quarta-feira, 6 de maio de 2026

Analisando Discografias - Foals

                 

Antidotes – Foals





















NOTA: 9,5/10


No ano de 2008, o Foals lançava seu álbum de estreia intitulado Antidotes, trazendo uma abordagem peculiar. Formada em 2005, em Oxford, na Inglaterra, a partir das cinzas de bandas menores da cena Math Rock e Indie local, a banda contava com a formação do Yannis Philippakis (vocais e guitarra), Jimmy Smith (guitarra), Walter Gervers (baixo), Edwin Congreave (teclados) e Jack Bevan (bateria), e assim assinou com a Transgressive Records. A produção foi feita inicialmente por David Sitek, que acabou deixando o som um pouco mais polido, o que não agradou à banda, que remixou o material, deixando-o bem mais claustrofóbico. As guitarras são trabalhadas com padrões repetitivos e delays, a seção rítmica é bastante precisa, e os vocais do Yannis são mais soterrados, criando essa junção do Dance-Punk com Math Pop. O repertório é incrível, e as canções são todas bem variadas. Enfim, é um baita álbum de estreia, bem consistente. 

Melhores Faixas: Cassius, Red Socks Pugie, Olympic Airways, Ballons, Two Steps Twice 
Vale a Pena Ouvir: The French Open, Tron, Heavy Water

Total Life Forever – Foals





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum de estúdio do Foals, o Total Life Forever. Após o Antidotes, a banda começou a demonstrar certo desconforto com os limites do primeiro álbum, especialmente no que diz respeito à ausência de profundidade emocional e de uma variação dinâmica mais ampla. Entre 2008 e 2010, o grupo passou por um processo de amadurecimento intenso. A produção, feita por Luke Smith, resultou em um som mais aberto e detalhado, focando mais no Indie Rock e no Post-Punk. As guitarras continuam centrais, mas mudam de função: deixam de ser puramente percussivas e passam a criar paisagens sonoras. O baixo ganha ainda mais protagonismo, muitas vezes conduzindo a progressão harmônica, enquanto a bateria se torna mais fluida e expressiva, e os vocais do Yannis ficam mais presentes. O repertório é ótimo, e as canções são bem mais introspectivas e profundas. No fim, é outro belíssimo disco da banda inglesa. 

Melhores Faixas: Spanish Sahara, Black Gold, Blue Blood, After Glow, Miami 
Vale a Pena Ouvir: This Orient, Alabaster

Holy Fire – Foals





















NOTA: 8,2/10


Se passaram então mais três anos, e foi lançado outro disco do Foals, o Holy Fire. Após o Total Life Forever, a banda passou por uma intensa rotina de turnês, o que contribuiu diretamente para o som desse novo projeto, agora com o grupo sob contrato com a Warner Music. Com isso, a banda passou a incorporar uma dimensão mais física e performática, pensando nas músicas também como experiências ao vivo. A produção, feita por Flood e Alan Moulder, é mais polida e expansiva, mas sem perder intensidade. As guitarras continuam sendo fundamentais, mas assumem múltiplas funções: ora criam texturas atmosféricas, ora entregam riffs mais diretos e até pesados. O baixo e a bateria são mais orientados ao groove e à repetição, enquanto os vocais do Yannis ficaram mais confiantes e muito mais versáteis. O repertório é muito bom, e as canções vão de um lado mais melódico a um mais atmosférico. No geral, é um ótimo trabalho, que foi bastante ousado. 

Melhores Faixas: My Number, Milk & Black Spiders, Late Night 
Vale a Pena Ouvir: Everytime, Out Of The Woods

What Went Down – Foals





















NOTA: 8,7/10


Se passaram então mais dois anos para o Foals lançar mais um álbum, o What Went Down. Após o Holy Fire, a banda toma uma decisão deliberada: intensificar o lado mais agressivo e visceral que já havia aparecido anteriormente. O grupo queria um disco mais direto, mais físico e com maior impacto imediato, algo que capturasse a energia caótica dos shows ao vivo. A produção, feita pelo James Ford, é mais crua e agressiva, mas ainda mantém um nível alto de clareza e detalhamento. As guitarras voltam a assumir um papel mais dominante e abrasivo, com riffs mais evidentes. O baixo e a bateria estão bem mais diretos e reforçam todo esse caráter de urgência. Yannis Philippakis entrega talvez sua performance vocal mais extrema até então, alternando entre sussurros e gritos quase desesperados, trazendo uma carga emocional mais crua. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um trabalho muito interessante e bem intenso. 

Melhores Faixas: Mountain At My Gates, What Went Down, London Thunder, Albatross 
Vale a Pena Ouvir: Birch Tree, A Knife In The Ocean, Night Swimmers

Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1 – Foals





















NOTA: 8/10


Pulando para 2019, o Foals lança seu 5º disco, o Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1. Após o What Went Down, a banda entra em um dos momentos mais delicados de sua trajetória. O período seguinte é marcado por desgaste físico e criativo, além da saída do baixista Walter Gervers, um elemento essencial na construção do groove característico do grupo até então. Esse trabalho seria bem mais moderno e eletrônico. A produção, feita pela banda junto com Brett Shaw, é sofisticada, detalhista e altamente textural, tentando equilibrar o Indie Rock com o Dance alternativo. As guitarras são tratadas como camadas atmosféricas, enquanto sintetizadores, efeitos e loops ganham espaço, criando um som mais contemporâneo e expansivo. O baixo, às vezes assumido por Yannis ou Edwin Congreave, fica mais integrado à textura. O repertório é bem interessante, e as canções têm uma pegada mais leve e envolvente. Enfim, é um disco interessante e mais atmosférico. 

Melhores Faixas: Exits, Sunday 
Vale a Pena Ouvir: On The Luna, In Degrees, I'm Done With The World (& It's Done With Me)

Everything Not Saved Will Be Lost: Part 2 – Foals





















NOTA: 8,5/10


Então se passaram alguns meses, e foi lançado Everything Not Saved Will Be Lost: Part 2, do Foals. Após a primeira parte, que era mais atmosférica, eletrônica e contemplativa, essa continuação surge como seu contraponto mais físico, agressivo e orientado à energia ao vivo. No entanto, a divisão em duas partes permitiu à banda explorar lados distintos de sua identidade sem precisar condensar tudo em um único disco. A produção foi basicamente a mesma, sendo mais crua e orientada à performance do que a do antecessor, mas ainda mantém um alto nível de acabamento. As guitarras voltam ao primeiro plano com força total: riffs mais pesados, distorções mais evidentes e uma presença muito mais dominante na mixagem. A cozinha rítmica é bastante robusta e, ao mesmo tempo, consistente, com isso a principal influência passa a ser o Rock alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e melódicas. No fim, é um disco que superou seu predecessor. 

Melhores Faixas: Like Lightning, Into The Surf, Black Bull, 10,000 Ft. 
Vale a Pena Ouvir: Dreaming Of, The Runner, Wash Off

Life Is Yours – Foals





















NOTA: 7/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o álbum mais recente até então do Foals, o Life Is Yours. Após os Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1 & 2, a banda entra em uma nova fase, com a saída do tecladista Edwin Congreave, reduzindo o grupo a um trio central. Isso impacta diretamente a abordagem musical, levando a uma simplificação e a um foco maior na essência rítmica e melódica. A produção contou com A. K. Paul, Dan Carey e John Hill, que optaram por um som limpo, brilhante e altamente focado no ritmo. As guitarras do Jimmy Smith agora assumem um papel mais funkeado, com linhas rítmicas leves, cheias de groove e menos distorção; ele também passou a conduzir os sintetizadores, que aparecem de forma mais sutil e elegante, resultando em uma junção do Dance alternativo, New Wave e até Synth-pop. O repertório é legal, com canções divertidas e algumas mais fracas. No geral, é um disco bom, mas que acaba sendo o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Wake Me Up, Life Is Yours, The Sound, Crest Of The Wave 
Piores Faixas: Wild Green, Flutter, Looking High


Analisando Discografias - Grouplove: Parte 1

                   Never Trust A Happy Song – Grouplove NOTA: 8/10 Em 2011, o Grouplove lançava seu álbum de estreia, o Never Trust a Happy ...