quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Peter Gabriel: Parte 2

                 

Birdy – Peter Gabriel





















NOTA: 8/10


Em 1985, foi lançado mais um álbum de Peter Gabriel, desta vez a trilha sonora do filme Birdy. Após o Security, seu interesse por narrativas visuais, psicologia e atmosfera tornava-se cada vez mais evidente. É nesse contexto que surge esse projeto, trilha sonora do filme homônimo do Alan Parker, baseada no romance do William Wharton, que aqui no Brasil ficou conhecido como Asas da Liberdade. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois, segue por um caminho mais atmosférico e contido. Peter Gabriel trabalha majoritariamente com sintetizadores, processamento eletrônico, loops e camadas sonoras discretas, deixando em segundo plano a estrutura tradicional de canção, com tudo organizado no formato de música ambiente. O repertório é muito bom, e as faixas são bastante aconchegantes, inclusive as reinterpretações de músicas anteriores. No fim, é um disco interessante, coeso e fiel à sua proposta temática. 

Melhores Faixas: Dressing The Wound, Floating Dogs 
Vale a Pena Ouvir: Birdy's Flight, Close Up, Under Lock And Key

So – Peter Gabriel





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado outro disco sensacional do Peter Gabriel, intitulado So. Após a trilha sonora de Birdy, seus últimos trabalhos, apesar de incríveis, colocavam-no em risco de isolamento criativo e comercial. Ao iniciar esse projeto, Gabriel estava consciente desse impasse. O álbum nasce como uma tentativa deliberada de comunicação mais direta, sem abdicar da complexidade. A produção, feita mais uma vez em parceria com Daniel Lanois, é refinada e meticulosa, marcada por clareza sonora e atenção extrema aos detalhes. Gabriel mantém o uso de tecnologias avançadas, como samplers e programação eletrônica, mas agora subordinadas à canção, seguindo a estrutura do Art Pop, além de apresentar influências da New Wave, do Pop sofisticado e até da música ambiente. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea, só com canções incríveis. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sledgehammer, In Your Eyes, Red Rain, Don't Give Up 
Vale a Pena Ouvir: Big Time, Mercy Street

Passion (Music for The Last Temptation Of Christ) – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


No final dos anos 80, Peter Gabriel lançou a trilha sonora do filme Passion (Music for the Last Temptation of Christ). Após o excepcional So, seu envolvimento com músicas não ocidentais tornava-se cada vez mais sério, não mais como exotismo pontual, mas como uma pesquisa profunda sobre ritmo, timbre e estrutura musical. Concebido como trilha para o polêmico filme A Última Tentação de Cristo, o projeto exigia uma abordagem que evitasse qualquer clichê da música religiosa ocidental. A produção, feita inteiramente por ele próprio, é complexa, minuciosa e extremamente orgânica, apesar do uso intenso de tecnologia. Gabriel atua como curador e arquiteto sonoro, integrando instrumentos, vozes e músicos de diversas tradições culturais; há aqui o uso de percussões tribais, instrumentos de corda tradicionais e pouquíssimo sintetizador. O repertório é muito bom, e as faixas são bastante espirituais. Enfim, é um trabalho interessante e coeso. 

Melhores Faixas: The Feeling Begins, Passion, Of These, Hope, With This Love, Troubled, Open 
Vale a Pena Ouvir: Disturbed, 8 Zaar, Sandstorm,  Bread And Wine

Us – Peter Gabriel





















NOTA: 8,7/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um disco do Peter Gabriel, o Us, que segue por um caminho mais introspectivo. Após o Passion, ele passou por transformações profundas em sua vida pessoal, especialmente no campo afetivo. Trata-se de um disco sobre intimidade, ruptura, desejo, culpa e dificuldade de conexão no plano pessoal. Nesse intervalo, Peter Gabriel também se envolveu intensamente com projetos paralelos, tecnologia musical e a consolidação de seu estúdio como um espaço de experimentação. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois e lançada sob seu próprio selo Real World, segue por um lado denso, polido e profundamente detalhista, no qual explora ao máximo a integração entre elementos eletrônicos e acústicos, criando arranjos ricos, cheios de camadas e nuances, equilibrando Art Rock e Pop. O repertório é muito bom, e as canções são mais melancólicas e sentimentais. Enfim, é um ótimo disco e bastante enxuto. 

Melhores Faixas: Digging In The Dirt, Come Talk To Me, Secret World, Kiss That Frog 
Vale a Pena Ouvir: Blood Of Eden, Only Us

OVO – Peter Gabriel





















NOTA: 6/10


Entrando nos anos 2000, Peter Gabriel lançava mais um álbum, intitulado OVO (e não tem nada a ver com a futura gravadora que Drake criaria). Após o Us, ele aprofundou seu envolvimento com trilhas sonoras, música para espetáculos multimídia e colaborações internacionais. Esse projeto foi concebido como trilha para a cerimônia de abertura do Millennium Dome, em Londres, um espetáculo grandioso que misturava tecnologia, performance e simbolismo histórico. A produção, conduzida por ele em parceria com Simon Emmerson e Brian Transeau, trouxe uma abordagem variada, criando um fluxo que se aproxima mais de uma suíte do que de um álbum tradicional. Há uma alternância constante entre grandiosidade e intimismo, seguindo influências do Art Pop e incluindo elementos de Ambient e Trip Hop, só que com muitas ideias são deslocadas. O repertório é mediano, com algumas canções interessantes e outras tediosas. Enfim, é um trabalho irregular, apenas isso. 

Melhores Faixas: Downside-Up, The Time Of The Turning, Father, Son 
Piores Faixas: The Nest That Sailed The Sky, The Story Of OVO, The Man Who Loved The Earth / The Hand That Sold Shadows

Up – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um trabalho novo de Peter Gabriel, o Up. Após o OVO, em meio às mudanças que a indústria musical sofreu na virada do milênio, Gabriel trabalhava nesse material, como é conhecido por seu perfeccionismo extremo. Esse trabalho foi construído ao longo de anos, refeito inúmeras vezes, refletindo um artista menos interessado em dialogar com tendências contemporâneas e mais focado em explorar estados emocionais profundos e desconfortáveis. A produção, feita em parceria com Stephen Hague e Steve Osborne, é densa, meticulosa e deliberadamente opressiva. Gabriel explora ao máximo camadas eletrônicas, distorções, texturas graves e ritmos pesados, criando um som fechado e claustrofóbico, além de escolhas vocais intimistas e contidas, articulando Art Rock, Pop progressivo, Trip Hop e até influências da música industrial. O repertório é incrível, e as canções são todas bastante atmosféricas. No geral, é um belo disco e muito emocional. 

Melhores Faixas: I Grieve, Darkness, Growing Up, Signal To Noise 
Vale a Pena Ouvir: My Head Sounds Like That, Sky Blue, More Than This


        Então é isso, um abraço e flw!!!               

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