Defector – Steve Hackett
NOTA: 8/10
Entrando nos anos 80, Steve Hackett lança mais um disco, intitulado Defector, que se mostra mais ambicioso. Após o Spectral Mornings, esse projeto nasce com um impulso mais direto, elétrico e político, refletindo um artista atento ao mundo exterior e menos concentrado apenas em paisagens interiores ou narrativas mitológicas. O contexto do fim dos anos 70 também pesa bastante: o Rock progressivo enfrentava desgaste comercial, enquanto a New Wave e o AOR ganhavam popularidade, só que Hackett não queria seguir tendências. A produção, feita por ele em parceria com John Acock, buscou um som mais seco, denso e agressivo. Com isso, os timbres se tornam mais ásperos, com guitarras mais cortantes e uma seção rítmica que privilegia impacto e clareza, além de sintetizadores bastante funcionais, refletindo uma junção de Art Rock e Rock progressivo. O repertório é bem interessante, e as canções são bem mais épicas. Enfim, é um trabalho relevante, mas que acabou sendo menosprezado.
Melhores Faixas: The Toast, Time To Get Out
Vale a Pena Ouvir: The Steppes, Hammer In The Sand
Cured – Steve Hackett
NOTA: 3/10
Melhores Faixas: The Air-Conditioned Nightmare, Hope I Don't Wake
Piores Faixas: Can't Let Go, A Cradle Of Swans, Overnight Sleeper
Highly Strung – Steve Hackett
NOTA: 8/10
Dois anos se passaram, e foi lançado seu 6º álbum de estúdio, intitulado Highly Strung. Após o Cured, ele retorna nesse projeto com maior mobilidade instrumental e uma postura mais consciente, buscando equilíbrio entre acessibilidade e identidade artística. E, como já estava pensando em sair da gravadora Charisma, decidiu fazer um trabalho que absorvesse todas as influências que havia adquirido. A produção foi aquela de sempre, só que mais confiante e equilibrada do que a do álbum anterior. A guitarra volta a ocupar um papel mais relevante, ainda que não domine completamente os arranjos. O som geral é limpo, típico das produções dos anos 80, com ênfase em clareza e definição. A seção rítmica é eficiente e sólida, tudo isso combinando Art Rock, Pop progressivo, New Wave e AOR. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e variadas. No final de tudo, é um disco bacana e que representou um ótimo acerto.
Melhores Faixas: Walking Through Walls, Give It Away
Vale a Pena Ouvir: India Rubber Man, Camino Royale
Bay Of Kings – Steve Hackett
NOTA: 9,7/10
Melhores Faixas: Being Boring, So Hard This Must Be The Place I Waited Years To Leave, The End Of The World, How Can You Expect To Be Taken Seriously?
Vale a Pena Ouvir: Jealousy, To Face The Truth
Till We Have Faces – Steve Hackett
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado outro trabalho do Steve Hackett, intitulado Till We Have Faces, que é bem mais temático. Após o Bay of Kings, ele decidiu expandir aquela linguagem acústica para um terreno mais literário, mitológico e filosófico. O título faz referência direta ao romance homônimo de C. S. Lewis, inspirado no mito de Psiquê e Cupido, o que já indica a intenção de Hackett de trabalhar com temas de identidade, revelação e transcendência. A produção, feita inteiramente por ele próprio, mantém uma abordagem refinada, só que agora sem excesso de camadas ou efeitos, apenas o som cru do instrumento e o espaço ao redor dele, seguindo influências do Rock progressivo, mas contando também com elementos da música brasileira, já que o álbum foi gravado no Brasil, o que se reflete em elementos percussivos integrados a uma base sintética. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e técnicas. Enfim, é um trabalho legal e que vale a pena conferir.
Melhores Faixas: Matilda Smith-Williams Home For The Aged, Let Me Count The Ways
Vale a Pena Ouvir: What's My Name, Taking The Easy Way Out
Momentum – Steve Hackett
NOTA: 8/10
Quatro anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o Momentum, que retoma aquela pegada erudita. Após o Till We Have Faces, Hackett queria dar continuidade à proposta desenvolvida em seus últimos trabalhos, então decidiu fazer um projeto composto por peças curtas, impressões, esboços e atmosferas, muitas delas nascidas de improvisações ou ideias embrionárias. A produção foi conduzida novamente por ele em parceria com John Acock e realizada de forma simples. O foco recai quase exclusivamente sobre o violão acústico e clássico, com pouquíssimos adornos ou intervenções externas. A captação privilegia proximidade e naturalidade, permitindo que ruídos sutis, variações de ataque e imperfeições façam parte da experiência auditiva. O repertório é muito legal, e as canções trazem um lado bem mais pacífico. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: Concert For Munich, Portrait Of A Brazilian Lady
Vale a Pena Ouvir: Pierrot, The Sleeping Sea, Last Rites Of Innocence
Guitar Noir – Steve Hackett
NOTA: 8,3/10
Entrando nos anos 90, foi lançado mais um trabalho de Steve Hackett, o Guitar Noir, que volta novamente a um caminho mais progressivo. Após o Momentum, Hackett começa a reconstruir, de forma gradual e madura, uma linguagem que reintegra a guitarra elétrica, a narrativa longa e a ambição conceitual. Não se trata de um retorno nostálgico ao Rock progressivo dos anos 70, mas de uma reformulação mais sombria, urbana e psicológica. A produção, feita como de costume pelo próprio Hackett, é mais sofisticada, contida e profundamente cinematográfica. A guitarra elétrica retorna ao centro da sua linguagem, mas não como instrumento de exibição técnica; ela funciona como uma voz dramática, capaz de sugerir tensão, melancolia e introspecção. Os arranjos são construídos com paciência, privilegiando climas e atmosferas. O repertório é muito bom, e as canções têm uma vibe bem mais noturna. No fim, é um disco bacana, mas que acabou sendo esquecido pelos fãs.
Melhores Faixas: Lost In Your Eyes, Like An Arrow
Vale a Pena Ouvir: Walking Away From Rainbows, Vampyre With A Healthy Appetite, Dark As The Grave
Blues With A Feeling – Steve Hackett
NOTA: 8,1/10
Indo para 1994, foi lançado Blues with a Feeling, um trabalho bem diferente dentro da carreira do Steve Hackett. Após o Guitar Noir, ele quis gravar um álbum inteiramente dedicado ao Blues tradicional. Não se trata de um exercício de nostalgia ou de virtuosismo, mas de um retorno às raízes emocionais da guitarra elétrica, à linguagem que moldou grande parte do rock britânico dos anos 60. A produção, feita pelo próprio Steve Hackett, é crua, orgânica e deliberadamente despojada. O objetivo não é modernizar o Blues nem polir excessivamente os arranjos, mas capturar a dinâmica de uma banda tocando junta, com espaço para respiração, imperfeição e espontaneidade. A guitarra ocupa papel central, dialogando com uma seção rítmica sólida, com timbres naturais e pouca interferência de efeitos. O repertório é muito legal, mesclando canções próprias e alguns covers. No fim, é um disco interessante, mas que acabou sendo bastante esquecido pelos fãs.
Melhores Faixas: Blues With A Feeling, So Many Roads
Vale a Pena Ouvir: The Stumble (Freddie King), Born In Chicago, Tumbstone Roller
Genesis Revisited – Steve Hackett
NOTA: 8,3/10
Dois anos se passaram e foi lançado mais um álbum novo do Steve Hackett, o Genesis Revisited. Após o Blues With A Feeling, já estando consolidado como artista independente e livre de pressões identitárias, ele passa a olhar para esse passado não como um peso, mas como um patrimônio musical legítimo. O álbum não surge como um projeto nostálgico ou comemorativo no sentido convencional. Trata-se, antes, de uma reapropriação autoral. Produção feita inteiramente por ele próprio, é limpo, bem definido, com especial atenção às guitarras, que assumem um papel mais central e contínuo do que nos registros originais do Genesis, onde dividiam espaço com teclados dominantes. Os arranjos mantêm a estrutura essencial das composições, mas ganham pequenas alterações de dinâmica, andamento e ênfase instrumental. O repertório ficou muito bom e as canções são bem interpretadas até pelos convidados. Em suma, é um disco legal e bastante honroso.
Melhores Faixas: Firth Of Fifth, For Absent Friends, Waiting Room Only
Vale a Pena Ouvir: Dance On A Volcano, I Know What I Like
Darktown – Steve Hackett
NOTA: 5/10
Chegando ao fim dos anos 90, foi lançado mais um trabalho do Steve Hackett, desta vez com material inédito, o Darktown. Após o Genesis Revisited, esse novo projeto nasce em um contexto de desencanto com o fim do século XX, marcado por tensões sociais, desigualdade, guerras localizadas e um sentimento generalizado de alienação. Hackett canaliza esse clima para um álbum conceitual que observa a cidade moderna como um espaço de violência latente, solidão e perda de humanidade. A produção, feita em parceria com Roger King, é densa e atmosférica. O som é deliberadamente sombrio, com arranjos que privilegiam texturas e climas em vez de impacto imediato, com as guitarras ocupando um papel mais central e forte presença de teclados; ainda assim, tudo soa confuso, já que a junção de Rock progressivo com música eletrônica não funciona plenamente. O repertório é irregular, com canções boas e outras que são um tédio. No fim, é um trabalho mediano e com muitos erros.
Melhores Faixas: Man Overboard, Rise Again, Days Of Long Ago
Piores Faixas: Jane Austen's Door, Darktown, Dreaming With Open Eyes
Por hoje é só, então flw!!!









