Let Me Know You – Stanley Clarke
NOTA: 2,5/10
Em 1982, foi lançado mais um álbum novo do Stanley Clarke, o fraquíssimo Let Me Know You. Após o Rocks, Pebbles and Sand, o baixista até vivia uma boa fase, mas veio a ordem da gravadora Epic de que ele precisava tocar nas rádios, já que o Jazz Fusion já não ocupava o mesmo espaço central, e muitos músicos ligados a essa cena passaram a dialogar mais intensamente com o R&B contemporâneo e a música Pop. Com produção conduzida por ele próprio, o disco aposta em um som polido, com grande atenção às camadas de teclados, aos backing vocals e à integração entre baixo, bateria e percussão. Os arranjos privilegiam grooves estáveis e uma estética que dialoga diretamente com o Smooth Soul, o Funk e até mesmo o Boogie, mas tudo soa bastante repetitivo e parece faltar algo mais preenchido. O repertório é muito fraco, com poucas canções realmente interessantes, já que a maioria é bastante genérica. No fim, trata-se de um trabalho fraquíssimo e tedioso.
Melhores Faixas: Secret To My Heart, Let Me Know You
Piores Faixas: Straight To The Top, New York City, The Force Of Love
If This Bass Could Only Talk – Stanley Clarke
NOTA: 5/10
Cinco anos se passaram, e Stanley Clarke retorna com If This Bass Could Only Talk. Após o fracasso do Let Me Know You, ele começa a buscar um novo equilíbrio entre sofisticação instrumental, identidade jazzística e linguagem contemporânea. O contexto do Jazz Fusion também havia mudado bastante. O estilo já não era mais o fenômeno dominante dos anos 70, mas seguia vivo em uma forma mais tecnológica e urbana, dialogando com o Funk moderno e com a estética do Smooth Jazz; além disso, ele passou a lançar seus trabalhos pela Portrait Records. A produção foi feita com a ajuda de Byron Miller, e ambos apostaram em timbres limpos, baterias bem definidas, teclados digitais e guitarras com tratamento sofisticado. O baixo, naturalmente, ocupa o centro da mixagem, conduzindo as faixas com autoridade, porém, no geral, tudo é excessivamente polido e falta imersão. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras fracas. Enfim, trata-se de um trabalho bem irregular.
Melhores Faixas: Funny How Time Flies (When You're Having Fun), I Want To Play For Ya, Tradition
Piores Faixas: Workin' Man, If This Bass Could Only Talk, Come Take My Hand
The Stanley Clarke Band – The Stanley Clarke Band
NOTA: 8,1/10
Melhores Faixas: I Wanna Play For You Too, Labyrinth
Vale a Pena Ouvir: How Is The Weather Up There?, Sonny Rollins, Fulani
Up – The Stanley Clarke Band
NOTA: 8,3/10
Quatro anos depois, foi lançado mais um trabalho dessa fase, intitulado apenas Up. Após o The Stanley Clarke Band, que funcionava como uma reafirmação da vitalidade criativa do Stanley Clarke no formato de banda elétrica, esse novo projeto aprofunda a proposta, revelando um grupo mais entrosado, confiante e disposto a explorar contrastes ainda mais amplos entre peso, lirismo e complexidade rítmica. A produção, conduzida agora inteiramente pelo próprio baixista, apostou em um som mais encorpado e direto do que no álbum de 2010, com uma presença maior de guitarras distorcidas e baterias mais agressivas. Ainda assim, tudo é cuidadosamente equilibrado para preservar a inteligibilidade dos arranjos e a interação entre os instrumentos. Além disso, o baixo funciona como eixo estrutural, conectando ritmo, harmonia e dinâmica. O repertório é muito bom, e as canções têm um lado mais leve e aconchegante. Enfim, é um trabalho muito bom e mais expressivo.
Melhores Faixas: I Have Something To Tell You Tonight, Pop Virgil, Bass Folk Song #7: Tradition
Vale a Pena Ouvir: Up, School Days
The Message – The Stanley Clark Band
NOTA: 8/10
Então chegamos a 2018, quando foi lançado o último álbum até então do Stanley Clarke, o The Message. Após o Up, Clarke concebe o álbum como um espaço para discutir ideias, tensões sociais, espiritualidade, identidade e resistência, sem recorrer a letras diretas ou discursos explícitos. A música instrumental passa a carregar um peso simbólico maior, funcionando como comentário e reação ao mundo contemporâneo. A produção, como sempre, foi feita por ele próprio e soa mais orgânica, quente e aberta do que nos discos anteriores da banda. Embora o peso elétrico ainda esteja presente, há uma clara valorização de dinâmicas mais amplas, timbres menos comprimidos e uma sensação maior de espaço entre os instrumentos. Além disso, percebe-se muitas influências do Funk e do Soul nesse caldeirão puxado para o Jazz Fusion. O repertório é bem interessante, e as canções passam um lado mais sentimental. Em suma, é um disco bacana, mas com poucas mudanças.
Melhores Faixas: Alternative Facts, The Legend Of The Abbas And The Sacred Talisman
Vale a Pena Ouvir: And Ya Know We're Missing You, Enzo's Theme, Lost In A World




