terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Chick Corea: Parte 3

                 

Three Quartets – Chick Corea





















NOTA: 9/10


Em 1981, foi lançado outro álbum maravilhoso do Chick Corea, o Three Quartets. Após o Tap Step, o pianista começa a sentir a necessidade de reafirmar sua identidade como compositor de música instrumental “pura”, com foco em forma, escrita e interação profunda. O conceito do álbum já diz muito: pensar o Jazz a partir da lógica do quarteto clássico. Não se trata apenas de tocar temas soltos, mas de construir peças longas, com desenvolvimento interno, reaparições temáticas e equilíbrio entre escrita e improvisação. A produção foi, obviamente, feita por ele mesmo, enxuta e totalmente voltada para a clareza instrumental. O piano do Chick Corea soa aberto e detalhado; o saxofone do Michael Brecker aparece sempre presente; o contrabaixo do Eddie Gómez é audível em toda a sua extensão; e a bateria do Steve Gadd é captada com equilíbrio, seguindo a base do Post-Bop. O repertório contém 4 faixas que são bastante técnicas e variadas. No fim, é um belo disco e bastante raiz. 

Melhores Faixas: Quartet No. 2 (Part 2) (Dedicated To John Coltrane), Quartet No. 3 
Vale a Pena Ouvir: Quartet No. 2 (Part 1) (Dedicated To Duke Ellington), Quartet No. 1

Touchstone – Chick Corea





















NOTA: 8,3/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo, intitulado Touchstone, que voltou para aquele caminho tradicional. Após o Three Quartets, Chick Corea se afasta da ideia de grupo fixo e assume uma postura mais próxima de compositor-produtor. O foco não está mais no interplay clássico do Jazz, mas na construção de paisagens sonoras a partir de sintetizadores, guitarras, baixos elétricos e baterias altamente processadas. A produção foi construída em camadas, com uso intenso de sintetizadores, programação, guitarras elétricas e texturas artificiais. O piano acústico aparece menos e, quando surge, costuma ser tratado como mais uma cor dentro do arranjo, não como protagonista absoluto. Segue aquele esquema tradicional do Jazz Fusion, indo muito mais para a valorização de contrastes e seções densas. O repertório é bem legal, e as canções são mais melódicas, mas com variação. No fim, é um ótimo disco, que trouxe uma ideia que dava para moldar. 

Melhores Faixas: Compadres, Dance Of Chance 
Vale a Pena Ouvir: Estancia

The Chick Corea Elektric Band – The Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8,3/10


Pulando para o início de 1986, foi lançado o 1º álbum autointitulado da chamada Chick Corea Elektric Band. Após o Touchstone, Chick decide retomar a ideia de uma banda estável, algo que não fazia de forma tão clara desde o fim do Return to Forever. Com isso, ele reúne músicos muito jovens, tecnicamente impressionantes e com uma relação íntima com eletrônicos e métricas complexas. Dave Weckl, John Patitucci, Scott Henderson e Carlos Rios formam um grupo que combina precisão quase cirúrgica com energia explosiva. A produção, feita pelo próprio Chick Corea, é moderna e altamente detalhista. Tudo soa extremamente definido: o baixo elétrico de seis cordas do John Patitucci; a bateria do Dave Weckl; as guitarras e os saxofones aparecem bem delimitados no espectro estéreo; e os teclados do Chick ocupam múltiplas camadas. O repertório é muito bom, e as canções são bem vibrantes. No fim, é um ótimo álbum e mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Got A Match?, King Cockroach, Elektric City 
Vale a Pena Ouvir: Rumble, India Town

Light Years – Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o segundo disco dessa fase, intitulado Light Years, que é ainda mais modernoso. Após o álbum anterior, Carlos Rios, que tinha aparecido poucas vezes e nem era considerado um membro fixo, acabou saindo, e além disso o grupo passou a contar com o saxofonista Eric Marienthal. Este disco surge num ponto em que a Elektric Band já operava como uma máquina altamente sincronizada. A produção é relativamente a mesma, mas os timbres soam mais encorpados, com maior sensação de profundidade e espaço estéreo. O baixo do John Patitucci ganha ainda mais definição melódica, a bateria do Dave Weckl soa mais orgânica, e os teclados do Chick Corea exploram uma paleta ainda mais ampla de sintetizadores digitais e pianos elétricos. O repertório é até legalzinho, com canções que seguem por um caminho mais envolvente. Enfim, é um álbum bom, mas com poucas novidades. 

Melhores Faixas: Time Track, The Dragon 
Vale a Pena Ouvir: Your Eyes, Second Sight

Eye Of The Beholder – The Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8,6/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um álbum de estúdio, o Eye of the Beholder. Após o Light Years, Chick Corea estava menos interessado em impacto imediato e mais focado em aprofundar a linguagem interna do grupo. O virtuosismo continua sendo extremo, mas agora é tratado quase como dado adquirido, não como atração principal. A produção, feita como sempre pelo próprio Chick Corea, resulta em um som extremamente limpo, porém menos espetacular. Os teclados soam mais integrados ao conjunto, muitas vezes funcionando como base harmônica, e não apenas como motor rítmico. O baixo de John Patitucci aparece com um timbre mais contido, enquanto a bateria de Dave Weckl continua precisa. Guitarras e saxofones entram de forma mais pontual, quase sempre a serviço da arquitetura das composições, que seguem a temática do Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No fim, é um ótimo disco e o melhor dessa fase. 

Melhores Faixas: Passage, Cascade-Part II, Eternal Child, Eye Of The Beholder 
Vale a Pena Ouvir: Beauty, Trance Dance

Inside Out – Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8,1/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um disco, o Inside Out, que é mais orgânico. Após o Eye of the Beholder, Chick Corea tinha lançado um álbum acústico no ano anterior que não trouxe tantas novidades. Ao voltar para sua banda elétrica, ele queria fazer algo que expandisse o som deles, concentrando-se em composições longas, formas de suíte e interações rítmicas complexas, que refletem tanto a tradição do Jazz Fusion quanto elementos modernos da música instrumental. A produção é aquela de sempre, acentuando a clareza dos instrumentos e destacando o equilíbrio entre escrita e improvisação. Enquanto os sintetizadores e o piano acústico do Chick Corea alternam entre timbres variados, a guitarra do Gambale adiciona uma presença harmônica e rítmica muito firme, complementada pelo baixo articulado de Patitucci e pela bateria dinâmica de Weckl. O repertório é interessante, com canções mais técnicas. No geral, é um álbum bem consistente. 

Melhores Faixas: Tale Of Daring - Chapter 3, Kicker 
Vale a Pena Ouvir: Child's Play, Stretch It - Part 2, Make A Wish - Part 2


                                                                               Por hoje é só, então flw!!!      

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