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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 2

                 

Da Unbreakables – Three 6 Mafia





















NOTA: 8,4/10


Três anos depois, o Three 6 Mafia lançava seu 5º álbum, o Da Unbreakables, em meio a mudanças. Após o When the Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1), Koopsta Knicca e Gangsta Boo já não faziam mais parte do grupo, e as relações entre alguns membros passavam por momentos turbulentos. Vale lembrar que o Rap sulista estava em seu ápice comercial, e o grupo encontrava-se em uma posição privilegiada para aproveitar essa transformação. A produção foi mais limpa e acessível, com eles seguindo uma abordagem voltada ao Crunk, apostando em batidas massivas e direcionadas ao público dos clubes. Claro que eles continuaram utilizando sintetizadores ameaçadores, atmosferas noturnas e elementos herdados diretamente da tradição de Memphis. O repertório é muito bom, e as canções são bastante envolventes, embora sigam uma abordagem mais urbana. No fim, é um ótimo disco, que levou o grupo por um caminho mais amplo. 

Melhores Faixas: Bin Laden, Testin' My Gangsta, Ridin' Spinners, Dangerous Posse, Rainbow Colors, Let's Start A Riot 
Vale a Pena Ouvir: Try Somethin', Like A Pimp (Remix), Ghetto Chick

Most Known Unknown – Three 6 Mafia





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e eles lançaram mais um álbum, o Most Known Unknown. Após o Da Unbreakables, a influência que DJ Paul e Juicy J haviam exercido sobre o rap sulista durante os anos 90 começava a ser reconhecida em uma escala muito maior, tanto que eles tinham contrato com a Columbia Records, enquanto o crunk se tornava uma das forças dominantes da música popular americana. A única mudança foi a ausência de Lord Infamous, deixando o grupo funcionando como um trio. A produção foi polida e extremamente poderosa. Os graves continuaram sendo um elemento central, mas agora conviviam com mixagens muito mais limpas e instrumentais projetados para funcionar tanto nas rádios quanto nos clubes. Eles seguiram apostando no Crunk, mas com fortes traços do Dirty South. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e tematizadas. No fim, é um ótimo disco e representa o auge comercial do grupo. 

Melhores Faixas: Stay Fly, Poppin' My Collar, Half On A Sack, Side 2 Side, Roll With It 
Vale a Pena Ouvir: When I Pull Up At The Club, Swervin', Don't Cha Get Mad

Last 2 Walk – Three 6 Mafia



















NOTA: 2/10


No ano de 2008, o Three 6 Mafia lançava seu último álbum, o fraquíssimo Last 2 Walk. Após o Most Known Unknown, Crunchy Black acabou saindo do grupo por desentendimentos financeiros, deixando apenas DJ Paul e Juicy J como remanescentes. A dupla vivenciou o momento mais improvável de suas carreiras ao vencer o Oscar de Melhor Canção Original por "It's Hard Out Here for a Pimp", da trilha sonora de Hustle & Flow. Aproveitando esse momento, eles decidiram fazer um trabalho ainda mais comercial. A produção foi bastante polida e radiofônica; os graves permanecem gigantescos, as baterias possuem enorme impacto e a qualidade sonora ficou bastante refinada. O problema é que eles estavam fazendo exatamente a mesma coisa em um momento em que o Crunk já perdia força. O repertório é muito ruim, e as canções são bastante genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum péssimo, que encerrou a trajetória do grupo de forma abaixo do esperado. 

Melhores Faixas: I Got, On Some Chrome (UGK salvou) 
Piores Faixas: That's Right (Akon totalmente perdido), Click Bang (não sei para que colocar Good Charlotte aqui), Dirty Bitch, Rollin', I'd Rather, Playstation

   

terça-feira, 2 de junho de 2026

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 1

                  

Mystic Stylez – Three-6 Mafia





















NOTA: 10/10


No ano de 1995, o Three 6 Mafia lançava seu lendário álbum de estreia, o Mystic Stylez. Formado em 1991 na caótica cidade de Memphis, no Tennessee, por DJ Paul, Juicy J e Lord Infamous, o grupo distribuiu diversas mixtapes caseiras através do circuito underground local. Sendo influenciados pelos filmes de terror dos anos 70, combinando elementos do Rap de Memphis com o Horrorcore. Posteriormente, a formação foi completada por Crunchy Black, Koopsta Knicca e Gangsta Boo. A produção, realizada pelo próprio DJ Paul e por Juicy J, utiliza baterias secas, graves distorcidos, teclados simples, sintetizadores fantasmagóricos, sinos, órgãos sombrios e samples manipulados de forma extremamente Lo-fi. O uso de hi-hats rápidos e kicks pesados, que mais tarde se tornariam uma das marcas registradas do Trap, já aparece aqui de maneira bastante evidente. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Break Da Law "95", Da Summa, Mystic Styles, Now I'm Hi Pt. 3, In Da Game, Fuckin Wit Dis Click, Live By Yo Rep (Bone Dis), Gotta Touch 'em (Pt. 2) 
Vale a Pena Ouvir: Tear Da Club Up, Sweet Robbery (Pt. 2), Back Against Da Wall

The End – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, o Three 6 Mafia lançava seu 2º álbum, intitulado Chapter 1: The End. Após o clássico Mystic Stylez, a intensa circulação de fitas independentes e o crescimento da reputação do grupo como uma das forças no cenário underground, este trabalho surgiu com uma proposta mais cinematográfica. Mesmo com recursos limitados, o grupo conseguiu investir em equipamentos melhores. A produção continuou bastante suja, com linhas de baixo ainda mais pesadas, graves agressivos e estruturas que frequentemente lembram trilhas sonoras de filmes de terror. DJ Paul e Juicy J entregam performances mais orgânicas; Gangsta Boo ganha mais destaque; Crunchy Black adiciona seu caos imprevisível; Koopsta Knicca mantém sua presença espectral; e Lord Infamous continua apresentando flows imprevisíveis e assustadores. O repertório é muito bom, com canções extremamente pesadas. Enfim, é um baita disco que representa uma clara evolução. 

Melhores Faixas: Body Parts, Late Night Tip, Walk Up 2 Yo House, In-2-Deep Stomp, Destruction Terror, Gette'm Crunk, Where Da Killaz Hang 
Vale a Pena Ouvir: Where's Da Bud, Money Flow, Last Man Standing

Chpt. 2: "World Domination" – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e o grupo lançou Chpt. 2: "World Domination", e aqui teve mudanças. Após o The End, e depois de conquistar Memphis e consolidar sua reputação no underground, a ideia agora era expandir a influência do grupo para além da cena local. Ainda não se tratava de um álbum comercial no sentido tradicional, mas há uma percepção clara de que o Three 6 Mafia estava começando a enxergar possibilidades maiores. A produção ficou mais limpa e organizada; os instrumentais ainda são sombrios, mas existe uma preocupação maior com dinâmica, textura e impacto. Os graves são gigantescos, os hi-hats aparecem constantemente, enquanto os kicks pesados criam uma sensação física de impacto. Além disso, o flow de cada integrante ficou mais cadenciado e preciso. Com isso, eles continuam dialogando com o Memphis Rap e também demonstram as bases do Crunk. O repertório é incrível, com canções pesadas e até atmosféricas. No fim, é outro baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Tear Da Club Up '97, Late Nite Tip, Are U Ready 4 Us, Anyone Out There, N 2 Deep, Hit A Muthafucka, I Ain't Cha Friend, Motivated, Who Got Dem 9's, Bodyparts 2 
Vale a Pena Ouvir: Land Of The Lost, 3-6 In The Morning, Weed Is Got Me High, Flashes

When The Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1) – Three 6 Mafia





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 2000, o Three 6 Mafia lançava mais um disco, o When the Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1). Após o World Domination, o grupo havia se transformado em uma das forças mais influentes do Rap sulista. A cena do sul começava a ganhar espaço nacional, com artistas como Outkast, UGK e Cash Money Records expandindo o alcance da região, e DJ Paul e companhia estavam prontos para dar um salto ainda maior. A produção ficou mais limpa e impactante. Os graves permanecem massivos, mas a sonoridade ganha uma dimensão quase cinematográfica. As baterias são enormes, os sintetizadores possuem mais espaço e tudo isso dialoga muito mais com o Crunk, sem abandonar elementos do Memphis Rap e do Horrorcore. Além disso, todos os integrantes entregam performances refinadas. O repertório é muito bom, com canções bastante envolventes, só que algumas sendo pesadas. No geral, é um ótimo disco e, certamente, o ápice deles 

Melhores Faixas: Sippin' On Some Syrup (baita feat do UGK), Weak Azz Bitch, Tongue Ring, Act Like You Know Me (Pump 'Em Out), Barrin' You Bitches, M.E.M.P.H.I.S., Where Da Cheese At 
Vale a Pena Ouvir: Who Run It, From Da Back, Fuck Y'all Hoes, Put Ya Signs
  

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 1

                  Yendo De La Cama Al Living – Charly Garcia NOTA: 10/10 Voltando para 1982, Charly Garcia lançava seu sensacional álbum de ...