domingo, 10 de maio de 2026

Analisando Discografias - Los Rakas

                 

Panabay Twist – Los Rakas





















NOTA: 3/10


Indo lá para 2006, o grupo Los Rakas lançava seu 1º trabalho no formato da mixtape, o Panabay Twist. Formado naquele ano através do programa comunitário BUMP (Bay Unity Music Project), em Oakland, por Raka Rich e Raka Dun, descendentes do Panamá que passaram a vida na Bay Area, eles tinham uma proposta que chamavam de som “Pana-Bay”: uma fusão do Rap com Reggaetón e Dancehall, alternando inglês e espanhol com naturalidade. A produção, feita por eles mesmos, foi realizada de forma caseira, com beats diretos, muitas vezes minimalistas, e forte presença de ritmos caribenhos mesclados a bases clássicas do Rap da costa oeste. O maior problema é que a mixagem às vezes soa bem malfeita, além de os flows da dupla parecerem bastante imprecisos e sem muita variação. O repertório é ruim, com canções interessantes e outras bem medíocres. Enfim, é uma mixtape fraca, que mostrava que eles ainda precisavam se aperfeiçoar. 

Melhores Faixas: Bounce, Tell Me So(dimelo), Feel You 
Piores Faixas: Para Mi, Mi Barrio, Propaganda Remix, No Problema

P.B.T. 2: La Tanda Del Bus – Los Rakas





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e Los Rakas retornaram lançando sua 2ª mixtape, o P.B.T. 2: La Tanda Del Bus. Após o Panabay Twist, eles começaram a aperfeiçoar sua estética dentro da cena e passaram a estruturar sua proposta com mais consciência artística. O conceito central dessa tape gira em torno do “Diablo Rojo”, os famosos ônibus coloridos do Panamá, conhecidos por seus sistemas de som potentes e identidade visual vibrante. A produção contou com Iamani, Freddy Stylez, Matt Price, N.O.T.T.Y, Traxamillion e Rob E, que criaram beats mais polidos e diversificados: há bases minimalistas do Rap, riddims clássicos do Dancehall, grooves latinos e até incursões em sonoridades mais eletrônicas. Os vocais também evoluem. A entrega do Rich e Dun está mais confiante, com flows mais definidos e melhor controle de cadência. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e chegam a ser imersivas. Enfim, é um trabalho bacana e que mostrou uma evolução. 

Melhores Faixas: Lo Mucho Que Te Quiero, Kalle 
Vale a Pena Ouvir: Parkiando, Sociedad, Hierba, Novato

Chancletas y Camisetas Bordada – Los Rakas





















NOTA: 7/10


Indo para 2011, Los Rakas lançava o EP intitulado Chancletas y Camisetas Bordadas, um trabalho bastante tematizado. Após o P.B.T. 2: La Tanda Del Bus, este projeto gira em torno da identidade “Raka”, profundamente ligada às raízes panamenhas e à vivência da Bay Area. O próprio título remete a elementos culturais específicos: as “chancletas” (sandálias) e as “camisetas bordadas”, peças associadas às classes populares do Panamá e à estética de bairro. A produção contou com Chief Boima, Hawk Beatz, Iamani, The Beat Man e Ned & Grizz, que apostaram em uma abordagem mais sofisticada, com influências do Rap e elementos latinos. A base musical continua enraizada em ritmos afro-caribenhos, como Reggae e Dancehall, mas agora combinada com beats eletrônicos e estruturas mais limpas. O repertório é legalzinho, e as canções ficaram bem mais profundas e com um toque envolvente. No geral, é um EP interessante e muito coeso. 

Melhores Faixas: Camisetas Borda, Panty Wanty 
Vale a Pena Ouvir: Borracho, Panty Wanty

Raka Love – Los Rakas





















NOTA: 7/10


No ano seguinte, foi lançado outro EP deles, o Raka Love, composto por love songs. Após o Chancletas y Camisetas Bordadas, o Los Rakas decidiu seguir por um caminho mais romantizado, o que não significa um abandono da identidade cultural, mas sim uma reinterpretação dela. O amor apresentado nesse EP não é idealizado de forma pop tradicional; ele passa pelo filtro da vivência afro-latina, da rua e da diáspora Panamá–Oakland. A produção foi diversificada, contando com Beats by Italy, Grizz Lee, PanaPola, Party Animal, Raka Stylo e Sirealz, que adicionaram texturas mais limpas, com forte influência de R&B e Pop latino. Os beats são mais leves e espaçados, priorizando ambiência e groove em vez de impacto bruto. Sintetizadores suaves, linhas de baixo menos agressivas e batidas mid-tempo criam um clima constante de relaxamento e sensualidade. O repertório é legalzinho, e as canções são bem sentimentais. Enfim, é um EP muito bom e consistente. 

Melhores Faixas: De Alante Alante, Enamorado De Ti 
Vale a Pena Ouvir: Dicelo Ya, Magia

El Negrito Dun Dun & Ricardo – Los Rakas





















NOTA: 8,2/10


E aí chegou 2014, ano em que foi enfim lançado o álbum de estreia do Los Rakas, o El Negrito Dun Dun & Ricardo. Após o EP Raka Love, o grupo acabou assinando com a Universal Records, e esse trabalho é ambicioso e claramente inspirado em Speakerboxxx/The Love Below, do Outkast: o álbum é dividido em duas metades, sendo a primeira mais autobiográfica e ligada às raízes panamenhas e à experiência imigrante, enquanto a segunda incorpora uma identidade mais urbana e cosmopolita da Bay Area. Produzido pela própria dupla junto com Yeti Beats, o disco trabalha com uma paleta sonora ampla, que vai do Reggaetón clássico ao EDM, passando por Rap, Dancehall, Soul e House dos anos 90. A maior diferença certamente está na parte do Raka Rich, que apresenta forte presença de sintetizadores, grooves de R&B e influências eletrônicas. O repertório é muito legal, e as canções são bem profundas e até mais envolventes. No fim, é um ótimo disco de estreia e bem sólido. 

Melhores Faixas: Sueno Americano, Hot, Siente La Musica 
Vale a Pena Ouvir: Chica De Mi Corazon (Josefina), Demencia Y Locura, Malibu Girl

Raka Love 2 – Los Rakas





















NOTA: 2/10


Três anos se passaram, e eles lançaram outro EP dessa vez, o Raka Love 2, em um momento de adaptações. Após o El Negrito Dun Dun & Ricardo, eles tinham ganhando um moderado reconhecimento no cenário underground do Rap latino. E esse trabalho funciona como uma espécie de retorno consciente a um formato mais íntimo e emocional, agora com maior maturidade artística. Produção feita inteiramente por Mars Today, aposta em um som mais limpo, atmosférico e alinhado ao R&B contemporâneo e ao Reggaetón melódico. Os beats são mais minimalistas e sofisticados, com uso frequente de sintetizadores suaves, batidas mid-tempo e texturas ambientais. Raka Rich e Raka Dun utilizam menos flow agressivo e mais linhas melódicas, harmonizações e refrões cantados, mas tudo soa repetitivo e bastante sem graça. O repertório é ruim, tem canções legais e outras bem mais do mesmo. No fim, é um trabalho fraco e sendo uma continuação desnecessária. 

Melhores Faixas: One More Time, Culpa 
Piores Faixas: Have It All, Me Enamoro, Lluvia

Manes De Negocio – Los Rakas





















NOTA: 3,2/10


Então chegamos a 2019, quando foi lançado o 2º e último álbum até então do Los Rakas, o Manes De Negocio. Após o Raka Love 2, esse novo trabalho surge em um cenário já dominado pelo crescimento do Trap latino. Em vez de simplesmente seguir a tendência, o projeto se posiciona como uma adaptação do som “Raka” a esse novo contexto, além de ter sido lançado de forma independente, já que a dupla havia saído da Universal. A produção, conduzida por Adrian L. Miller, tentou combinar o peso do Trap latino com elementos clássicos da sonoridade do duo, como Reggaetón e influências tropicais. A base do disco está ancorada no Trap: hi-hats rápidos, 808s graves e atmosferas mais sombrias. Porém, tudo acaba ficando bem maçante e funcionando como uma combinação de clichês padrões do gênero. O repertório é ruim, com canções chatíssimas e poucas realmente interessantes. No fim, é um disco péssimo e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Secreto, Otra Vez, Our Love, Vamanos 
Piores Faixas: Loco, Yo También, Devorame, Yo También, Natural

 

Analisando Discografias - Marcelo D2

                    Eu Tiro É Onda – Marcelo D2 NOTA: 9,4/10 Voltando para 1998, Marcelo D2 lançava seu 1º álbum solo intitulado Eu Tiro É O...