quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Wishbone Ash: Parte 2

                 

Locked In – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos e o Wishbone Ash lançava seu 6º álbum de estúdio, o Locked In. Após o There’s The Rub, a década avançava, o Rock progressivo estava em transição, e as pressões do mercado e das gravadoras por maior acessibilidade influenciaram a direção musical da banda. Com isso, eles estavam em busca de um equilíbrio entre sua assinatura de guitarras duplas e melodias mais diretas. A produção foi feita por Tom Dowd, que deixou o som mais polido e um tanto americanizado, com menos ênfase em expansões instrumentais e jams longas, e mais foco em arranjos compactos, com a bateria e o baixo ganhando maior proeminência. As guitarras harmônicas ainda estão presentes, mas a produção não as empurra tanto para o centro das atenções como era habitual, além de dar mais ênfase aos vocais do Martin Turner. O repertório é bem legal, as canções são mais envolventes e sofisticadas. No fim, é um ótimo disco e bastante menosprezado pelos fãs. 

Melhores Faixas: It Started In Heaven, No Water In The Well 
Vale a Pena Ouvir: Say Goodbye, Rest In Peace, Half Past Lovin'

New England – Wishbone Ash





















NOTA: 9/10


Meses depois, foi lançado mais um trabalho novo do Wishbone Ash, o New England. Após o subestimado Locked In, os fãs esperavam um álbum que equilibrasse a virtuosidade instrumental da banda com as canções acessíveis que eles vinham buscando. Com isso, este álbum atende a essa expectativa ao oferecer tanto momentos introspectivos quanto passagens mais vibrantes e energéticas. A produção, conduzida por Ron Albert e Howard Albert, é robusta e mais refinada em comparação com registros anteriores da banda. Há um cuidado perceptível com a clareza sonora, os espaços nos arranjos e uma mixagem que valoriza tanto as guitarras quanto as texturas rítmicas. A banda explora timbres variados, desde harmônicos cristalinos até guitarras distorcidas em momentos mais intensos, resultando em um trabalho mais puxado para o Soft Rock. O repertório é muito bom, com canções envolventes e um lado mais suave. No final, é um ótimo disco, mas que também é subestimado. 

Melhores Faixas: Mother Of Pearl, Lonely Island, When You Know Love 
Vale a Pena Ouvir: Runaway, Lorelei

Front Page News – Wishbone Ash





















NOTA: 8,2/10


Mais um ano se passou, e foi lançado o 8º álbum da banda, o Front Page News (com capa que lembra a de um filme policial). Após o New England, o cenário musical da segunda metade dos anos 70 não era dos mais favoráveis para grupos associados ao Rock progressivo e ao Hard rock Clássico: o Punk despontava, a Disco music ganhava força e o AOR surgia. Nesse contexto, esse trabalho representa uma tentativa clara de modernização sonora e de diálogo com tendências mais contemporâneas da época. A produção, conduzida pela mesma dupla, ficou ainda mais polida, com um som limpo e bastante equilibrado, com maior foco na estrutura rítmica e nas linhas vocais. As guitarras continuam presentes, mas agora cumprem um papel mais funcional, menos expansivo e menos exploratório, deixando o conjunto mais voltado ao Pop Rock, só que mantendo suas influências. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas. Enfim, é um trabalho interessante e coeso. 

Melhores Faixas: Right Or Wrong, Goodbye Baby Hello Friend 
Vale a Pena Ouvir: The Day I Found Your Love, 714, Diamond Jack

No Smoke Without Fire – Wishbone Ash





















NOTA: 9,3/10


Em 1978, foi lançado mais um trabalho da banda, o No Smoke Without Fire, que voltou para um lado mais raiz. Após o Front Page News, a banda já sentia o desgaste causado pelo afastamento de suas raízes mais reconhecíveis: as guitarras gêmeas em diálogo, o peso controlado do Hard Rock e a sensação de liberdade instrumental. Com isso, eles decidem fazer um disco que não ignora completamente as exigências do período, mas tenta reencontrar o nervo do Wishbone Ash clássico. A produção teve o retorno de Derek Lawrence, que deixou o som mais direto, seco e pesado do que o de seus antecessores imediatos. O som das guitarras ganha mais presença e distorção, com riffs bem definidos e solos mais incisivos, além de um baixo sustentável e uma bateria firme, somados aos vocais centrais de Martin Turner. O repertório é incrível, e as canções são energéticas, com aquele lado imersivo. No final de tudo, é um álbum espetacular e que mostrou a volta daquela versatilidade. 

Melhores Faixas: You See Red, Stand And Deliver, Ships In The Sky 
Vale a Pena Ouvir: Like A Child, Anger In Harmony

Just Testing – Wishbone Ash





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 80, foi lançado o 10º álbum do Wishbone Ash, intitulado Just Testing. Após o No Smoke Without Fire, disco que havia representado uma tentativa relativamente bem-sucedida de recuperar peso e identidade após a fase mais orientada ao AOR, no entanto, em vez de consolidar essa retomada, a banda opta por um caminho completamente diferente. Esse trabalho é deliberadamente fragmentado, já que traz várias influências adquiridas ao longo de seus 10 anos de carreira. A produção foi feita pela própria banda junto com John Sherry, optando por uma sonoridade clara e orgânica, em que as guitarras aparecem ora com timbres limpos e delicados, ora com distorções secas e pouco trabalhadas. A bateria e o baixo muitas vezes soam contidos, quase discretos, compondo essa junção de Hard Rock, Blues Rock e AOR. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Em suma, é um trabalho legal e que marcou o fim de uma fase. 

Melhores Faixas: Living Proof, Lifeline, Master Of Disguise 
Vale a Pena Ouvir: New Rising Star, Haunting Me


                                                         Então é isso, um feliz 2026 para todos e flw!!!   

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