sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Jan Hammer: Parte 2

                 

Escape From Television – Jan Hammer





















NOTA: 9/10


Indo lá para o ano de 1987, foi lançada a trilha sonora do clássico Miami Vice, o Escape From Television. Após o Black Sheep, Hammer encontrou na televisão (especialmente em Miami Vice) um campo ideal para unir sua formação jazzística, seu interesse por tecnologia e sua habilidade melódica extremamente direta. O álbum funciona como uma compilação-curadoria de temas compostos para a série, mas não soa como um simples apanhado de trilhas. Produção feita, obviamente, por ele mesmo, demonstra bem qual era a sonoridade daquela década: sintetizadores digitais e analógicos, baterias eletrônicas, sequenciadores e camadas densas de pads convivem com linhas melódicas extremamente expressivas, muitas vezes pensadas como “substitutas” da voz humana. É um trabalho de Synth-pop, mas você vê influência, por exemplo, do Jazz. O repertório é incrível, e as canções são todas bem memoráveis. No fim, é um belo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Crockett's Theme, Miami Vice Theme, Tubbs And Valerie, The Trial And The Search 
Vale a Pena Ouvir: Colombia, Before The Storm, Forever Tonight, Theresa

Beyond The Mind's Eye – Jan Hammer





















NOTA: 5/10


Cinco anos se passaram, e foi lançada a trilha sonora do curta-metragem Mind’s Eye, intitulada Beyond The Mind’s Eye. Após o Escape From Television, Jan Hammer entra nos anos 90 em um cenário musical que já não favorecia tanto a estética Synth-pop e a eletrônica cinematográfica que ele ajudou a popularizar. O álbum nasce como uma trilha sonora expandida para o vídeo The Mind’s Eye, uma animação computadorizada experimental que explorava narrativas abstratas e imagens futuristas. A produção foi, como sempre, feita por ele próprio; os sintetizadores soam mais polidos, os pads são mais profundos, e os timbres digitais substituem, em grande parte, a agressividade analógica dos anos 80. Há um uso intenso de camadas longas, drones, sequências lentas e efeitos espaciais, mas o problema é que o disco fica bem arrastado. O repertório é mediano: há canções boas e outras esquecíveis. No geral, é um disco irregular e ao qual faltou algo a mais. 

Melhores Faixas: Windows, Too Far, Transformers, Voyage Home 
Piores Faixas: Virtual Reality, Magic Theater, Brave New World, Beyond

Drive – Jan Hammer





















NOTA: 2/10


Dois anos depois, foi lançado o que viria a ser seu último álbum de estúdio, intitulado Drive. Após o Beyond The Mind’s Eye, Hammer percebe que o mercado musical dos anos 90 exigia outra postura: menos estética oitentista explícita, mais energia direta e maior contato com o Rock e o groove. Esse álbum marca uma tentativa clara de fazer algo mais corpóreo. Hammer volta a pensar em ritmo, impacto, riffs e movimento, sem abandonar completamente a eletrônica, mas deslocando o foco do ambiente para a ação. A produção segue o padrão de sempre: os sintetizadores continuam centrais, mas agora muitas vezes configurados para soar como guitarras, baixos distorcidos ou leads cortantes, em vez de pads etéreos, além de uma bateria eletrônica mais marcada. Ainda assim, no geral, trata-se basicamente de um trabalho de Smooth Jazz genérico. O repertório é bem fraco, com poucas canções interessantes. No fim, é um disco terrível e sem graça. 

Melhores Faixas: Drive, Underground (Jeff Beck salvou demais) 
Piores Faixas: Lucky Jan, Knight Rider 2000, Nightglow, Curiosity Kills

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