Dead Man – Neil Young
NOTA: 8/10
Em 1996, foi lançada a trilha sonora do filme de faroeste Dead Man, feita por Neil Young. Após o Mirror Ball, ele foi convidado pelo cineasta Jim Jarmusch para fazer a trilha do filme, e ambos tinham uma admiração mútua. Jarmusch já era conhecido por seu estilo minimalista e profundamente autoral, enquanto Young possuía uma longa trajetória de experimentação musical que transitava entre folk, rock, improvisação e trilhas atmosféricas. A produção foi feita pelo cantor junto com John Hanlon e realizada em sessões improvisadas em estúdio enquanto o músico assistia ao filme projetado. Young utilizou principalmente guitarra elétrica, com frequente uso de reverberação e drones de guitarra, além de piano e alguns elementos percussivos ocasionais, além de alguns momentos narrativos do Johnny Depp, o que faz a trilha se aproximar da música ambiente e do Post-Rock. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem relaxantes. No fim, é um disco bacana e que vale a pena ir atrás.
Melhores Faixas: Guitar Solo 3, Guitar Solo 2
Vale a Pena Ouvir: Guitar Solo 5, Nobody's Story, Time For You To Leave, William Blake...
Broken Arrow – Neil Young & Crazy Horse
NOTA: 8,2/10
Meses depois, foi lançado mais um álbum de Neil Young intitulado Broken Arrow. Após a trilha sonora do filme Dead Man, o cantor decidiu voltar a trabalhar com o Crazy Horse. Young, então, buscou novamente aquela sonoridade crua, pesada e expansiva que havia marcado seus discos clássicos. Com isso, teríamos mais uma série de longas jams, guitarras distorcidas, arranjos simples e muita intensidade emocional. A produção foi feita inteiramente pelo próprio cantor, na qual ele manteve essa sonoridade crua, buscando capturar pequenas imperfeições que transmitissem autenticidade. Isso significa que várias faixas preservam uma sensação de improvisação, com estruturas que se desenvolvem lentamente e solos de guitarra que parecem surgir de forma orgânica. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem energéticas e atmosféricas. Enfim, é um projeto interessante e muito bem feito.
Melhores Faixas: Slip Away, This Town
Vale a Pena Ouvir: Loose Change, Music Arcade, Big Time
Silver & Gold – Neil Young
NOTA: 8,3/10
Entrando nos anos 2000, foi lançado mais um disco do Neil Young, o Silver & Gold. Após o Broken Arrow, ele vinha acumulando composições acústicas ao longo de vários anos. Algumas dessas músicas tinham sido escritas ainda nos anos 90, e o próprio artista chegou a apresentá-las em performances solo, como em seu célebre concerto acústico no programa MTV Unplugged. Assim, quando decidiu finalmente registrar essas composições em estúdio, o resultado acabou sendo esse álbum que retoma a tradição de trabalhos mais introspectivos de sua carreira. A produção foi feita novamente junto com Ben Keith, com arranjos simples, instrumentação acústica e foco absoluto nas composições. Os instrumentos predominantes incluem violão, guitarra acústica, piano, pedal steel guitar e discretos acompanhamentos rítmicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem suaves e melódicas. No geral, é um trabalho bacana e bem consistente.
Melhores Faixas: Daddy Went Walkin', Razor Love, The Great Divide
Vale a Pena Ouvir: Buffalo Springfield Again, Distant Camera
Are You Passionate? – Neil Young
NOTA: 3/10
Melhores Faixas: Goin' Home, Let's Roll, You're My Girl
Piores Faixas: Differently, Are You Passionate?, Mr. Disappointment
Greendale – Neil Young & Crazy Horse
NOTA: 5/10
Mais um ano se passa, e Neil Young retorna com um disco mais ambicioso, o Greendale. Após o Are You Passionate?, o cantor decidiu retomar a parceria com o Crazy Horse, agora propondo uma obra narrativa mais complexa, construída como uma espécie de Ópera-rock. O álbum apresenta uma trama fictícia ambientada na pequena cidade de Greendale, acompanhando a vida da família Green e os conflitos sociais, ambientais e políticos que surgem ao redor dessa comunidade. A produção foi feita por ele junto com L. A. Johnson e seguiu uma abordagem de arranjos simples, com o som marcado por guitarras distorcidas e uma sensação de improvisação controlada, se aproximando bastante do Heartland Rock e do Country Rock, só que os solos são bem magrinhos e os momentos mais cadenciados acabam sendo bem arrastados. O repertório é mediano, tendo canções bacanas e outras bem chatinhas. No final de tudo, é um disco irregular e com um conceito mal executado.
Melhores Faixas: Leave The Driving, Be The Rain, Carmichael
Piores Faixas: Devil's Sidewalk, Bringin' Down Dinner, Sun Green
Prairie Wind – Neil Young
NOTA: 8,5/10
Em 2005, foi lançado mais um trabalho novo de Neil Young intitulado Prairie Wind. Após o Greendale, o cantor enfrentou dois acontecimentos que marcariam profundamente sua vida. O primeiro foi a morte de seu pai, o escritor canadense Scott Young, e o segundo evento foi ainda mais dramático: enquanto trabalhava nas gravações do novo álbum, ele foi diagnosticado com um aneurisma cerebral potencialmente fatal. O músico precisou passar por uma cirurgia delicada para corrigir o problema, e isso acabou deixando o clima mais emocional para esse disco. A produção foi feita por ele junto com Ben Keith, que deixaram uma sonoridade dominada por violões acústicos, criando um ambiente sonoro suave e contemplativo. A voz de Young aparece de forma muito direta na mixagem, seguindo uma linha do Folk Rock e Country Rock. O repertório é muito bom, e as canções são todas carregadas de profundidade. No fim, é um ótimo disco e bastante sentimental.
Melhores Faixas: Far From Home, It's A Dream, This Old Guitar
Vale a Pena Ouvir: The Painter, He Was The King
Living With War – Neil Young
NOTA: 8/10
No ano seguinte, outro álbum foi lançado, intitulado Living With War, que foi mais pesado. Após o Prairie Wind, Neil Young decidiu fazer um disco inteiro criticando a situação política nos Estados Unidos. O contexto histórico que levou à criação desse trabalho foi a Guerra do Iraque, iniciada em 2003 após a invasão liderada pelos Estados Unidos durante o governo de George W. Bush. À medida que o conflito se prolongava, cresciam também as críticas à condução da guerra e às justificativas apresentadas para a invasão. A produção contou com os mesmos nomes, adotando uma abordagem crua e direta. A sonoridade segue uma linha que lembra o Heartland Rock, com traços do Hard Rock moderno, além de um elemento sonoro bastante marcante: um grande coro gospel que acrescenta uma forte intensidade emocional. O repertório é muito bom, e as canções são todas carregadas de críticas e com muita imersão. Enfim, é um projeto interessante e bem ousado.
Melhores Faixas: Shock And Awe, Flags Of Freedom
Vale a Pena Ouvir: Living With War, After The Garden, Lookin' For A Leader
Chrome Dreams II – Neil Young
NOTA: 8/10
Passou-se mais um ano e foi lançado mais um álbum novo dele, o Chrome Dreams II. Após o Living With War, Neil Young estava profundamente envolvido com projetos paralelos relacionados ao arquivo histórico de sua obra. Ele trabalhava na organização de seu vasto acervo musical, que mais tarde resultaria na série Neil Young Archives. Esse projeto surge como uma espécie de continuação do obscuro Chrome Dreams, que ficou conhecido pelas várias gravações piratas, já que originalmente seria um disco lançado no período do American Stars 'n Bars. A produção foi bem mais orgânica e apresenta uma instrumentação que em alguns momentos é mais minimalista, centrada em violão ou piano, e em outros conta com uma banda completa. A diversidade de arranjos reflete a própria estrutura do disco, que alterna entre Folk Rock e Hard Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas e vão para um caminho mais cadenciado. No geral, é um ótimo disco e bastante sólido.
Melhores Faixas: Ever After, Ordinary People
Vale a Pena Ouvir: Spirit Road, Beautiful Bluebird, The Way
É isso, um abraço e flw!!!







