terça-feira, 12 de maio de 2026

Analisando Discografias - Sain

                  

Dose de Adrenalina – Sain





















NOTA: 8,5/10


No nosso querido ano de 2017, o Sain lançava seu 1º trabalho solo, o Dose de Adrenalina. Sua trajetória no Rap começou desde pequeno, já que ele era filho da lenda Marcelo D2, e desde cedo participou de alguns projetos do pai, sendo a participação no Acústico MTV a mais notória. Lá por volta do fim dos anos 2000, ele formou o grupo Start, que teve um certo reconhecimento, mas não durou muito tempo. A virada de chave veio quando ele passou a fazer parte do coletivo Pirâmide Perdida, começando a ganhar mais visibilidade naquele período que viria a ser o ano lírico. A produção, feita por ele, contou também com nomes como Coyote Beatz, El Lif Beatz e WC no Beat, entre outros, seguindo uma estética extremamente atmosférica, baseada no Boom Bap, com samples quentes e beats secas. Há uma influência clara do Jazz Rap, mas filtrada por uma estética Lo-fi. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de leveza. Enfim, é um ótimo álbum de estreia e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Doses de Adrenalina (Luccas Carlos mandando bem), Quem é da Área (ótima feat do BK’), Pronto, Eu Sei Bem (Felp Cacife mandando bem) 
Vale a Pena Ouvir: Prato do Dia, Prato do Dia

Slow Flow – Sain





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e o Sain lançou seu 2º álbum solo, intitulado Slow Flow, que foi bem mais amplo. Após o Dose de Adrenalina, esse trabalho soa como um retrato pessoal, fechado e extremamente concentrado na atmosfera. O título do álbum também ajuda a entender sua proposta: veio de uma música do rapper americano Evidence, além de refletir o jeito arrastado e relaxado de rimar que seus amigos já associavam a ele. A produção, feita pelo rapper junto com El Lif Beatz, partiu para uma abordagem mais crua e direta, com beats econômicas, muitas vezes construídas com poucos elementos: bateria seca, samples de Jazz e Soul, baixos profundos e loops hipnóticos, refletindo a estética do Boom Bap, o que faz encaixar perfeitamente seu flow cadenciado. O repertório é legalzinho, e as canções são bem imersivas, mesmo com algumas faixas fracas. No fim, é um álbum bacana, que trouxe um lado bem cinematográfico. 

Melhores Faixas: Rosas e Rimas, Hoodfellas, Faixa 7 
Piores Faixas: Lobbies de Hotéis, Skit KM
  

KTT ZOO – Sain





















NOTA: 9,4/10


Então chegamos a 2023, ano em que foi lançado o maravilhoso 3º álbum do Sain, o KTT ZOO. Após o Slow Flow, o rapper decidiu fazer um álbum mais expansivo, visual e conceitual, mantendo a identidade do Jazz Rap e do Boom Bap, que naquele período passavam por um revival graças ao sucesso do Febre90s, mesmo com o Trap ainda estando no topo. Esse título é uma referência clara ao Catete, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde Sain cresceu e desenvolveu boa parte da sua vivência artística, enquanto “Zoo” simboliza justamente a diversidade humana. A produção, feita inteiramente pelo rapper, traz beats cruas, com samples jazzísticos, baixos profundos, baterias secas e loops hipnóticos, refletindo a vibe do Boom Bap nova-iorquino dos anos 90 com textura Lo-fi, encaixando perfeitamente com o flow preciso e cadenciado do Sain. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de profundidade. No fim, é um belo álbum e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Aquelas Coisas Mais Pra Frente, Demanda, Lucro (Felp mandou bem demais), Momentos, Iori Incorporado 
Vale a Pena Ouvir: Relíquia Do Boom Bap, Ebi no Tempura (Febem mandou bem)


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