quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Chick Corea: Parte 4

                 

Beneath The Mask – The Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8,3/10


No ano de 1991, foi lançado mais um trabalho da Chick Corea Elektric Band, o Beneath The Mask. Após o Inside Out, Chick Corea estava menos interessado em expandir a complexidade estrutural e mais focado em consolidar uma identidade sonora madura. Se o álbum anterior explorava longas formas, climas orgânicos e interações rítmicas densas, aqui o grupo opta por um repertório mais direto, sem abrir mão do refinamento técnico. A produção busca um som limpo, altamente controlado e polido, típico do início dos anos 90. Os teclados do Corea ocupam um papel central, alternando entre timbres sintéticos brilhantes, pianos elétricos encorpados e camadas harmônicas densas, enquanto os outros músicos fazem a base de tudo. O repertório é muito bom, e as composições são todas bastante sofisticadas. No final de tudo, é um álbum bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Charged Particles, Free Step, A Wave Goodbye 
Vale a Pena Ouvir: One Of Us Is Over 40, 99 Flavors

Paint The World – Chick Corea Elektric Band II





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o álbum Paint The World, do agora Chick Corea Elektric Band II (bom, eu explico). Após o Beneath The Mask, Corea parecia consciente de que aquela formação havia chegado ao limite natural de sua linguagem. O virtuosismo extremo, a precisão quase mecânica e o som altamente polido dos anos 80 já não correspondiam totalmente ao que ele buscava artisticamente no início dos anos 90. Com isso, a formação ficou com Eric Marienthal (saxofone), Mike Miller (guitarra), Jimmy Earl (baixo) e Gary Novak (bateria). A produção foi menos exuberante e mais funcional do que nos álbuns finais da Elektric Band original. O som continua limpo, mas há uma sensação clara de maior espaço entre os instrumentos. Os timbres são escolhidos para servir à interação, não para impressionar isoladamente. O repertório é bem legal, e as canções ficaram mais expressivas. No geral, é um disco legal, mas essa proposta não duraria muito tempo. 

Melhores Faixas: Ritual, Blue Miles 
Vale a Pena Ouvir: Spanish Sketch, Space, C.T.A.

To The Stars – Chick Corea Elektric Band





















NOTA: 8/10


Onze anos se passaram para que Chick Corea lançasse o último álbum dessa era, o To The Stars. Após o Paint The World, ele decidiu fazer uma obra conceitual inspirada no romance de ficção científica To The Stars, de L. Ron Hubbard, um livro que despertou a imaginação do pianista e que ele traduziu em uma linguagem musical abstrata e espacial. Com isso, decidiu trazer de volta aquela primeira formação e retomar a ousadia que havia funcionado na década de 80. A produção, conduzida por ele próprio, é densa, expansiva e altamente detalhada, refletindo a ambição conceitual do projeto. O som é grande, cheio de camadas, com uso extensivo de sintetizadores, pianos elétricos, timbres digitais e texturas atmosféricas. A bateria e o baixo alternam entre grooves intensos, enquanto guitarras e teclados frequentemente se complementam. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. No fim, é um ótimo disco e um fechamento de ciclo decente. 

Melhores Faixas: Alan Corday, The Long Passage, Check Blast 
Vale a Pena Ouvir: Johnny's Landing, Hound Of Heaven

The Vigil – Chick Corea





















NOTA: 8,4/10


Pulando para 2013, Chick Corea retorna lançando mais um disco, intitulado The Vigil. Após o término da Elektric Band, e depois de algumas reuniões com o Return to Forever, Corea montou uma nova formação: Tim Garland (saxofones), Charles Altura (guitarra), Hadrien Feraud (baixo) e Marcus Gilmore (bateria). O álbum combina influências do Jazz Fusion clássico com elementos acústicos, grooves modernos e composições expansivas e narrativas. A produção é bem mais orgânica e equilibra instrumentos acústicos com timbres elétricos e eletrônicos, criando um som que é ao mesmo tempo sofisticado, orgânico e eletricamente vibrante. O design sonoro evidencia cada músico sem sacrificar o trabalho coletivo, especialmente a interatividade rítmica. O repertório é muito bom, e as canções, apesar de longas, têm bastante dinâmica. No geral, é um ótimo trabalho e bastante expressivo. 

Melhores Faixas: Pledge For Peace, Portals To Forever 
Vale a Pena Ouvir: Planet Chia, Royalty

Antidote – Chick Corea & The Spanish Heart Band





















NOTA: 8,2/10


Então chegamos a 2019, quando foi lançado o último álbum do Chick Corea, o Antidote. Após o The Vigil, Chick Corea revisita suas raízes latinas, flamencas e hispânicas, influências que atravessaram toda a sua carreira desde os anos 60, quando trabalhava com Mongo Santamaría, até suas obras emblemáticas dos anos 70 e 80. Com isso, ele reúne um time de músicos latino-espanhóis para marcar esse último projeto. A produção, feita por ele próprio, equilibra tradição e contemporaneidade: a performance individual é sempre brilhante, mas a prioridade é a coletividade rítmica e a interação cultural. A direção sonora abraça amplamente elementos de Jazz latino, Flamenco, Bossa Nova, Post-Bop e arranjos de Big Band em pequena formação. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem intimistas. E, após isso, infelizmente, em 2021, Chick Corea veio a falecer em decorrência de um câncer, mas deixou um último trabalho digno. 

Melhores Faixas: My Spanish Heart, Zyryab 
Vale a Pena Ouvir: Antidote, Desafinado, Armando’s Rhumba  

 

Analisando Discografias - PNAU

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