segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Return To Forever

                  

Return To Forever – Chick Corea (Return To Forever)





















NOTA: 10/10


Voltando agora para o ano de 1972, foi lançado o 1° álbum autointitulado do Return to Forever. Tudo começa com o pianista Chick Corea, que, após participar de álbuns lendários do Miles Davis, formou uma banda com Flora Purim (voz), Airto Moreira (percussão), Stanley Clarke (baixo acústico) e Joe Farrell (sopros), com Corea priorizando piano acústico e Fender Rhodes. A produção, feita por Manfred Eicher e lançada sob o selo da ECM, é extremamente refinada e transparente. Tudo soa arejado, orgânico e natural, sem excesso de compressão, seguindo o Jazz Fusion com influências latinas, com teclados expressivos, o baixo sólido do Clarke, os instrumentos de sopro pastorais do Farrell, a percussão fluida do Airto e os vocais variados da Flora, que servem como um instrumento puro. O repertório contém 4 faixas longuíssimas, mas belíssimas. No final, é um belo disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Return To Forever, Sometime Ago - La fiesta 
Vale a Pena Ouvir: What Game Shall We Play Today, Crystal Silence

Light As A Feather – Chick Corea and Return To Forever





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o 2° álbum do Return to Forever, o Light as a Feather. Após o álbum anterior, eles decidiram alcançar um nível de coesão estética e maturidade composicional muito maior. Chick Corea já não está apenas reagindo à experiência com Miles Davis; ele está afirmando uma identidade própria, clara e profundamente autoral. A produção, feita pelo próprio Chick Corea, deixa um som aberto e transparente, permitindo que cada instrumento respire e se mova livremente dentro do espectro sonoro. Com o piano sendo bem dinâmico, o baixo do Clarke com enorme definição, assim como os instrumentos de sopro pastorais do Farrell, a percussão orgânica de Airto Moreira e os vocais puros do Flora Purim, tudo entra nesse caldeirão de Jazz Fusion que traz até influências do Samba. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. No geral, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Spain, Light as a Feather 
Vale a Pena Ouvir: You're Everything, Captain Marvel

Hymn Of The Seventh Galaxy – Return To Forever





















NOTA: 9,4/10


E aí, quase chegando ao fim daquele ano, foi lançado o álbum Hymn of the Seventh Galaxy. Após o Light as a Feather, Chick Corea decide abandonar completamente aquela estética do Jazz Fusion. Com isso, Flora Purim, Airto Moreira e Joe Farrell acabam saindo, e o grupo se torna um quarteto com a entrada de Bill Connors (guitarra) e Lenny White (bateria). Essa formação aproxima o grupo diretamente da vertente mais agressiva e virtuosa do Jazz-Rock, dialogando com o que a Mahavishnu Orchestra estava fazendo e ganhando também mais liberdade dentro da gravadora Polydor. A produção, feita novamente pelo próprio Chick Corea, é mais crua e direta, com os teclados ficando mais percussivos, o baixo sendo constante, as guitarras expressivas de Connors e a bateria precisa de White, fazendo tudo isso dialogar até mesmo com o Rock progressivo. O repertório é incrível, e as canções ficaram mais energéticas. No fim, é um trabalho sensacional e bem ousado. 

Melhores Faixas: After the Cosmic Rain, Hymn of the Seventh Galaxy 
Vale a Pena Ouvir: Captain Señor Mouse, The Game Maker, Space Circus

Where Have I Known You Before – Return To Forever





















NOTA: 9,9/10


Entrando no ano de 1974, foi lançado mais um trabalho novo, o Where Have I Known You Before. Após o Hymn of the Seventh Galaxy, acontece a entrada do Al Di Meola no lugar do Bill Connors; enquanto Connors trazia um fraseado mais ácido e caótico, Di Meola introduz precisão cirúrgica, clareza rítmica e um vocabulário técnico altamente articulado, influenciado tanto pelo Jazz quanto pelo Flamenco e pela música latina. A produção é bem mais polida e equilibrada do que no álbum anterior. Ainda há agressividade e energia, mas agora tudo soa mais definido, com os teclados e sintetizadores extensos do Chick Corea, as guitarras articuladas do Di Meola e uma cozinha rítmica precisa e encorpada. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas. No final de tudo, é um baita álbum e mais um clássico. 

Melhores Faixas: Vulcan Worlds, Song to the Pharoah Kings, Beyond the Seventh Galaxy
Vale a Pena Ouvir: Earth Juice, The Shadow of Lo

No Mystery – Return To Forever





















NOTA: 8,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado 5° álbum do Return To Forever, o No Mystery. Após o Where Have I Known You Before, eles decidem explorar uma paleta mais ampla de climas, estruturas e abordagens. Se o disco anterior era muito focado na integração do passado lírico com a agressividade elétrica, aqui permite ser mais fragmentado, variado e experimental. Produção feita por Chick Corea junto com Shelly Yakus, onde foram para uma abordagem mais limpa, o som continua elétrico e poderoso, mas há mais espaço, mais contraste dinâmico e maior atenção às nuances. Principalmente na exploração do Chick pelos sintetizadores e na guitarra do Di Meola que ficou mais articulada. O repertório é muito legal, e as canções são mais melódicas e vibrantes. Enfim, é um ótimo disco e muito bem equilibrado. 

Melhores Faixas: Flight of the Newborn, No Mystery 
Vale a Pena Ouvir: Sofistifunk, Dayride, Celebration Suite, Pt. 1

Romantic Warrior – Return To Forever





















NOTA: 9,7/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho espetacular, o Romantic Warrior. Após o No Mystery, a banda assinou com a Columbia Records e Chick Corea concebe esse álbum como uma obra quase programática, inspirada por imaginários medievais, cavaleirescos e românticos, algo incomum no Jazz Fusion, mas bastante alinhado ao espírito do Rock progressivo da época. Essa escolha estética não é superficial: ela influencia diretamente a maneira como as composições são estruturadas. Produção conduzida pelo próprio pianista, trouxe um som limpo, poderoso e tridimensional, permitindo que cada instrumento tenha presença clara mesmo nos momentos mais densos. Desde seus múltiplos teclados, baixo monumental do Stanley Clarke, as guitarras precisas do Al Di Meola e bateria dinâmica do Lenny White, que mostram uma verdadeira aula de Jazz-Rock. O repertório é maravilhoso, as canções são todas bem técnicas. No fim, é um baita disco e bastante versátil. 

Melhores Faixas: The Romantic Warrior, Sorceress 
Vale a Pena Ouvir: Duel of the Jester and the Tyrant (Part I & Part II), Medieval Overture

Musicmagic – Return To Forever





















NOTA: 7/10


Então chegamos a 1977, quando foi lançado o último álbum do Return to Forever, o Musicmagic. Após o Romantic Warrior, Al Di Meola e Lenny White acabaram saindo, e Chick Corea reformula a banda com a entrada de sua esposa Gayle Moran nos vocais e o retorno do Joe Farrell, além de incluir uma seção de metais que contava com 5 integrantes. A produção, feita como sempre por ele próprio, adota uma abordagem polida, em que o som deixa de ser centrado no impacto elétrico imediato e passa a privilegiar arranjos, camadas e arquitetura sonora; com isso, os vocais do Gayle funcionam como um instrumento puro, e os instrumentos de sopro e a seção de metais servem como uma base sonora. O repertório é até legal, com canções interessantes e outras mais fracas. No geral, é um álbum de despedida decente, mas com falhas. 

Melhores Faixas: The Endless Night, Musicmagic, The Musician 
Piores Faixas: Hello Again, So Long Mickey Mouse

Analisando Discografias - PNAU

                  Sambanova – PNAU NOTA: 8,7/10 Em 1999, o duo australiano PNAU lançava seu álbum de estreia, o obscuro Sambanova. Formado e...