segunda-feira, 9 de março de 2026

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 2

                 

Trans – Neil Young





















NOTA: 8,1/10


Em 1983, foi lançado mais um novo trabalho de Neil Young, intitulado Trans, que trouxe uma pegada futurista. Após o Re·ac·tor, a experiência com seu filho Ben, diagnosticado com paralisia cerebral severa e que tinha dificuldades de comunicação, levou o cantor a refletir intensamente sobre tecnologia, linguagem e a relação entre humanos e máquinas. E como os anos 80 se tornaram o advento da música eletrônica, com o uso crescente de sintetizadores, sequenciadores e vocoders, Young decidiu seguir por esse caminho, agora estando na gravadora Geffen. A produção foi dominada por sintetizadores e efeitos digitais, além do uso intensivo do vocoder, equipamento que modifica a voz humana, transformando-a em algo semelhante à fala de um robô, mas ainda mantendo aquela instrumentação tradicional, juntando assim Synth-pop com pitadas de Soft Rock. O repertório é bem legal, as canções são bem divertidas e atmosféricas. No geral, é um disco bacana e bem curioso. 

Melhores Faixas: Transformer Man, Mr. Soul 
Vale a Pena Ouvir: Hold On To Your Love, We R In Control, Sample And Hold

Old Ways – Neil Young





















NOTA: 6/10


Dois anos se passam e foi lançado um novo trabalho do cantor, o Old Ways, que voltou para aquele lado Country. Após o futurista Trans, que gerou conflitos entre Neil Young e a própria gravadora, que esperava um som mais próximo do estilo clássico do artista. No entanto, Young sempre demonstrou uma enorme afinidade com a Country music, só que agora quis ir para um caminho mais tradicional do estilo. A Geffen Records não ficou satisfeita com o material, pois considerava que o artista estava mudando de estilo de forma excessiva entre os discos. A produção é bem característica, apostando em uma abordagem completamente orgânica. A instrumentação é majoritariamente acústica, com arranjos que remetem diretamente à tradição da música Country de Nashville, além de certas influências do country progressivo, só que assim é muito previsível. O repertório é mediano: tem canções legais e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e bem cansativo. 

Melhores Faixas: Are There Any More Real Cowboys? (dueto com Willie Nelson), My Boy, Get Back To The Country 
Piores Faixas: The Wayward Wind, The Wayward Wind, Bound For Glory

Landing On Water – Neil Young





















NOTA: 1/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo do Neil Young, o horroroso Landing on Water. Após o irregular Old Ways, esse novo disco foi concebido em um momento em que Young estava interessado em experimentar as tendência da década de 80, especialmente a estética de produção marcada por baterias eletrônicas e guitarras processadas, o que acabou sendo praticamente o estopim para a Geffen Records. A produção foi feita junto com Danny Kortchmar e apresenta uma sonoridade polida e tecnológica. As baterias frequentemente utilizam sons eletrônicos ou altamente processados, criando ritmos mais rígidos e precisos. As guitarras aparecem cheias de efeitos, incluindo reverberações e delays característicos da época, seguindo muito o Synth-pop com AOR, só que é muito repetitivo e entupido de sintetizadores. O repertório é péssimo, e as canções são ridículas. Enfim, é um álbum completamente pavoroso e um dos piores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: (.............................................) 
Piores Faixas: Hippie Dream, Pressure, People On The Street, I Got A Problem, Touch The Night

Life – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 2,5/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho do Neil Young intitulado Life. Após o Landing on Water, o cantor decidiu retornar à parceria com o Crazy Horse, banda que havia sido responsável por alguns dos momentos mais intensos de sua carreira. O álbum foi gravado em grande parte durante a turnê do artista com a banda naquele período, e muitos dos registros capturam performances praticamente ao vivo no estúdio. A produção, feita por ele junto com David Briggs, aposta em uma abordagem muito mais direta. Grande parte das músicas foi gravada com a banda tocando junta, o que preserva a energia crua das performances. O grande destaque são as guitarras, que aparecem frequentemente distorcidas e volumosas, só que o restante é muito simplista e parece faltar algo mais imersivo. O repertório é bem ruim, com canções chatíssimas e poucas se salvando. No fim, é mais um disco péssimo e que era hora de se renovar. 

Melhores Faixas: Around The World, Cryin' Eyes 
Piores Faixas: Long Walk Home, When Your Lonely Heart Breaks, Inca Queen, We Never Danced

This Note's For You – Neil Young & The Bluenotes





















NOTA: 6/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um disco novo do Neil Young intitulado This Note's for You. Após o Life, Neil Young acabou saindo da Geffen Records e decidiu retornar à sua antiga gravadora, a Reprise. E para seu próximo projeto, em vez de continuar explorando o Rock que havia marcado grande parte de sua trajetória, ele voltou seu interesse para uma vertente muito diferente: o Rhythm and Blues e o Blues elétrico, com forte presença de instrumentos de sopro. A produção, feita pelo cantor junto com Niko Bolas, buscou capturar um som que remetesse diretamente ao Blues das décadas de 50 e 60. Para isso, Young montou uma banda com uma seção de metais bastante destacada, com presença de trompetes, saxofones e trombones, que aparecem com frequência, só que fica aquele sentimento de que faltou algo mais. O repertório é mediano, tem canções legais e outras bobinhas. No fim, é um disco irregular e que podia ser melhor. 

Melhores Faixas: One Thing, This Note's For You, Coupe De Ville 
Piores Faixas: Twilight, Can't Believe Your Lyin', Hey Hey

Freedom – Neil Young





















NOTA: 9/10


E aí, chegando ao fim dos anos 80, foi lançado o disco Freedom, e aqui houve um sinal de glória. Após o This Note's for You, esse novo trabalho representa um momento de renovação artística e frequentemente é visto como o início de um “renascimento” na carreira do Neil Young. Em vez de se limitar a um único estilo, o disco reúne diferentes facetas de sua música, e o principal são composições carregadas de comentário social. A produção, feita novamente junto com Niko Bolas, foi bastante orgânica e conta com uma alternância entre gravações acústicas e elétricas. Algumas músicas são construídas de forma minimalista, com voz e violão em destaque, enquanto outras apresentam arranjos mais robustos, com guitarras distorcidas e banda completa, criando assim um equilíbrio entre Heartland Rock, Hard Rock, Folk Rock e Country. O repertório é incrível, e as canções são ao mesmo tempo divertidas e profundas. No fim, é um belo disco e que envelheceu muito bem. 

Melhores Faixas: Rockin' In The Free World, Eldorado, Crime In The City (Sixty To Zero Part I), Wrecking Ball 
Vale a Pena Ouvir: No More, Someday, Don't Cry

Ragged Glory – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9,8/10


Entrando nos anos 90, Neil Young lança simplesmente um álbum fantástico, o Ragged Glory. Após o Freedom, essa nova década coincidiu com a ascensão de uma nova geração de bandas alternativas que viam Neil Young como uma grande influência. Artistas ligados ao cenário do Grunge frequentemente citavam seus discos elétricos com o Crazy Horse como inspiração, e nesse período Young preparava um novo trabalho com a banda que seria mais longo. A produção, feita pelo cantor junto com David Briggs, foi bastante crua e direta. As guitarras distorcidas dominam o som do álbum, frequentemente construídas sobre riffs simples que se expandem em longos solos improvisados, enquanto a cozinha rítmica mantém um groove sólido e repetitivo. Com isso, temos uma junção de Hard Rock com Rock alternativo, Grunge e Rock de garagem. O repertório é incrível, e as canções são todas bem pesadas e energéticas. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Love And Only Love, Mansion On The Hill, Country Home, Love To Burn, Over And Over 
Vale a Pena Ouvir: F*!#in' Up, Days That Used To Be

Harvest Moon – Neil Young





















NOTA: 10/10


Dois anos se passam, e foi lançado outro disco atemporal do Neil Young, o Harvest Moon. Após o Ragged Glory, o cantor decidiu seguir uma direção completamente diferente. Depois de um período intenso de guitarras distorcidas e longas improvisações com o Crazy Horse, ele voltou sua atenção novamente para um estilo mais calmo e introspectivo. Young enfrentava problemas físicos que dificultavam tocar guitarra elétrica por longos períodos, o que contribuiu para que ele se aproximasse novamente do violão e de arranjos mais suaves. A produção, conduzida por ele junto com Ben Keith, privilegiou arranjos suaves e orgânicos. Violões acústicos, piano, harmônicas e steel guitar formam a base instrumental da maioria das faixas. Além disso, há uma presença significativa de violinos e outros instrumentos de cordas que adicionam textura e profundidade ao som. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Harvest Moon, Unknown Legend, From Hank To Hendrix, One Of These Days 
Vale a Pena Ouvir: Old King, You And Me

Sleeps With Angels – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9/10


Se passam mais dois anos, e Neil Young retorna com um disco mais experimental, o Sleeps with Angels. Após o clássico Harvest Moon, o cantor voltaria a colaborar com o Crazy Horse em um projeto muito mais sombrio e emocionalmente carregado. O contexto emocional do disco foi influenciado pela morte do Kurt Cobain, que havia citado Neil Young como uma de suas grandes inspirações, chegando inclusive a mencionar uma frase da música Hey Hey, My My (Into the Black) em sua carta de despedida. A produção, feita pela última vez junto com David Briggs, teve uma abordagem bem mais ampla, apresentando uma variedade incomum de texturas sonoras. Além das guitarras distorcidas, há momentos em que Young utiliza instrumentos diferentes, como piano e flauta, fazendo uma junção de Art Rock com Folk, Country e Blues Rock. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem atmosféricas e melancólicas. No geral, é um disco bacana e mais reflexivo. 

Melhores Faixas: Sleeps With Angels, Change Your Mind, Trans Am, Western Hero, Train Of Love 
Vale a Pena Ouvir: Prime Of Life, Blue Eden

Mirror Ball – Neil Young





















NOTA: 8,7/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado seu peculiar 23º álbum de estúdio, o Mirror Ball. Após o Sleeps with Angels, Neil Young vinha sendo redescoberto pelo público alternativo. Bandas do Grunge frequentemente citavam sua influência, e esse diálogo entre gerações ganhou força no início dos anos 90. Young havia trabalhado com Pearl Jam em apresentações ao vivo, especialmente em eventos beneficentes organizados contra a empresa Ticketmaster, com quem a banda travava uma disputa na época. Então eles decidiram unir forças para lançar um disco que unisse esses mundos. A produção, feita por Brendan O'Brien, colocou um som pesado e direto, com guitarras distorcidas e arranjos relativamente simples, mas muito intensos. Isso passa um clima de jam session que remete tanto ao Grunge quanto ao Rock garageiro, além de elementos do Hard Rock. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem energéticas. Em suma, é um disco bacana e bem ousado. 

Melhores Faixas: Act Of Love, Throw Your Hatred Down, Truth Be Known, Downtown, I'm The Ocean 
Vale a Pena Ouvir: Scenery, Peace And Love, Song X

                                                                    Então é isso, um abraço e flw!!!         

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 2

                  Trans – Neil Young NOTA: 8,1/10 Em 1983, foi lançado mais um novo trabalho de Neil Young, intitulado Trans, que trouxe uma...