domingo, 19 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Grant Green: Parte 2

                 

Sunday Mornin' – Grant Green





















NOTA: 8,5/10


Próximo ao final daquele ano foi lançado mais um álbum intitulado Sunday Mornin', que foi mais intimista. Após o Grantstand, Grant Green decidiu focar em um clima mais meditativo e espiritual, porém ainda profundamente grooveado. É um disco que reflete o lado mais lírico e contemplativo dele, como se fosse a trilha sonora ideal para uma manhã ensolarada de domingo (como o próprio título sugere), mas sem perder o balanço característico de suas raízes no Gospel e no Blues. A produção foi aquela de sempre, com uma captação de som cristalina, especialmente na forma como a guitarra de Green se destaca no espaço estéreo, com o piano de Kenny Drew sustentando o diálogo harmônico e o baixo acústico de Ben Tucker garantindo um pulso firme e quente. Ben Dixon, baterista recorrente nas gravações de Green, oferece aqui uma abordagem delicada, mas com personalidade. O repertório é muito bom, com canções mais intimistas. Enfim, é um ótimo trabalho, bem tranquilo. 

Melhores Faixas: God Bless The Child, Sunday Mornin' 
Vale a Pena Ouvir: So What

The Latin Bit – Grant Green





















NOTA: 8,9/10


Em 1963 foi lançado mais um trabalho do guitarrista, intitulado The Latin Bit, que foi mais temático. Após o Sunday Mornin’, para esse novo álbum Green decidiu explorar uma vertente mais rítmica, marcada pela influência da música afro-cubana e latina que começava a permear o jazz nova-iorquino do início dos anos 60. A produção foi aquela de sempre, e seu quarteto-base é expandido por uma seção de percussão tipicamente latina, resultando em uma sonoridade rica, viva e textural. A formação conta com John Acea ao piano, Ben Tucker no baixo, Willie Bobo nas congas e bongôs, e Carlos “Patato” Valdés (um dos grandes nomes da percussão cubana) também nas congas. Dave Bailey completa o grupo na bateria. Essa junção de músicos cria um ambiente pulsante, resultando em um repertório muito bom, com canções técnicas e baseadas na improvisação. Enfim, é um ótimo trabalho e que vale a pena escutar. 

Melhores Faixas: Mambo Inn, Brazil 
Vale a Pena Ouvir: Mama Inez

Feelin' The Spirit – Grant Green





















NOTA: 9,7/10


Logo depois foi lançado outro álbum fenomenal de Grant Green, o Feelin' The Spirit. Após o The Latin Bit, Green já havia explorado a espiritualidade de forma sutil em alguns trabalhos anteriores, e aqui ele retorna às suas origens, à música que ouvia nas missas e nos cultos de sua infância, para reinterpretar hinos espirituais com a linguagem sofisticada, mas acessível, do Jazz moderno. A produção foi aquela típica da Blue Note e contava com uma formação composta por Butch Warren no baixo, Billy Higgins na bateria, Garvin Masseaux no tamborim e o jovem prodígio Herbie Hancock no piano. Aqui, o som é quente: a guitarra parece emanar da própria madeira, o piano tem brilho e corpo, e a bateria de Higgins soa arejada. Há um senso de espaço e ressonância que reforça a natureza contemplativa do repertório. Falando nisso, o repertório é incrível, e as canções são todas bem aconchegantes. Enfim, é um baita disco, que se tornou outro clássico de sua carreira. 

Melhores Faixas: Joshua Fit De Battle Ob Jericho, Just A Closer Walk With Thee 
Vale a Pena Ouvir: Go Down Moses

Am I Blue – Grant Green





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e Grant Green lançava mais um disco, o Am I Blue, que trazia poucas novidades. Após o Feelin' The Spirit, como sabemos, o Hard Bop já se consolidara como linguagem dominante, mas começava a se abrir para o Soul Jazz e para uma estética mais acessível. A Blue Note, sob direção de Alfred Lion, sabia equilibrar essas duas tendências, alternando discos de vanguarda com álbuns mais grooveados e melódicos, voltados a um público mais amplo. Green parecia em busca de um novo espaço expressivo. A produção seguiu um caminho mais cristalino, mostrando um órgão Hammond de Big John Patton soando aveludado, a bateria do Ben Dixon com profundidade, o trompete de Johnny Coles elegante e contido, o sax do Joe Henderson, jovem e criativo, adicionando uma pitada de modernidade modal, e a guitarra no centro, viva e expressiva. O repertório é bem legal, e as canções foram mais cadenciadas. Enfim, é um trabalho interessante e preciso. 

Melhores Faixas: Sweet Slumber 
Vale a Pena Ouvir: I Wanna Be Loved, Am I Blue

Idle Moments – Grant Green





















NOTA: 10/10


Agora indo para 1965, ano em que foi lançado o sensacional e atemporal Idle Moments. Após o Am I Blue, o disco representava algo distinto, um projeto menos voltado ao groove ou ao Soul Jazz e mais comprometido com a criação de um clima contemplativo. A concepção partiu do produtor Alfred Lion, que queria registrar Grant em um ambiente mais espaçoso e sofisticado, com um sexteto de músicos de primeira linha: Joe Henderson no sax tenor, Bobby Hutcherson no vibrafone, Duke Pearson no piano, Bob Cranshaw no baixo e Al Harewood na bateria. A produção foi bem mais cristalina e profunda, com um equilíbrio raro entre a guitarra de Green e o vibrafone de Hutcherson, e a combinação desses timbres é o coração sonoro do álbum. O resultado é um som flutuante, carregado de emoção e sem pressa, como se o tempo estivesse suspenso. O repertório contém apenas 4 faixas, que são longas, mas todas perfeitas. No geral, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Idle Moments, Django 
Vale a Pena Ouvir: Jean De Fleur, Nomad
  

               Então é isso e flw!!!         

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