terça-feira, 31 de março de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 4

                 

Born For Trouble – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Já estando nos anos 90, foi lançado mais um álbum novo do Willie Nelson, o Born For Trouble. Após A Horse Called Music, o cantor enfrentava sérios problemas com o Internal Revenue Service (IRS), devido a dívidas fiscais que culminariam, pouco depois, na apreensão de bens e em uma das crises mais conhecidas de sua carreira. E esse disco mostra Willie em um momento mais desgastado, fazendo todo o esforço para entregar algo bem sólido. A produção foi feita por Fred Foster, que trouxe uma sonoridade limpa e claramente orientada para o rádio. Os arranjos utilizam uma base sólida de bateria, baixo elétrico, guitarras limpas e teclados discretos, além de elementos tradicionais como a steel guitar. E os vocais do Willie são mais melódicos, seguindo a estética do Country Pop. O repertório é bem interessante, e as canções ficaram muito mais cadenciadas. No fim, é um disco interessante e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: It'll Come To Me, The Piper Came Today 
Vale a Pena Ouvir: Ten With A Two, This Is How Without You Goes, You Decide

Across The Borderline – Willie Nelson





















NOTA: 9,2/10


Se passaram três anos, e foi lançado um novo disco do cantor, o Across The Borderline. Após o Born For Trouble, e depois de enfrentar sérios problemas financeiros no início dos anos 90, incluindo a famosa dívida com o Internal Revenue Service, Willie Nelson passou por um período de instabilidade que impactou diretamente sua produção musical, resultando em um trabalho que surge como uma tentativa clara de recuperar relevância artística. A produção foi conduzida por Don Was, Roy Halee e, por incrível que pareça, Paul Simon, que trouxeram uma abordagem mais orgânica, rica e diversificada. Os arranjos variam significativamente, refletindo a variedade de estilos presentes no álbum. Há momentos mais próximos do Country tradicional, outros com forte influência de Folk, além de incursões em Rock e sonoridades latinas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco bacana e que representa um renascimento de um artista em baixa. 

Melhores Faixas: Heartland (participação do Bob Dylan) Don't Give Up (participação da Sinéad O'Connor), Across The Borderline, Still Is Still Moving To Me, I Love The Life I Live, Getting Over You, What Was It You Wanted 
Vale a Pena Ouvir: American Tune (participação do Paul Simon), If I Were The Man You Wanted, Graceland

Moonlight Becomes You – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, o Moonlight Becomes You. Após o Across The Borderline, o cantor volta a um território que já havia explorado com enorme sucesso em Stardust: o da interpretação de Standards clássicos, fazendo esse projeto em um momento em que essa abordagem já fazia parte consolidada de sua identidade artística. Ou seja, o álbum não busca reinventar sua linguagem, mas sim reafirmá-la com maturidade. A produção foi feita pelo próprio cantor, junto com Paul Buskirk e Randall Hage Jamail, marcada por uma abordagem minimalista e intimista, diferenciando-se de outros trabalhos mais orquestrais dentro desse mesmo universo. Os arranjos são discretos, centrados principalmente em piano, guitarra, baixo e leves intervenções de sopros ou cordas, e com os vocais do Willie sendo mais intimistas e calmos. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem interpretadas. Enfim, é um disco interessante e até coeso. 

Melhores Faixas: Afraid, You Always Hurt The One You Love 
Vale a Pena Ouvir: Everywhere You Go, Sentimental Journey, December Day

Healing Hands Of Time – Willie Nelson





















NOTA: 3/10


Meses depois, foi lançado outro álbum, só que dessa vez o confuso Healing Hands Of Time. Após o Moonlight Becomes You, o Willie Nelson passou a olhar para sua própria história com mais intenção. Nesse sentido, esse álbum funciona como um exercício de retrospectiva autoral, reunindo algumas de suas composições mais importantes reinterpretadas sob uma nova perspectiva que não era tão nova assim. A produção, feita por Jimmy Bowen, aposta em uma abordagem minimalista e orgânica. Os arranjos são predominantemente acústicos, com discretos acompanhamentos de cordas, além de um uso predominante de orquestração, refletindo a estética do Countrypolitan; com isso, os vocais envelhecidos do Willie ficaram bastante calmos. Só que muitos dos arranjos são bem repetitivos e fogem da proposta original. O repertório, apesar de bom, é mal executado, e algumas interpretações deixam a desejar. No fim, é um disco ruim e que foi um tropeço bem feio. 

Melhores Faixas: Crazy, Night Life, I'll Be Seeing You 
Piores Faixas: Healing Hands Of Time, Funny How Time Slips Away, Oh, What It Seemed To Be

Just One Love – Willie Nelson





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e novamente Willie Nelson retorna com um disco novo, o Just One Love. Após o Healing Hands Of Time, o cantor continua explorando diferentes caminhos dentro de sua maturidade artística, fazendo um álbum que não é conceitual rígido, mas apresenta uma unidade temática bastante clara: o amor em suas diversas formas, como o romântico, o melancólico, o idealizado e até o resignado. A produção, conduzida por Grady Martin, segue uma linha tradicional e elegante, bastante alinhada com o Country clássico, com alguns elementos contemporâneos dos anos 90. Os arranjos são suaves e bem estruturados, com presença de violão, piano, steel guitar, baixo e bateria discreta. Há também momentos em que cordas e elementos adicionais aparecem para reforçar a atmosfera romântica. O repertório é bem legal, com canções mais divertidas e outras mais aconchegantes. No final, é um álbum muito bom e mais consistente. 

Melhores Faixas: Smoke, Smoke, Smoke That Cigarette, Bonaparte's Retreat, It’s A Sin 
Vale a Pena Ouvir: Eight More Miles To Louisville, I Just Drove By, Each Night At Nine

Spirit – Willie Nelson





















NOTA: 9,8/10


E aí, em 1996, foi lançado um trabalho magnífico do Willie Nelson intitulado Spirit. Após Just One Love, Willie dá aqui um passo em direção a algo mais pessoal e despojado, fazendo um álbum essencialmente acústico, gravado com instrumentação mínima e forte sensação de proximidade. Em um período em que a produção musical frequentemente privilegiava polimento e camadas sonoras, o cantor opta pelo oposto, indo para a simplicidade, o espaço e a introspecção. A produção, conduzida pelo próprio cantor, segue uma sonoridade crua e direta, com arranjos extremamente minimalistas, centrados principalmente em seu violão, o famoso “Trigger”, com intervenções discretas de outros instrumentos. O uso do silêncio é fundamental: pausas, respiros e espaços entre as notas ganham tanto peso quanto os próprios sons. O repertório é belíssimo, e as canções são bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco brilhante e um clássico. 

Melhores Faixas: She Is Gone, We Don't Run, It's A Dream Come True, Spirit Of E9, Matador
Vale a Pena Ouvir: Mariachi, Your Memory Won't Die In My Grave

Teatro – Willie Nelson





















NOTA: 9,5/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro álbum incrível do Willie Nelson, intitulado Teatro. Após o Spirit, o cantor dá um passo em uma direção completamente diferente, buscando uma sonoridade mais atmosférica, internacional e cinematográfica. Decidindo gravar um álbum com essa proposta, Nelson segue por um caminho distinto dentro de sua discografia. A produção foi feita por Daniel Lanois, que abandona completamente a abordagem tradicional do Country e mergulha em um universo sonoro denso e texturizado. Os arranjos são construídos em camadas, com guitarras carregadas de reverb, percussões sutis, baixo profundo e uso expressivo do espaço acústico, encaixando o Outlaw Country com certas influências do Tex-Mex. O repertório é incrível, e as canções são bem diversificadas e cheias de variação. No fim, é um disco sensacional e um dos mais ousados de sua carreira. 

Melhores Faixas: The Maker, I Never Cared For You, Everywhere I Go, I Just Can't Let You Say Good-Bye, My Own Peculiar Way, Ou Es-Tu, Home Motel, Mon Amour? (Where Are You, My Love?) 
Vale a Pena Ouvir: I've Loved You All Over The World, Somebody Pick Up My Pieces, These Lonely Nights

Night And Day – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, já no fim dos anos 90, o Willie Nelson decidiu fazer um trabalho diferente, o Night And Day. Após o Teatro, o cantor dá um passo ainda mais inesperado: grava um álbum inteiramente instrumental. Esse movimento é particularmente significativo, considerando que sua identidade sempre esteve profundamente ligada à sua voz, agora com ele deslocando completamente o foco para outro elemento central de sua musicalidade: seu violão, especialmente sua icônica guitarra “Trigger”. A produção, feita por ele próprio, é sofisticada e cuidadosamente elaborada, alinhada com o universo do Jazz contemporâneo. Os arranjos são construídos com base em uma instrumentação rica. Há uma clara influência de formações jazzísticas, com espaço para interação entre os instrumentos, dialogando bastante com o Western Swing. O repertório é bem interessante, e as faixas são todas bem trabalhadas. Enfim, é um projeto muito interessante, porém injustamente ignorado. 

Melhores Faixas: Sweet Georgia Brown, Over The Waves 
Vale a Pena Ouvir: September In The Rain, Vous et Moi

Tales Out Of Luck (Me And The Drummer) – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Começa uma nova década, e o Willie Nelson retorna com mais um álbum novo, o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer). Após o Night And Day, ele parecia deliberadamente se afastar das convenções do country tradicional para explorar novas formas de expressão. Com isso, decidiu reviver músicas antigas de sua autoria com a banda The Offenders, grupo com o qual tocava na época original dessas canções. A produção tem uma abordagem essencialmente “ao vivo em estúdio”, com poucos overdubs e foco na interação entre os músicos. O som aqui é cru, direto e profundamente enraizado no Honky Tonk e no Country tradicional, mas com aquela elasticidade rítmica típica do cantor, com seu fraseado fora do tempo, quase jazzístico, que permanece intacto. O repertório é bem legal, e as canções são mais variadas e energéticas. No fim, é um álbum bem consistente. 

Melhores Faixas: No Tomorrow In Sight, A Moment Isn't Very Long 
Vale a Pena Ouvir: Me And The Drummer, Something To Think About, I I Guess I've Come To Live Here In Your Eyes

Milk Cow Blues – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e foi lançado um novo álbum do Willie Nelson, o Milk Cow Blues. Após o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer), o cantor decide aqui revisitar uma de suas influências mais fundamentais: o Blues. Esse retorno não é apenas estético, mas também conceitual. O Blues sempre esteve presente na base do Country, e Willie, desde o início de sua carreira, incorporou elementos do gênero em sua forma de cantar e tocar. A produção, feita por Derek O'Brien e Freddy Fletcher, segue uma sonoridade crua e vigorosa, em que os arranjos são baseados em guitarras elétricas mais presentes, linhas de baixo marcantes, bateria sólida e uma pegada rítmica claramente influenciada pelo Blues Rock, valorizando assim a interação dos músicos. A voz do Willie Nelson se encaixa naturalmente nesse contexto. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas, e os duetos funcionam bem. No fim, é um disco legal e bem amarrado. 

Melhores Faixas: Rainy Day Blues, The Thrill Is Gone (dueto com B.B. King – só lendas), Sittin' On Top Of The World 
Vale a Pena Ouvir: Black Night, Texas Flood, Night Life

                                                                                            Bom é isso e flw!!!     

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 6

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