção rítmica mantém grooves fortes e constantes, enquanto o saxofone tenor dele conduz a narrativa musical com solos longos e intensos. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico.
Melhores Faixas: Change Of The Guard, The Magnificent 7, Askim, The Message, Malcolm's Theme
Vale a Pena Ouvir: Miss Understanding, Clair De Lune, Final Thought
Harmony Of Difference – Kamasi Washington
NOTA: 9/10
Dois anos se passaram, e foi lançado o EP Harmony of Difference, do Kamasi Washington, que mostrava um lado mais conceitual. Após o clássico The Epic, Kamasi Washington decidiu não repetir imediatamente outro projeto monumental, tendo assim uma ideia conceitual mais específica. Com esse projeto nascendo de um experimento musical: demonstrar como melodias diferentes podem coexistir e formar uma harmonia maior quando tocadas juntas. A produção, feita por ele próprio, continua a misturar Jazz espiritual, Soul, Funk e elementos de música orquestral. A presença do coral reforça a ideia de união de vozes diferentes dentro de uma harmonia coletiva. A seção rítmica continua forte, com grooves marcantes que aproximam o Jazz de outras tradições da música negra americana, além do sax marcante do Kamasi. O repertório é muito bom, e as canções, divididas em seis suítes, são bem exuberantes. No fim, é um ótimo trabalho e que foi mais ousado.
Melhores Faixas: Truth, Desire
Vale a Pena Ouvir: Integrity, Knowledge
Heaven And Earth – Kamasi Washington
NOTA: 8,8/10
E aí, no ano seguinte, foi lançado seu segundo disco intitulado Heaven & Earth, que foi ainda mais conceitual. Após o EP Harmony of Difference, Kamasi Washington havia se tornado uma figura central em um movimento que aproximava o Jazz moderno de novas audiências. O álbum foi concebido como uma obra dupla, dividida em dois discos com identidades complementares: “Earth” e “Heaven”. Com a ideia sendo: “Earth” representa o mundo como o vemos e “Heaven” representa o mundo como poderia ser. A produção seguiu a mesma temática, só que com diferenças, já que há uma sensação maior de contraste entre diferentes atmosferas ao longo do disco. O saxofone tenor do Kamasi continua sendo o principal guia da narrativa musical, mas o álbum valoriza muito os arranjos e o trabalho coletivo da banda. O repertório é bem legal, com a primeira parte sendo mais direta e a da segunda sendo mais contemplativa. Enfim, é um ótimo disco e que mostrou algo imersivo.
Melhores Faixas: Street Fighter Mas, Connections, Song For The Fallen, Testify, Vi Lua Vi Sol, Show Us The Way
Vale a Pena Ouvir: Tiffakonkae, Will You Sing, Fists Of Fury, The Space Travelers Lullaby
The Choice – Kamasi Washington
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Agents of The Multiverse, The Secret of Jinsinson
Vale a Pena Ouvir: My Family, Will You Love Me Tomorrow, Ooh Child
Fearless Movement – Kamasi Washington
NOTA: 9/10
Então chegamos a 2024, quando foi lançado o último álbum até o momento de Kamasi Washington, o Fearless Movement. Após o Heaven & Earth, ele começou a refletir mais sobre ritmo, movimento corporal e a relação entre o Jazz e a dança. Enquanto trabalhos anteriores dele estavam fortemente ligados à ideia de espiritualidade cósmica e à expansão quase sinfônica do Jazz, este álbum surge com uma proposta diferente: explorar o movimento como forma de expressão musical. A produção foi bastante diversificada, contando com nomes como D Smoke, André 3000, George Clinton, entre outros, e com isso a abordagem com grandes arranjos, improvisação extensa e uma forte presença de Jazz fusion e espiritual se manteve. No entanto, há uma mudança perceptível no foco rítmico, já que temos influências de Jazz Rap, Soul e P-Funk. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas e também divertidas. No geral, é um disco bacana e mostrou sua versatilidade.
Melhores Faixas: Lesanu, Get Lit, Prologue, Road To Self (KO), Dream State, The Garden Path
Vale a Pena Ouvir: Asha The First, Computer Love, Interstellar Peace (The Last Stance)




