quinta-feira, 5 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 5

                 

Tempest – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Três anos se passam, e foi lançado mais um álbum do Bob Dylan, o Shadows in the Night. Após o Tempest, o cantor entrou em um período em que sua atenção artística começou a se voltar ainda mais explicitamente para o repertório clássico da música popular americana do século XX. Embora Dylan sempre tivesse dialogado com a tradição musical, como Blues antigo, Folk, Country e standards, ele decidiu dar um passo diferente: gravar um álbum inteiro dedicado a canções associadas ao chamado Great American Songbook. A produção foi bem intimista, quase como se as músicas estivessem sendo interpretadas em um pequeno clube noturno. A banda toca de maneira extremamente contida, com arranjos discretos que permitem que a voz do Dylan fique no centro, só que, no geral, é tudo bem repetitivo e os vocais dele não se encaixam bem. O repertório é até bom, mas são as interpretações que deixam a desejar. Enfim, é um projeto fraco e que ainda teria continuidade. 

Melhores Faixas: Autumn Leaves, Stay With Me, That Lucky Old Sun 
Piores Faixas: Full Moon And Empty Arms, The Night We Called It A Day, What'll I Do, I'm A Fool To Want You

Shadows In The Night – Bob Dylan





















NOTA: 3/10


Três anos se passam, e foi lançado mais um álbum do Bob Dylan, o Shadows in the Night. Após o Tempest, o cantor entrou em um período em que sua atenção artística começou a se voltar ainda mais explicitamente para o repertório clássico da música popular americana do século XX. Embora Dylan sempre tivesse dialogado com a tradição musical, como Blues antigo, Folk, Country e standards, ele decidiu dar um passo diferente: gravar um álbum inteiro dedicado a canções associadas ao chamado Great American Songbook. A produção foi bem intimista, quase como se as músicas estivessem sendo interpretadas em um pequeno clube noturno. A banda toca de maneira extremamente contida, com arranjos discretos que permitem que a voz do Dylan fique no centro, só que, no geral, é tudo bem repetitivo e os vocais dele não se encaixam bem. O repertório é até bom, mas são as interpretações que deixam a desejar. Enfim, é um projeto fraco e que ainda teria continuidade. 

Melhores Faixas: Autumn Leaves, Stay With Me, That Lucky Old Sun 
Piores Faixas: Full Moon And Empty Arms, The Night We Called It A Day, What'll I Do, I'm A Fool To Want You

Fallen Angels – Bob Dylan





















NOTA: 3/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do que viria a ser uma trilogia, o Fallen Angels. Após o Shadows in the Night, que tinha uma atmosfera mais contemplativa e noturna, esta continuação apresenta momentos ligeiramente mais leves e românticos, ainda mantendo o tom nostálgico característico dessas composições. Vale lembrar que muitas dessas canções haviam sido interpretadas por grandes cantores da era dos standards, incluindo Frank Sinatra. A produção foi relativamente a mesma, apresentando uma instrumentação bastante delicada e minimalista. A banda toca de maneira suave, com arranjos que lembram pequenas apresentações ao vivo em clubes ou ambientes intimistas. Só que, de novo, tudo é bastante arrastado e as escolhas vocais do Bob Dylan não conseguem ser boas. O repertório sofreu novamente com o mesmo problema, faltando maior encaixe nas interpretações. No fim, foi outro trabalho fraco e que não estava indo a lugar nenhum. 

Melhores Faixas: It Had To Be You, All The Way, All Or Nothing At All 
Piores Faixas: Polka Dots And Moonbeams, Skylark, Maybe You'll Be There, On A Little Street In Singapore

Triplicate – Bob Dylan





















NOTA: 2,5/10


E aí, em 2017, Bob Dylan finaliza essa trilogia com um álbum triplo cujo título é basicamente Triplicate. Após o Fallen Angels, o cantor quis finalizar essa fase lançando um trabalho dividido em três discos, cada um com um clima levemente distinto, mas todos conectados pela mesma estética. O projeto funciona quase como uma grande imersão na tradição da canção americana, vista através da voz envelhecida, áspera e profundamente expressiva do Dylan. A produção foi voltada para arranjos ainda mais discretos, com guitarras suaves, pedal steel, contrabaixo, bateria delicada e alguns toques de instrumentos adicionais que criam um ambiente elegante. A sonoridade é limpa e clara, permitindo que a interpretação vocal seja o foco principal, só que toda essa proposta ficou excessivamente arrastada, e, se já não tinha dado certo antes, não seria agora que daria. O repertório é muito mal interpretado e só duas canções se salvam. No geral, é um trabalho péssimo e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Sentimental Journey, As Time Goes By 
Piores Faixas: My One And Only Love, This Nearly Was Mine, You Go To My Head, Here's That Rainy Day, The Old Feeling, Why Was I Born

Rough And Rowdy Ways – Bob Dylan





















NOTA: 8,8/10


Foi so em 2020, que o Bob Dylan decidiu lançar um disco novo, o Rough And Rowdy Ways, e aqui foi para um caminho certo. Após aquela trilogia esquecível de standards, Dylan continuou ativo na estrada com sua turnê constante e manteve uma postura artística bastante reservada. Entretanto, em 2020, de forma quase inesperada, começaram a surgir sinais de um novo projeto. Primeiro veio o lançamento da longa e enigmática canção que aborda o assassinato de John F. Kennedy e que surpreendeu tanto pela duração quanto pela densidade lírica, e tava na cara que ia vim album. Produção foi para arranjos discretos, mas extremamente bem construídos. Há presença constante de guitarras limpas e bateria tocada com sutileza, e com influencias claras do Folk de câmara e da musica Americana, e com a voz de Dylan sendo quase narrativa. O repertório ficou muito bom, e as canções são bastante imersivas. Enfim, é um ótimo projeto e que é bem consistente. 

Melhores Faixas: Key West (Philosopher Pirate), I've Made Up My Mind To Give Myself To You, Crossing The Rubicon 
Vale a Pena Ouvir: Murder Most Foul (a canção que foi lançada antes), False Prophet, My Own Version Of You

Shadow Kingdom – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Então chegamos em 2023, onde foi lançado o 40º e último álbum até então do Bob Dylan, o Shadow Kingdom. Após o Rough And Rowdy Ways, havia sido amplamente elogiado e reforçado a ideia de que, mesmo após décadas de atividade, ele ainda conseguia produzir obras profundas e relevantes. E com aquele período de pandemia isso lá em 2021, ele decidiu gravar um projeto que seria de reinterpretações de suas canções só que serviu como escada para o filme de mesmo nome. Produção se distancia bastante de um disco ao vivo convencional. A apresentação original foi filmada em um ambiente que lembrava um clube antigo, com iluminação dramática, atmosfera noir e uma sensação quase atemporal. Musicalmente, a banda que acompanha Dylan é enxuta, mas extremamente eficiente. O repertório foi muito bem escolhido e todas as reinterpretações acabam funcionando bem na voz envelhecida do cantor. No fim, é um ótimo trabalho e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: What Was It You Wanted, Forever Young 
Vale a Pena Ouvir: Watching The River Flow, Tombstone Blues, It’s All Over Now, Baby Blue, When I Paint My Masterpiece


Analisando Discografias - Chico Buarque: Parte 2

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