terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Peter Gabriel: Parte 1

                 

Peter Gabriel (1977) – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


Em 1977, foi lançado o 1º álbum solo de Peter Gabriel, que viria a levar seu nome como título, mas é mais conhecido como o “disco do carro”. Após sua saída do Genesis, ele decidiu se dedicar à família e questionou seriamente se seguiria carreira musical. Esse afastamento criou uma aura de mistério em torno de seus próximos passos e aumentou enormemente a expectativa em relação a um eventual trabalho solo. Seu objetivo era se reinventar, explorar novas narrativas, novos sons e uma abordagem mais fragmentada e intuitiva da composição. A produção, feita por Bob Ezrin, é marcada por contrastes. Há momentos de extrema delicadeza e introspecção, seguidos por explosões rítmicas e arranjos abruptos. A sonoridade ainda guarda elementos do Rock progressivo, só que o maior foco está no Art Rock, muito por conta do experimentalismo. O repertório é incrível, e as canções são bem melódicas e complexas. No fim, é um ótimo disco e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Solsbury Hill, Here Comes The Flood, Humdrum, Down The Dolce Vita 
Vale a Pena Ouvir: Slowburn, Moribund The Burgermeister

Peter Gabriel (1978) – Peter Gabriel





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, foi lançado seu 2º álbum solo, que também vinha com seu nome como título (dando uma de Roberto Carlos), mas é mais conhecido como Scratch ou “disco do arranhão”. Após o disco do carro, Peter Gabriel optou por aprofundar ainda mais sua busca por uma identidade própria, agora menos ligada ao passado progressivo e mais voltada para atmosferas sombrias e narrativas fragmentadas. É aqui que ele começa a se afastar de metáforas autobiográficas diretas e passa a explorar personagens, histórias enigmáticas e imagens inquietantes. A produção, conduzida pelo nosso querido Robert Fripp, segue uma abordagem mais controlada, embora ainda preserve uma sensação de risco e experimentação. O som é mais encorpado, com maior ênfase em texturas, camadas instrumentais e climas densos. O repertório é muito bom, e as canções são mais densas e atmosféricas. No final de tudo, é um disco muito bom, mas que mostrava que ainda faltava algo. 

Melhores Faixas: White Shadow, Mother Of Violence, Flotsam And Jetsam 
Vale a Pena Ouvir: On The Air, Exposure (Frippertronics marcou presença)

Peter Gabriel (1980) – Peter Gabriel





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, Peter Gabriel lançava mais um disco que ficou conhecido como Melt (que, em português, é “derrete”). Após o Scratch, com a grande mídia voltando seus olhos para a New Wave, o que deu uma abertura maior para experimentações rítmicas, eletrônicas e conceituais, Gabriel passa a se interessar de forma mais intensa por grooves, percussão e pelo impacto direto do som, sem abandonar sua vocação narrativa e emocional. A produção, feita por Steve Lillywhite, trouxe um som mais seco e profundamente rítmico, com batidas contundentes, timbres crus e arranjos econômicos, porém extremamente eficazes. Os ritmos são muitas vezes repetitivos e hipnóticos, criando uma base sólida sobre a qual teclados, guitarras e vocais se articulam de maneira precisa, mantendo o foco no Art Rock, mas com influências da New Wave, Post-Punk e Pop progressivo. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. No final, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: No Self Control, Games Without Frontiers, Intruder, I Don't Remember, Biko
Vale a Pena Ouvir: Not One Of Us, Family Snapshot

Peter Gabriel (1982) – Peter Gabriel





















NOTA: 9,3/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Peter Gabriel, que ficou conhecido como Security (segurança, óbvio). Após o Melt, ele havia estabelecido uma linguagem própria baseada em percussão, tensão e narrativas intensas. O início dos anos 80 marcou também um aprofundamento do interesse do Gabriel por culturas não ocidentais, especialmente ritmos africanos, sons tribais e estruturas musicais baseadas em repetição e transe. Ao mesmo tempo, sua curiosidade tecnológica crescia, com maior uso de eletrônica e experimentação sonora. A produção, feita em parceria com David Lord, seguiu uma abordagem menos claustrofóbica e mais expansiva. O foco rítmico permanece central, porém agora acompanhado de uma paleta sonora mais rica, com percussões tribais, sintetizadores atmosféricos e arranjos que evocam espaços abertos. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas. Em suma, é um belo disco, que mostrou sua versatilidade. 

Melhores Faixas: Shock The Monkey, San Jacinto, Lay Your Hands On Me 
Vale a Pena Ouvir: Kiss Of Life, I Have The Touch, Wallflower

           É isso, um abraço e flw!!!                    

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