quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Kansas: Parte 2

                 

Masque – Kansas





















NOTA: 8,9/10


Meses se passam, e foi lançado o 3º álbum do Kansas, intitulado Masque, que seguiu por um caminho mais amplo. Após o Song For America, a banda vivia um momento de amadurecimento acelerado: turnês intensas, crescimento de público, maior confiança em estúdio e, acima de tudo, uma necessidade de provar que era um grupo americano capaz de competir com os gigantes progressivos britânicos, mas sem imitá-los. A produção foi feita inteiramente por Jeff Glixman, que ajudou a banda a criar um disco em que o Rock é mais evidente do que nos dois trabalhos anteriores. Existe mais peso na guitarra de Rich Williams e mais espaço para o baixo de Dave Hope. O violino do Robby Steinhardt, por sua vez, não apenas colore, mas dialoga com as guitarras e órgãos de forma mais orgânica, criando texturas menos óbvias e mais integradas. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais energética. Enfim, é um ótimo disco e mais ambicioso. 

Melhores Faixas: Icarus - Borne On Wings Of Steel, Child Of Innocence, It Takes A Woman's Love (To Make A Man) 
Vale a Pena Ouvir: The Pinnacle, Two Cents Worth

Leftoverture – Kansas





















NOTA: 10/10


Então chega 1976, quando foi lançado o maravilhoso 4º álbum do Kansas, o Leftoverture. Após o Masque, apesar de sua reputação crescente como banda ao vivo e de certa presença no circuito progressivo, eles ainda não tinham alcançado um grande sucesso comercial. A Kirshner Records começava a pressionar por resultados mais expressivos. Além disso, Steve Walsh passava por uma espécie de bloqueio criativo, e com isso Kerry Livgren assumiu um papel ainda maior na composição. A produção foi feita por Jeff Glixman junto com a banda, que partiu para um som mais robusto, tridimensional e refinado do que nos discos anteriores, equilibrando Rock progressivo sinfônico com Hard Rock, com arranjos vocais mais densos, camadas de teclado meticulosamente construídas e uma integração praticamente perfeita entre guitarra e violino. O repertório é maravilhoso, parecendo praticamente uma coletânea. Enfim, é um álbum espetacular e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Carry On Wayward Son, The Wall, Cheyenne Anthem, Miracles Out Of Nowhere 
Vale a Pena Ouvir: What's On My Mind, Magnum Opus (principalmente na 5ª parte: Release the Beavers)

Point Of Know Return – Kansas





















NOTA: 9,9/10


Ai, no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do Kansas, o também espetacular Point of Know Return. Após o Leftoverture, com o sucesso estrondoso do hit Carry On Wayward Son, eles se consolidaram como um dos principais nomes do rock progressivo nos Estados Unidos. Só que começava um desgaste por conta de turnês extensas, e Kerry Livgren estava cada vez mais mergulhado em reflexões filosóficas e espirituais que transbordavam para suas letras, enquanto Steve Walsh ainda sofria com seu bloqueio criativo. A produção, feita como sempre por Jeff Glixman, seguiu para um som ainda mais lapidado e grandioso, mantendo a densidade progressiva, mas com uma clareza impressionante, com guitarras mais definidas, teclados com camadas mais complexas e arranjos vocais e de violino que sustentam toda a base sonora. O repertório é maravilhoso, e as canções são épicas e energéticas. Enfim, é um baita disco e outro clássico da banda. 

Melhores Faixas: Dust In The Wind, Point Of Know Return, Closet Chronicles, Sparks Of The Tempest, Lightning's Hand 
Vale a Pena Ouvir: Portrait (He Knew), Paradox

Monolith – Kansas





















NOTA: 9/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um disco do Kansas, o Monolith, que trouxe muitas mudanças. Após o Point of Know Return, eles se tornaram uma das bandas mais populares dos Estados Unidos. Turnês massivas, vendas altas e uma presença forte nas rádios consolidavam o grupo como referência máxima do chamado “Prog americano”. Porém, esse sucesso vinha acompanhado de pressões intensas: expectativas comerciais crescentes, desgaste interno e uma mudança de época, já que o Rock progressivo começava a ser limado pela indústria. A produção, conduzida pela própria banda, seguiu uma abordagem mais compacta e densa, em vez da expansão sinfônica habitual. Há menos brilho “radiofônico” e mais densidade, resultando em um disco introspectivo, complexo e, em muitos momentos, enigmático. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas e com um lado mais melódico. No final, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: People Of The South Wind, Stay Out Of Trouble, On The Other Side 
Vale a Pena Ouvir: A Glimpse Of Home, Reason To Be

Audio-Visions – Kansas





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos aos anos 80, quando o Kansas retorna com mais um disco, o Audio-Visions. Após o Monolith, ficou claro que o grupo estava numa encruzilhada: Steve Walsh e Kerry Livgren já não compartilhavam a mesma visão artística, pois Livgren havia se convertido recentemente ao cristianismo e passou a escrever letras de forte caráter religioso, o que começou a gerar desconforto em parte da banda, sobretudo em Walsh, que queria que a abordagem seguisse para o lado característico do Rock. Com isso, o clima interno estava completamente desagradável. A produção, feita pela banda junto com Brad Aaron e Davey Moiré, trouxe uma abordagem nítida e bem equilibrada, mostrando que o grupo tentava encontrar um ponto entre o estilo do Hard Rock e o AOR que começaria a dominar aquele período, ainda que mantivesse o caráter grandioso. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. Em suma, é um ótimo disco em um momento de ruptura. 

Melhores Faixas: Hold On, Go To Rock On 
Vale a Pena Ouvir: No Room For A Stranger, Don't Open Your Eyes, Relentless
  

                       Então é isso e flw!!!           

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