Birdy – Peter Gabriel
NOTA: 8/10
Em 1985, foi lançado mais um álbum de Peter Gabriel, desta vez a trilha sonora do filme Birdy. Após o Security, seu interesse por narrativas visuais, psicologia e atmosfera tornava-se cada vez mais evidente. É nesse contexto que surge esse projeto, trilha sonora do filme homônimo do Alan Parker, baseada no romance do William Wharton, que aqui no Brasil ficou conhecido como Asas da Liberdade. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois, segue por um caminho mais atmosférico e contido. Peter Gabriel trabalha majoritariamente com sintetizadores, processamento eletrônico, loops e camadas sonoras discretas, deixando em segundo plano a estrutura tradicional de canção, com tudo organizado no formato de música ambiente. O repertório é muito bom, e as faixas são bastante aconchegantes, inclusive as reinterpretações de músicas anteriores. No fim, é um disco interessante, coeso e fiel à sua proposta temática.
Melhores Faixas: Dressing The Wound, Floating Dogs
Vale a Pena Ouvir: Birdy's Flight, Close Up, Under Lock And Key
So – Peter Gabriel
NOTA: 10/10
No ano seguinte, foi lançado outro disco sensacional do Peter Gabriel, intitulado So. Após a trilha sonora de Birdy, seus últimos trabalhos, apesar de incríveis, colocavam-no em risco de isolamento criativo e comercial. Ao iniciar esse projeto, Gabriel estava consciente desse impasse. O álbum nasce como uma tentativa deliberada de comunicação mais direta, sem abdicar da complexidade. A produção, feita mais uma vez em parceria com Daniel Lanois, é refinada e meticulosa, marcada por clareza sonora e atenção extrema aos detalhes. Gabriel mantém o uso de tecnologias avançadas, como samplers e programação eletrônica, mas agora subordinadas à canção, seguindo a estrutura do Art Pop, além de apresentar influências da New Wave, do Pop sofisticado e até da música ambiente. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea, só com canções incríveis. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Sledgehammer, In Your Eyes, Red Rain, Don't Give Up
Vale a Pena Ouvir: Big Time, Mercy Street
Passion (Music for The Last Temptation Of Christ) – Peter Gabriel
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: The Feeling Begins, Passion, Of These, Hope, With This Love, Troubled, Open
Vale a Pena Ouvir: Disturbed, 8 Zaar, Sandstorm, Bread And Wine
Us – Peter Gabriel
NOTA: 8,7/10
Entrando nos anos 90, foi lançado mais um disco do Peter Gabriel, o Us, que segue por um caminho mais introspectivo. Após o Passion, ele passou por transformações profundas em sua vida pessoal, especialmente no campo afetivo. Trata-se de um disco sobre intimidade, ruptura, desejo, culpa e dificuldade de conexão no plano pessoal. Nesse intervalo, Peter Gabriel também se envolveu intensamente com projetos paralelos, tecnologia musical e a consolidação de seu estúdio como um espaço de experimentação. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois e lançada sob seu próprio selo Real World, segue por um lado denso, polido e profundamente detalhista, no qual explora ao máximo a integração entre elementos eletrônicos e acústicos, criando arranjos ricos, cheios de camadas e nuances, equilibrando Art Rock e Pop. O repertório é muito bom, e as canções são mais melancólicas e sentimentais. Enfim, é um ótimo disco e bastante enxuto.
Melhores Faixas: Digging In The Dirt, Come Talk To Me, Secret World, Kiss That Frog
Vale a Pena Ouvir: Blood Of Eden, Only Us
OVO – Peter Gabriel
NOTA: 6/10
Entrando nos anos 2000, Peter Gabriel lançava mais um álbum, intitulado OVO (e não tem nada a ver com a futura gravadora que Drake criaria). Após o Us, ele aprofundou seu envolvimento com trilhas sonoras, música para espetáculos multimídia e colaborações internacionais. Esse projeto foi concebido como trilha para a cerimônia de abertura do Millennium Dome, em Londres, um espetáculo grandioso que misturava tecnologia, performance e simbolismo histórico. A produção, conduzida por ele em parceria com Simon Emmerson e Brian Transeau, trouxe uma abordagem variada, criando um fluxo que se aproxima mais de uma suíte do que de um álbum tradicional. Há uma alternância constante entre grandiosidade e intimismo, seguindo influências do Art Pop e incluindo elementos de Ambient e Trip Hop, só que com muitas ideias são deslocadas. O repertório é mediano, com algumas canções interessantes e outras tediosas. Enfim, é um trabalho irregular, apenas isso.
Melhores Faixas: Downside-Up, The Time Of The Turning, Father, Son
Piores Faixas: The Nest That Sailed The Sky, The Story Of OVO, The Man Who Loved The Earth / The Hand That Sold Shadows
Up – Peter Gabriel
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: I Grieve, Darkness, Growing Up, Signal To Noise
Vale a Pena Ouvir: My Head Sounds Like That, Sky Blue, More Than This
Então é isso, um abraço e flw!!!





