domingo, 4 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Genesis: Parte 1

                 

Trespass – Genesis





















NOTA: 9,3/10


Em 1970, foi lançado o 2º álbum do Genesis, intitulado Trespass, no qual eles decidiram mudar seu direcionamento. Após o From Genesis to Revelation, que não refletia com clareza a identidade musical do grupo e ainda os deixou presos a uma imagem excessivamente Pop e pastoral, em parte moldada por decisões externas de produção, a banda passou por mudanças importantes. Com isso, o baterista John Silver acabou saindo e, em seu lugar, entrou John Mayhew, e a partir daí o grupo começou a formular a estética pela qual ficaria conhecido. A produção, feita por John Anthony, foi bem mais orgânica, em vez de camadas orquestrais artificiais; o foco aqui está na própria banda tocando, com arranjos mais espaçosos e uma sensação quase etérea, além das primeiras influências claras do Rock progressivo e do Folk. O repertório é incrível, com canções muito melódicas e imersivas. No fim, é um disco maravilhoso e representa uma verdadeira virada de chave. 

Melhores Faixas: The Knife, Looking For Someone 
Vale a Pena Ouvir: Stagnation, Dusk

Nursery Cryme – Genesis





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, foi lançado o 3º álbum da banda, intitulado Nursery Cryme, que foi ainda mais ambicioso. Após o Trespass, que havia estabelecido as bases de uma identidade progressiva ainda frágil e em formação, este álbum mostra a banda finalmente encontrando uma formação estável, uma direção estética clara e uma confiança artística muito maior. A entrada do Steve Hackett na guitarra, no lugar do Anthony Phillips, e, sobretudo, do Phil Collins na bateria, muda radicalmente a dinâmica do grupo. A produção, conduzida novamente por John Anthony, deixou o som mais encorpado, mais dinâmico e melhor equilibrado, permitindo que cada instrumento tenha espaço para se destacar sem comprometer a coesão geral, com guitarras dinâmicas, teclados alternados, a bateria precisa do Collins e os vocais teatrais do Peter Gabriel. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem fantasiosas e técnicas. No geral, é um belo disco e um clássico. 

Melhores Faixas: The Musical Box, The Fountain Of Salmacism, The Return Of The Giant Hogweed 
Vale a Pena Ouvir: Seven Stones, Harold The Barrel

Foxtrot – Genesis





















NOTA: 10/10


Mais um ano se passou, e foi lançada a trinca de ouro do Genesis, começando com o sensacional Foxtrot. Após o Nursery Cryme, a banda finalmente se consolidava como uma formação estável. Ao mesmo tempo, o grupo passava a ser reconhecido no circuito progressivo britânico, especialmente por suas apresentações ao vivo cada vez mais teatrais, nas quais Peter Gabriel começava a desenvolver personagens, figurinos e uma abordagem cênica que se tornaria icônica, e, com isso, eles decidiram explorar temas mais densos e adotar uma postura mais expansiva. A produção, conduzida por Dave Hitchcock junto com a banda, manteve a clareza e a organicidade vistas anteriormente, mas com um senso maior de escala e profundidade. O som é mais robusto, permitindo que as longas estruturas das músicas se desenvolvam com naturalidade. O repertório é espetacular, parecendo até uma coletânea. No geral, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Watcher Of The Skies, Supper's Ready (principalmente na 3ª parte: Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men), Can-Utility And The Coastliners 
Vale a Pena Ouvir: Get 'Em Out By Friday

Selling England By The Pound – Genesis





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1973, quando foi lançado o atemporal Selling England by the Pound. Após o Foxtrot, a banda havia alcançado um alto nível de reconhecimento na cena britânica. Ao mesmo tempo, havia a sensação de que o sucesso ainda era limitado, especialmente fora do Reino Unido, e de que a identidade cultural inglesa estava sendo diluída pela influência do mercado e da cultura americana, resultando assim em um álbum conceitual sobre a história inglesa, suas tradições, sua paisagem emocional e sua transformação em mercadoria. A produção, feita por John Burns junto com a banda, é refinada e cuidadosamente equilibrada, permitindo que cada detalhe dos arranjos seja percebido, como os teclados exuberantes de Banks, a bateria precisa do Collins, as guitarras orquestrais do Hackett e Rutherford e os vocais únicos do Peter Gabriel. O repertório é sensacional, também parecendo uma coletânea. No fim, é um álbum excepcional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Firth Of Fifth, Dancing With The Moonlit Knight, I Know What I Like (In Your Wardrobe), The Cinema Show 
Vale a Pena Ouvir: The Battle Of Epping Forest, After The Ordeal

The Lamb Lies Down On Broadway – Genesis





















NOTA: 10/10


Aí mais um ano se passa e essa fase de ouro se encerra com o espetacular The Lamb Lies Down on Broadway. Após o Selling England by the Pound, a banda se encontrava no auge criativo, mas internamente fragmentada, com Peter Gabriel cada vez mais interessado em narrativas complexas, enquanto os outros membros buscavam preservar o equilíbrio coletivo, o que gerou conflitos crescentes. Então surgiu a ideia de fazer um álbum que conta a história de Rael, um jovem porto-riquenho em Nova York lançado em uma jornada surreal. A produção seguiu um caminho mais denso, com um som mais seco, urbano e direto, refletindo a ambientação claustrofóbica da narrativa. Os teclados de Banks são mais texturais, a guitarra do Hackett mais contida, a seção rítmica de Collins e Rutherford sólida e os vocais de Gabriel variados. O repertório novamente é espetacular, com começo, meio e fim. Enfim, é um belíssimo disco e um exemplo de Ópera-Rock perfeito. 

Melhores Faixas: Carpet Crawl, The Lamb Lies Down On Broadway, In The Cage, Anyway, Back In N.Y.C., It, The Lamia, The Colony Of Slippermen (principalmente na 1ª parte: The Arrival) 
Vale a Pena Ouvir: Hairless Heart, Broadway Melody Of 1974, The Chamber Of 32 Doors

A Trick Of The Tail – Genesis





















NOTA: 9,7/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um disco do Genesis, A Trick of the Tail. Após o The Lamb Lies Down on Broadway, devido aos custos altíssimos das apresentações da banda, muito por conta dos vários figurinos de Peter Gabriel, e também porque os custos da turnê se tornaram inviáveis, ela acabou sendo cancelada, o que acarretou na saída de Gabriel do grupo. Com isso, Phil Collins, até então exclusivamente baterista, assume o posto de vocalista principal, enquanto a banda se reorganiza internamente para preservar o equilíbrio criativo coletivo que sempre a caracterizou. A produção, feita por David Hentschel junto com a banda, deixou o som mais limpo e arejado, com os teclados voltando a criar paisagens sonoras, as guitarras mais atmosféricas e uma seção rítmica sólida. O repertório é incrível, e as canções são bem mais melódicas, voltando para um lado mais variado. Em suma, é um disco maravilhoso e que demonstra grande maturidade. 

Melhores Faixas: Ripples, Dance On A Volcano, Squonk 
Vale a Pena Ouvir: Robbery, Assault And Battery, A Trick Of The Tail


                   Bom é isso e flw!!!        

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