domingo, 10 de maio de 2026

Analisando Discografias - Karol Conká

                 

Karol Conká – Karol Conká





















NOTA: 7/10


Lá por volta de 2011, a Karol Conká lançava seu 1º trabalho em formato de EP, intitulado Promo. Sua carreira começou por volta de 2001, quando ainda tinha 15 anos, e esse material foi gravado nesse período, mas acabou ficando engavetado, já que ela passou a participar de coletivos, mixtapes e experiências formativas dentro do Rap brasileiro. Após passar por alguns problemas, desde a depressão pós-parto do seu filho, em 2005, ela conseguiu retornar na década de 2010, disponibilizando esse material no MySpace. A produção contou com Naves, Cabes e Nel Sentimentum, que criaram beats diretos e de maior impacto, dialogando muito mais com o Boom Bap e com alguns traços de R&B e Hip Hop Soul. Assim, o flow dela ainda estava em desenvolvimento, mas consegue funcionar em cada ritmo. O repertório é legalzinho, e as canções são bem variadas. No fim, é um EP interessante, que serviu mais como um laboratório de ideias. 

Melhores Faixas: Marias, Me Garanto 
Vale a Pena Ouvir: Passo A Passo, Não Há Impossibilidades

Batukfreak – Karol Conká





















NOTA: 9,6/10


Então, em 2013, a Karol Conká lançava seu álbum de estreia, o sensacional Batuk Freak. Após o lançamento de seu EP, ela começou a ganhar mais visibilidade com a música “Boa Noite”, que rendeu destaque e até uma indicação no VMB, criando expectativa em torno de um álbum de estreia, expectativa essa que demorou alguns anos para se concretizar. E esse trabalho não seria aquele Rap mais comercial que passou a dominar a época, e sim algo muito mais experimental e performático. A produção foi feita inteiramente pelo Nave Beats, que colocou beats variados, graves fortes, samples da MPB, música internacional e elementos da cultura afro-brasileira para construir uma sonoridade própria. Aqui temos elementos do Electropop, Reggae, Dubstep, Funk brasileiro e até traços do Trap. O repertório é incrível, e as canções são profundas e cheias de ousadia. No fim, é um disco maravilhoso e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Boa Noite, Você Não Vai, Gueto Ao Luxo, Sandália (baita feat do Rincon Sapiência), Mundo Loco, Você Não Vai 
Vale a Pena Ouvir: Bate A Poeira, Olhe-Se, Corre, Corre Eré

Ambulante – Karol Conká





















NOTA: 8/10


Cinco anos se passaram, e Karol Conká retornou lançando seu 2º álbum, intitulado Ambulante. Após o Batuk Freak, ela passou por um período de amadurecimento, tanto na linguagem quanto no posicionamento artístico. Depois de lançar alguns singles que, além de se tornarem hits, acabaram entrando como trilha sonora de novelas da Globo, como Tombei e Bate a Poeira (Parte II), ela começou a desenvolver um projeto que servisse para expressar seu “espírito”, trazendo vivências, frustrações e afirmações de identidade de forma mais direta. Produzido por Boss in Drama, o disco se desloca claramente para um território mais eletrônico. O álbum incorpora elementos do Trap, Pop, R&B e até referências mais sintéticas de música de pista, com presença de synths e estruturas mais diretas. O repertório é legalzinho, e as canções são mais cadenciadas e intimistas. Enfim, é um ótimo álbum e cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Saudade, Kaça 
Vale a Pena Ouvir: Fumacê, Vida Que Vale, Vogue Do Gueto

Urucum – Karol Conká





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2022, quando foi lançado o último álbum até então da Karol Conká, o Urucum. Após o Ambulante, esse novo trabalho surge em um momento complicado, já que a rapper participou do Big Brother Brasil 21, o que resultou em uma rejeição histórica de 99,17% dos votos e em uma crise pública de imagem sem precedentes na música brasileira recente. Após sair do programa, Karol pausou tudo, se afastou, reorganizou sua vida emocional e só então retomou o trabalho com uma nova perspectiva: transformar o processo criativo em terapia. A produção, feita por ela junto com RDD e, em certo momento, por WC no Beat, mistura ritmos afro-brasileiros com Trap, Dancehall e R&B coexistem dentro de uma estética que prioriza groove e calor rítmico, mas o que pesa são os beats sem muita variação e a alternância dos cantos da Karol. O repertório é irregular, com canções legais e outras sem graça. No fim, é um álbum mediano, ao qual faltou mais profundidade. 

Melhores Faixas: Mal Nenhum, Subida, Slow 
Piores Faixas: Por Inteira, Sossego, Calma


Analisando Discografias - Marcelo D2

                    Eu Tiro É Onda – Marcelo D2 NOTA: 9,4/10 Voltando para 1998, Marcelo D2 lançava seu 1º álbum solo intitulado Eu Tiro É O...